Livros para entender a Ditadura Militar brasileira, mesmo após 47 anos

Aos que morreram, a certeza de que não abandonaram a luta;

Aos que sobreviveram, um misto de honra e terror;

Aos que transmitem em palavras suas impressões, depoimentos e, assim, não deixam que a história se perca.

Apesar de ser um país consideravelmente novo, o Brasil, em sua história, passou por diversos momentos marcantes, desde a chegada dos portugueses até a de um ex-sindicalista à presidência, além de ter vivenciado períodos sombrios e de total repressão.

Toda essa liberdade da qual desfrutamos atualmente é uma conquista de muitos brasileiros. No caminho, muitos lutaram, protestaram e enfrentaram a repressão de uma ditadura brutal. Muitos morreram, foram torturados, sofreram exílio. Todos aqueles que se opunham à ditadura eram considerados terroristas e bandidos.

As novas gerações não tiveram a oportunidade de presenciar um período de bravura de uma sociedade reprimida, de grande mobilização popular e produção cultural politizada.

Quem não ouviu falar das receitas de bolo e das poesias de Camões publicadas nos jornais? Ou das músicas com mensagens nas entrelinhas? Ou das manifestações do povo nas ruas? Ou, ainda, das alternativas criadas para driblar o governo repressor?

A Geração Editorial reúne obras que contam um pouco sobre essa fase, que ainda está viva na memória dos sobreviventes.

Trevas no paraíso reúne as histórias proibidas sobre a ditadura militar, que Luiz Fernando Emediato escreveu dos 20 aos 25 anos. Com títulos provocativos e personagens reais, como o jornalista Wladimir Herzog, torturado até a morte.

Em Náufrago da utopia, um dos mais jovens dirigentes de uma organização guerrilheira de luta armada contra a ditadura militar, Celso Lungaretti, relembra as passeatas, a ocupação de faculdades e fábricas, os festivais de música, as ações armadas dos guerrilheiros, seus conflitos internos, as trajetórias de personagens como José Dirceu, Geraldo Vandré, Marighela e Lamarca, reconstituindo, de forma magistral e dolorida, a história de sua geração – dos jovens estudantes sem experiência militar recrutados para combater a ditadura pelas armas.

A lei da selva, livro de Hugo Studart, é impressionante quando, pela voz dos militares, revela detalhes chocantes sobre como se deram as mortes e fuzilamentos de guerrilheiros e guerrilheiras, com reprodução, inclusive, dos diálogos na hora do confronto. Revela a identidade dos comandantes militares em cada uma das três campanhas, além da cadeia de comando na fase em que o Exército recebeu ordens de não fazer prisioneiros.

Verdes anos, de Luiz Fernando Emediato, é um misto de ficção e autobiografia da geração de jovens escritores que se formou nos anos 70. Um retrato, às vezes, amargo, sempre irônico, invariavelmente sarcástico, humano e comovente, de personagens reais: guerrilheiros, jornalistas, militares, artistas e estudantes, que se cruzam nas várias histórias em que se misturam o sexo e a dor, a esperança e o desencanto, o amor e a guerra.

Em Operação Araguaia, num magistral esforço de pesquisa e  jornalismo investigativo entre civis e militares – um trabalho que durou sete anos – Taís Morais e Eumano Silva revelam arquivos secretos sobre a Guerrilha do Araguaia, o maior confronto das Forças Armadas desde a II Guerra Mundial e, a partir deles, entrevistando sobreviventes, contam, pela primeira vez, como em um trágico e terrível romance, a sangrenta e chocante história desta guerra secreta, que os militares tentam, há mais de 30 anos, esconder.

Sem vestígios, traz a tona relatos cruéis, dolorosos e reais de Carioca, narrador principal do livro. A autora, que recebeu este diário confidencial, deu voz ao militar, ex-agente secreto da ditadura, que nos faz revelações espantosas sobre as ações de quem, em nome da defesa da democracia, combatia os grupos de esquerda prendendo, interrogando, torturando e executando pessoas, algumas delas inocentes. Sem vestígios – revelações de um agente secreto da ditadura militar brasileira é um livro quase inacreditável, de embrulhar o estômago.

O clássico Sangue de Coca-Cola, romance de Roberto Drummond, começa com o relato de alucinações coletivas, num dia 1º de abril, quando, segundo o autor, “o Brasil tomou Coca-Cola com LSD e entrou numa bad”. A partir daí, ninguém segura mais a imaginação do autor. Sangue de Coca-Cola é pura curtição. Como Hilda Furacão, inesquecível.

Mais informações acesse: www.geracaoeditorial.com.br
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1 comentário

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Uma resposta para “Livros para entender a Ditadura Militar brasileira, mesmo após 47 anos

  1. Rodolfo

    Maravilhosa seleção! Pode não servir para purgar tanta violência, mas serve para abrir a mente ao que foi tão doloroso. Parabéns!

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