Papisa Joana – Resenha do livro e Trailer do filme

O Paulo Rezzutti, do site e-Zone Online, publicou recentemente uma resenha bem interessante do livro Papisa Joana, de Donna Woolfolk Cross. A obra foi publicada neste ano no Brasil pela Geração Editorial.

Aproveite para ver ainda, abaixo da resenha, o trailer do filme inspirado na obra Papisa Joana, que chegará ao Brasil em dezembro deste ano.

Papisa Joana: Uma Mulher Papa?!?!

De Paulo Rezzutti

“Não vou ficar, como diversos jornalistas fizeram, dando como notícia o fato de ter existido uma mulher Papa. O fato de ter havido, segundo alguns parcos registros sobreviventes, uma mulher que teria ocupado o trono de São Pedro, é material de livros há anos, inclusive com versões em português. Vide A Papisa, de Peter Stanford, publicado pela Gryphus em 2000.

Porém, como diz a escritora Ruth Guimarães, todas as histórias já foram contadas, o importante é como recontá-las, e isso a escritora Donna Woolfolk Cross sabe fazer muito bem.

O livro Papisa Joana, publicado pela Geração Editorial, com tradução do escritor Paulo Schmidt, é uma excelente ficção histórica, que nada fica a dever às histórias do escritor britânico Bernard Cornwell, incluindo-se nessa comparação algumas cenas de batalha. Outra característica comum entre ambos está no profundo estudo feito para tornar o mais fiel possível a ambientação de suas narrativas, como a sociedade, hábitos e costumes da época em que a história se passa.

Se as mulheres hoje se queixam de ganharem menos do que os homens e ainda terem que cuidar da casa quando chegam do trabalho, acreditem, isso não é nada comparado com a situação delas na Alta Idade Média, quando eram consideradas pouco mais do que crianças sem direitos, apenas com deveres de servir ao seu homem e senhor, praticamente escravas.

No mais, a mulher não precisava ler nem escrever, mil anos antes de uma frase que ficou famosa no Brasil durante a virada do século passado: “Uma mulher só precisa saber ler e escrever o suficiente para fazer suas orações e anotar receitas de compotas”. Machismos à parte, que belo golpe deve ter sido para a Santa Madre Igreja ter descoberto que uma mulher estava fazendo o trabalho de um homem! O que, aliás, não era coisa tão inimaginável naquela época. As mulheres que se recusavam a ser tratadas como meros objetos e queriam mais, pois sentiam necessidade de estudar, de aprender, invariavelmente lançavam mão do recurso de se travestir de homens para conseguir seus objetivos. Algumas acabavam sendo descobertas, como no caso de Joana, que, grávida, teria parido no meio de uma procissão, em plena Via Sacra, em Roma (hoje Via de S. Giovanni). Outro caso é o de Eugênia de Alexandria: disfarçada de homem, chegou à posição de Abade em um monastério, identidade que abandonou ao mostrar o seu sexo como último recurso para refutar a acusação de ter deflorado uma virgem. Outras, porém, tiveram mais sorte, e acabaram seus dias como homens, sem que ninguém se apercebesse da fraude. Se Joana tivesse tido a mesma sorte destas, provavelmente nunca conheceríamos sua história.

O livro Papisa Joana foi transformado em filme, pela produtora Constantin Films, a mesma de O Nome da Rosa. O filme, com externas na Alemanha, na Bulgária e em Marrocos, estreia em outubro na Europa e chega em dezembro ao Brasil.”

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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3 Comentários

Arquivado em livros, Mídia

3 Respostas para “Papisa Joana – Resenha do livro e Trailer do filme

  1. Roseane

    Assisti ao filme recentemente…e sugiro que assistiam, Excelente produção!! A Atriz perfeita na atuação.

  2. Alcides de Moraes Mendes

    Sensacioinal! O melhor livro que já li nos últimos tempos. Talvez eu seja suspeito porque há 30 anos procuro informações sobre Joana. As informações que possuia além de poucas eram tendenciosas. Este livro traz informações muito interessantes sobre o século IX. A Joana descrita no livro é completamente fora de série: sua inteligência, memória, perspicácia, capacidade excepcional de contra-argumentar, presença de espírito e muito mais. Preciso, agora, ver o filme e me emocionar mais uma vez. Aprendi muitas coisas novas com esta leitura.

  3. u

    Um livro obrigatório no currículo escolar, sobretudo às mulheres, pela estrutura narrativa fartamente humanista e pelo processo histórico – elementos inexistentes na laureada literatura tupiniquim, razão pela qual fomenta a repetição em lugar da reflexão.

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