80 anos de Sarney são uma “desgraça”, diz autor de “Honoráveis Bandidos”

Alvo de uma série de polêmicas e personagem principal do livro de não-ficção mais vendido pela Livraria da Folha em 2009, “Honoráveis Bandidos”, da Geração Editora, o senador José Sarney comemora 80 anos neste sábado (24). Para o autor do best-seller, Palmério Dória, esse aniversário significa que “o pesadelo está longe de terminar”.

“Só no Brasil o Sarney poderia ter chegado tão longe, com tantos escândalos e um filho envolvido em crimes internacionais. Em geral, 80 anos é sinônimo de sabedoria, mas no caso do Sarney simboliza o império da burrice. O que se está comemorando, se é que se pode comemorar algo, é uma desgraça”, afirma Dória.

Em “Honoráveis Bandidos”, o autor revela o surgimento, o enriquecimento e a tomada do poder regional pela família Sarney no Maranhão. O livro aborda também o controle do político sobre o Senado, com suas alianças e indicações, além de citar nomes e histórias de vários políticos envolvidos, direta ou indiretamente, com o senador.

Dória destaca a capacidade de sobrevivência política de Sarney, que, para ele, fatalmente o levará a se unir a futuros governos para se manter no poder. “São como vampiros viciados em grana.”

Paraense, o autor foi chefe de reportagem na Rede Globo, passou pelos jornais Folha de S.Paulo, “O Estado de S.Paulo”, entre outros. A família Sarney começou a chamar sua atenção quando ainda comandava o jornal “O Nacional”, uma publicação de oposição ao político, criado em 1986. E aumentou com a especulação da candidatura de Roseana Sarney para a Presidência da República, em 2002.

“Foi um interesse óbvio. Estava na cara que o Sarney era um bom assunto. Antes mesmo de assumir o Senado pela terceira vez, antes das maracutaias do filho. E depois soube que ele estava planejando biografias oficiais para limpar sua vida, armando um jogo para passar para a história como o presidente da transição democrática”, disse.

Na época do lançamento do livro, o senador tentou impedir sua distribuição no Maranhão, mas acabou voltando atrás depois da repercussão negativa do caso. Segundo o jornalista, apesar de não ter sido vítima de processos judiciais vindos diretamente do político, duas pessoas citadas na publicação movem ações contra ele (uma contra o livro e outra contra uma nota veiculada na revista “Caros Amigos” de um caso também citado na biografia).

Em razão disso, Dória é cauteloso para falar de sua próxima empreitada, prevista para ser finalizada em agosto. O temor é que a obra possa ser embargada antes mesmo de chegar às livrarias. “Posso adiantar que é sobre um político. Até porque, é um ano eleitoral e depois da Copa as atenções se voltarão para isso. É preciso aproveitar a oportunidade.”

Fonte: Folha Online
Por:
Adriana Chaves – colaboração para a Livraria da Folha

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