Autor irá a várias cidades do MA lançar ‘Honoráveis Bandidos’

EFEITO CONTRÁRIO AO QUE QUERIAM OS BADERNEIROS

Em entrevista ao JP, Palmério Dória falou sobre a ação de baderneiros nos lançamentos de seu livro em São Luís e Imperatriz e disse que agora se sente na obrigação de divulgar o livro em outras cidades do estado

POR OSWALDO VIVIANI

Após os tumultos no lançamento do livro “Honoráveis Bandidos – Um Retrato do Brasil na Era Sarney” em São Luís e Imperatriz, provocados por baderneiros ligados ao ex-secretário de Esportes do governo Roseana Sarney, Roberto Costa, o autor da obra, Palmério Dória, disse na sexta-feira ao Jornal Pequeno que não vai se intimidar e já prepara novos lançamentos do livro em outras cidades maranhenses, como Caxias, Pinheiro e Açailândia. “A ação dos agressores, que invadiram o campus da Uema na quinta-feira para nos intimidar, teve efeito contrário. Agora é que eu vou redobrar esforços para lançar o ‘Honoráveis’ em outras regiões do Maranhão. Não posso recuar, senão aí eles [os agressores] venceriam, conseguiriam seu intento, que é impedir, pela violência, a divulgação de uma obra”, afirmou Palmério ao JP.

Paraense radicado em São Paulo, Palmério Dória, 62 anos, contou que não viveu uma situação como a ocorrida em Imperatriz nem na época da ditadura militar. “Foi muito mais grave do que em São Luís. E não foi pancadaria. Pancadaria pode sugerir algo até pitoresco. Foi agressão mesmo. Agressão séria. É muito triste ver um campus de universidade servindo de palco para intolerância e violência, com a polícia lá dentro, lançando bombas, dando tiros”.

Com segurança pessoal – Palmério ainda permaneceu em Imperatriz na sexta-feira. Por conta de ameaças recebidas por integrantes da organização do lançamento, foi contratado um segurança para acompanhar o autor, o tempo todo, tanto no hotel Shalom, em que ficou hospedado, como em seus deslocamentos pela cidade. “É uma situação absurda. Nunca tive de fazer isso na minha vida”, disse o escritor.

De acordo com Palmério, embora a Polícia Militar tenha evitado que acontecesse algo mais grave em Imperatriz, a ação dos policiais foi “no sentido de proteger os agressores”. O escritor disse que a PM soube de antemão da chegada dos baderneiros em dois ônibus, duas vans e outros dois veículos, mas nada fez até o momento em que eles invadiram o campus e o auditório da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

“Eles agrediram, usaram de violência e ninguém foi preso.

A polícia só agiu para proteger os agressores, e isso só depois que as pessoas que participavam do lançamento reagiram, expulsando os invasores. No fim, os agressores ainda saíram da cidade escoltados pela PM até a BR-010, para retornarem ‘em segurança’ a São Luís”, contou Palmério.

Para o autor de “Honoráveis Bandidos”, a constatação mais lamentável no episódio foi ver que uma certa parcela da juventude – representada pelos promotores do tumulto em Imperatriz – não tem nenhum respeito por grandes figuras humanas, como os líderes camponeses Manoel da Conceição e Zezinho do Araguaia (Micheas Gomes de Almeida), que estavam presentes no lançamento.

“No momento da invasão, Manoel da Conceição dava um depoimento comovente, falando de sua história de lutas, de paz, de liberdade de expressão. O relato foi abruptamente interrompido pelos ovos e pedras que vieram em nossa direção. Manoel só não foi atingido porque se deitou no chão. Imagine um homem com a sua história, com tudo o que ele já passou, ali deitado no chão. Isso é de deixar qualquer um indignado”, relatou Palmério Dória.

‘Juventude sarneysista’ – Nos tumultos de Imperatriz, ao menos seis pessoas saíram feridas. O Jornal Pequeno apurou que o grupo que provocou a confusão – cerca de 150 pessoas – chegou à Uema em dois ônibus e outros quatro carros, vindos de São Luís.

Jornalistas presentes no local viram, afixadas nos veículos, faixas da Federação da Juventude Maranhense (Fejuma). A entidade, ligada ao sarneysismo, é presidida por Felipe Mota.

Líder dos invasores é de Pio XII – Quem liderava os invasores era o vereador Francisco de Assis Costa Filho (PP), 23 anos, de Pio XII. Assis Filho é aliado de Roberto Costa, ex-secretário de Esportes do governo Roseana Sarney Murad (PMDB). Costa é apontado como organizador da invasão do Sindicato dos Bancários, em São Luís, em novembro do ano passado, durante o lançamento do “Honoráveis Bandidos” na capital maranhense.

Em seu blog, o vereador Assis Filho postou um artigo no qual se vangloria do ato de agressão do qual participou e chama José Sarney de “grande personalidade”. No artigo, intitulado “Será se Palmério Dória ainda terá coragem de lançar seu livro no Maranhão?”, o vereador afirma: “Os maranhenses não irão mais admitir que um escritor que não conhece o Maranhão nem mesmos os maranhenses venha para nossa terra denegrir a imagem de uma grande personalidade como senador Sarney”, escreveu.

Antes do tumulto de quinta-feira, o reitor da Uema, José Augusto Silva Oliveira, teria ameaçado de demissão o diretor do campus Imperatriz, professor Expedito Barroso, caso ele permitisse que o lançamento de “Honoráveis Bandidos” se realizasse na instituição.

Livro já vendeu mais de 80 mil exemplares

O livro “Honoráveis Bandidos – Um Retrato do Brasil na era Sarney”, de Palmério Dória (Geração Editorial), já vendeu mais de 80 mil exemplares desde que foi lançado, em setembro de 2009. A obra – que agora também está disponível para ser comprada em edição digital(www.livrariasaraiva.com.br) – frequentou o ranking dos 10 livros mais vendidos da revista Veja por 27 semanas consecutivas, chegando a alcançar o primeiro posto. Em São Luís, o “Honoráveis” pode ser encontrado no Sindicato dos Bancários (Rua do Sol) e em bancas de jornais e revistas do centro.

Reportagens do JP – como “Casa oficial de Sarney vira cassino de Roseana”, “Cadáveres da Operação Tigre assombram passado do vice de Roseana Sarney” (ambas de março de 2009) e “Grampo da PF comprova envolvimento de Ernane Sarney no escândalo Gautama” (de agosto de 2008) – serviram de fonte de pesquisa para Palmério Dória contar a saga fora da lei da família Sarney. Veja a seguir trechos de um dos tomos do livro que cita o JP.

RAINHA DO CALHAU É FISSURADA NO PANO VERDE

Quando Roseana deixou o Planalto [separada de Jorge Murad, no final da década de 1980, no fechar das portas do governo Sarney] e topou com o ex-namorado Carlos Henrique [Abreu Mendes, que foi secretário de Meio Ambiente no governo de Wellington Moreira Franco], estava deprimida.

Resolveu viajar, correr o mundo, divertir-se. E lá se foi para alguns dos lugares que ela mais ama: Monte Carlo, Atlantic City e Las Vegas.

Se você acha que essas cidades têm algo em comum, acertou: ela adora jogar. Diante do pano verde, seus olhos verdes se integram em perfeita simbiose. O girar da roleta, o tilintar das fichas, a voz do crupiê, a emoção da aposta, naquele ambiente esfumaçado, suprem-lhe qualquer deficiência emocional.

Isso já representou um trauma para a família, especialmente para José Sarney. Que, num discurso em 1993, chegou às lágrimas na tribuna do Senado, respondendo a uma nota da colunista Danuza Leão, que tratava das peripécias da moça por centros internacionais de carteado.

Às vezes, quando batia a fissura e não dava para atravessar o oceano, Roseana praticava uma espécie de política da boa vizinhança, prestigiando os cassinos do Paraguai. Ela, os irmãos e os amigos sempre puderam contar com o jatinho da família, um British Aerospace BAE 800, prefixo PP-ANA, registrado em nome de Mauro Fecury, suplente de Roseana no Senado e velho amigo de Sarney.

(…)

Outras vezes, ao voltar das jogatinas para São Luís, batia na turma uma vontade irreprimível de comer na churrascaria Porcão, em Brasília. Os meninos mandavam o piloto aterrissar para matar a fome. Um desses pilotos que os levavam, antigo na aviação nacional, pediu demissão.

“O voo de ida e volta de São Luís para Assunção não era nada perto desses, digamos, pousos de emergência”, diz ele, pedindo para não revelar o nome.

Ele quis dizer o seguinte: o pouso inesperado de um jatinho num aeroporto internacional, com o custo operacional completo, reabastecimento, aluguel de hangar etc., sai mais caro que o vôo São Luís-Assunção em si. O veterano piloto não suportou tais descalabros, foi embora.

Dizem os amigos que, se os adversários de Roseana soubessem de sua obsessão pela jogatina, poderiam fazer bom uso, porque ela seria capaz de largar tudo por uma mesa de pif-paf. Não deve ser exagero. Por causa dessa insana paixão, Roseana abriu a temporada de escândalos com passagens aéreas no Congresso.

Deu no Jornal Pequeno, combativo diário de São Luís do Maranhão, edição de 15 de março de 2009:

“Maratona de jogatina reuniu pelo menos 10 pessoas. Roseana Sarney admite que 4 viajaram de São Luís a Brasília com sua cota no Senado.”

A moça é realmente da pá virada. Um mês depois que o pai virou presidente do Senado, ela transformou a residência oficial da Presidência daquela Casa em cassino. Com carinha de inocente, quando o resto da mídia “descobriu” a farra, ela disse que passaram o sábado e o domingo em “reunião de trabalho”.

No passado o dolce far niente internacional pelas rodas de carteado era bancado por um cartão de crédito com fundos ilimitados, emitido por um banco de Miami, o Schroder, segundo denúncia do Jornal do Brasil e da revista Exame. Dono da conta responsável pelo débito mensal desse cartão da felicidade: Edemar Cid Ferreira. Padrinho de casamento de Roseana e Jorge Murad, na Catedral da Sé, em São Luís, em 1976, onde Edemar conheceu a futura mulher [Márcia Costa].

Roseana e Jorge, por sua vez, viriam a se tornar padrinhos de casamento de Edemar e Márcia. Filha de quem? Daquele senador Alexandre Costa, lembram-se? Um dos que estavam metidos no famoso rolo da gráfica do Senado, em 1994 (esse político, famoso por sua violência, com base eleitoral na cidade interiorana de Caxias, morreria em 1998).

Márcia é a maior amiga de Roseana, que – não se esqueçam – também estava naquele mesmo rolo. É no ombro de Márcia que Roseana vai chorar mágoas, na mansão de R$ 142 milhões do casal, no chique bairro paulistano de Cidade Jardim, vizinhos do igualmente banqueiro Joseph Safra e do megaempresário Antônio Ermírio de Morais. (“Honoráveis Bandidos”, páginas 80,81 e 82)

Jagunços da ‘Famiglia Sarney’ voltam ao ataque em Imperatriz

AUGUSTO NUNES*

Aprendizes de jagunços a serviço de José Sarney tentaram abreviar a pancadas, na quinta-feira, a noite de lançamento do livro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória e Mylton Severiano da Silva, que detalha alguns itens do amazônico prontuário da “famiglia” chefiada pelo presidente do Senado.

Foi com essa abertura que denunciei, em 6 de novembro do ano passado, a violência promovida por milícias de Sarney no Sindicato dos Bancários do Maranhão, em São Luís. Exatamente nove meses depois, o exército particular dos donos da capitania hereditária voltou a agir, agora em Imperatriz, contra o mesmo inimigo.

José Sarney anda cada vez mais audacioso desde que foi promovido a Homem Incomum, eu registrava em novembro. Depois que passou a enfeitar o jaquetão com a medalha que ganhou do amigo Lula, o dono do Maranhão foi absolvido liminarmente pelo Executivo, inocentado pelo Legislativo e favorecido pelo Judiciário. Graças à cumplicidade de Lula, ao apoio militante da base alugada e à covardia dos opositores no Senado, não só sobreviveu às acusações como conseguiu punir acusadores sem culpa.

Comparsa do velho morubixaba, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, colocou o jornal O Estado de S. Paulo sob censura. A afronta já festejou o 1° aniversário. Por ordem de Sarney, o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão aprovou a candidatura da multidão de “fichas sujas” vinculada à “famiglia”, começando por Roseana Sarney. Só faltava ao imortal de araque decidir que livros podem ser lidos pelos maranhenses. Agora não falta mais nada.

A reincidência registrada em Imperatriz confirmou que, aos 80 anos, Sarney acha que está fora do alcance do camburão e tem vaga garantida na galeria dos estadistas. Se a Justiça funcionasse, estaria há muito tempo alojado na galeria de um presídio. (*) Jornalista, na Veja Online

QUEM É PALMÉRIO DÓRIA

Escritor e jornalista, Pamério Dória nasceu em Santarém, no Pará, mas foi criado em Belém. Atualmente, vive em São Paulo. Trabalhou como chefe de reportagem na Rede Globo, nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, e como diretor de redação de revista Sexy. Além de “Honoráveis Bandidos”, Palmério publicou outros quatro livros: “Mataram o Presidente – Memórias do Pistoleiro que Mudou a História do Brasil” (1976); “A Guerrilha do Araguaia” (1978); “Evasão de Privacidade” (2001); e “A Candidata que Virou Picolé” (2002).

FONTE: Jornal Pequeno

Link: http://www.jornalpequeno.com.br/2010/8/14/autor-ira-a-varias-cidades-do-ma-lancar-honoraveis-bandidos-128167.htm

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1 comentário

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Uma resposta para “Autor irá a várias cidades do MA lançar ‘Honoráveis Bandidos’

  1. Heron

    Deve ser um ótimo livro, o nome já conta tudo!

    Parabéns Palmério! Um Abraço.

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