A lista de Schindler – Testemunha do horror – Resenha no Estado de Minas

As atrocidades cometidas pelos nazistas contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, quando cerca de 6 milhões foram mortos nos campos de concentração, padecendo todos os tipos de horrores, já renderam centenas de livros e incontáveis filmes, entre eles A lista de Schindler, de Steven Spielberg, de 1993. Durante suas pesquisas, o cineasta de origem judaica teve entre seus colaboradores o judeu polonês Mietek Pemper, que de março de 1943 a setembro de 1944, como prisioneiro do campo de concentração de Karkau-Plaszow, onde morreram 8 mil judeus, esteve no centro do mal, trabalhando como estenógrafo particular do chefe do campo, o temido Amon Göth. Um assassino sádico e cruel que, da janela do seu escritório, se divertia matando prisioneiros com um rifle de precisão, enquanto seu funcionário, sem poder fazer nada, ia escrevendo as cartas que ele ditava.

Com apenas 23 anos, mas já maduro o suficiente para saber que sua sobrevivência e de alguns dos seus dependia, em última instância, do seu silêncio e coragem, Pemper não só atendia as ordens do chefe como também, correndo todos os riscos, guardava informações importantes, memorandos secretos, conversas ouvidas. Guardava tudo na mente e, na medida do possível, transmitia ao empresário alemão Oskar Schindler, que não só usava prisioneiros judeus do campo em suas indústrias, como também se empenhava em salvar suas vidas. Para isso valia-se, além do seu irresistível carisma, de imensa quantidade de dinheiro para subornar os funcionários nazistas. Precisava que fizessem vista grossa em diversas situações, algumas inacreditáveis. A adega de Amon Göth, por exemplo, era ele quem mantinha, com caixas de conhaques franceses conseguidas no contrabando. Para consegui-las, valia-se de todos os artifícios possíveis.

No decorrer daqueles dias sombrios, os contatos entre ele e Pemper foram de grande importância para salvar vidas. Terminada a guerra, com a vitória dos aliados, os sobreviventes judeus retribuíram, entregando a Oskar Schindler “uma carta de proteção”, que foi redigida em três idiomas: hebraico, inglês e russo, na qual falavam do quanto tinham sido ajudados por ele. Também lhe deram um anel, feito de ouro extraído de dentes dos prisioneiros. Emocionado, Schindler fez um discurso. “Por sua sobrevivência, não agradeçam a mim, mas à sua própria gente, que trabalhou dia e noite para salvá-los do extermínio. Agradeçam aos destemidos Stern e Pemper e a alguns outros que, em sua luta por vocês, olharam a morte de frente a cada momento, sobretudo em Cracóvia, quando pensaram em todos e cuidaram de todos”. Ainda de acordo com Pemper, Schindler abandonou suas atividades no campo em 9 de maio de 1945.

Prisão e morte Tudo isso – ainda a prisão de Amon Göth, em cujo julgamento Mietk Pemper serviu como testemunha de acusação, o que resultou no seu enforcamento, em 1946, na Polônia – além de como Oskar Schindler conseguiu salvar mais de mil judeus daquele campo, está narrado com detalhes no livro A lista de Shindler – A verdadeira história, que acaba de sair no Brasil pela Geração Editorial. Se no filme de Spielberg, com cenas chocantes, já dá para se ter uma ideia do que foram aqueles dias de horror, a leitura do livro, com certeza, ajuda a reforçar a certeza de que tempos como aqueles não deveriam voltar. Mas as lições, pelo que parece, não foram aprendidas e os homens, em várias partes do mundo, continuam se massacrando.

Continue Lendo.

Fonte: Estado de Minas

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