A aventura do coronel Fawcett

Os mapas e relatos de Euclides da Cunha nos livros Contrastes e Confrontos (1907) e À Margem da História (1909) deram suporte àquele que é considerado um dos maiores exploradores que o mundo já viu: o coronel britânico Percy Fawcett. O aventureiro está para virar personagem de Hollywood, em um filme protagonizado por Brad Pitt. O longa, com direção de James Gray (realizador de Os Donos da Noite e Amantes), tem uma difícil missão: não se transformar em um Indiana Jones genérico. Isso porque o personagem interpretado por Harrison Ford nos anos 1980 é 150% baseado em Fawcett, que, em 1925, desapareceu na região do Xingu, no Mato Grosso.

Fawcett começou a ganhar fama mundial ao desbravar parte da Amazônia brasileira, até então uma região tão inexplorada quanto Plutão. Para adentrar a floresta, ele lançou mão dos escritos de Euclides. A incrível história do militar britânico rendeu tantos artigos e livros quanto lendas e mortes – oficialmente, mais de cem pessoas morreram em expedições para tentar encontrá-lo. Dinheiro, quem conseguiu fazer foi Steven Spielberg. Com a cinessérie Indiana Jones, o diretor achou o pote de ouro.

O filme sobre o verdadeiro Fawcett é uma adaptação do livro-reportagem Z – A Cidade Perdida, do jornalista americano David Grann, lançado no ano passado pela Companhia das Letras. Se o longa-metragem se basear apenas nas páginas da obra, nada impede que faça sucesso. Mas se o filme for como o livro, será nada revelador, nada envolvente, nada marcante.

A obra de Grann é absolutamente voltada para quem nunca leu a respeito de Fawcett – provavelmente o público americano. Não faz revelações, não traz novas teorias nem mostra uma faceta diferente do aventureiro mais ilustre do século passado.

Tal qual Fawcett fez em relação a Euclides, James Gray poderia basear-se em relatos de outro brasileiro para fazer seu trabalho. O livro O Verdadeiro Indiana Jones: O Enigma do Coronel Fawcett, de Hermes Leal, é muito mais rico, denso e, sobretudo, emocionante. Aliás, foi ao conhecer esse livro, lançado em 1996 (a última edição, pela Geração Editorial, é de 2007), que Grann começou a pensar em escrever o seu. Conseguiu, mas se o coronel estiver vivo, no auge de seus 143 anos, ficará bem mais entretido com os escritos de Hermes Leal.

Fonte: Zero Hora

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