Arquivo do mês: junho 2011

A sombra de Hitler no céu

O LIVRO QUE FALTAVA SOBRE O NAZISMO E AS GUERRAS MUNDIAIS

 Hans Baur, que era a sombra do ditador no céu, revela detalhes dos momentos infernais que incendiaram a Europa e ameaçaram o mundo

 

O piloto de Hitler – A vida e a época de Hans Baur, do norte-americano C. G. Sweeting, publicado pela Geração Editorial, com tradução de Elvira Serapicos, é o livro que faltava sobre o nazismo e as guerras mundiais, principalmente a Segunda. “O século XX assistiu a uma carnificina maior do que qualquer outra na história, e a Segunda Guerra Mundial foi o maior banho de sangue de todos”, diz o autor, um especialista em história militar alemã. O piloto de Hitler é o resultado de uma extensa e rigorosa pesquisa e resgata também o testemunho de um homem que era a sombra do ditador no céu. Hitler sentia-se mais seguro voado do que em terra. De 1932 até o fim, fez apenas um voo sem o piloto particular.

“Hans Baur viveu uma vida longa e extraordinária, tão excitante quanto a imaginação de um escritor de ficção poderia conceber”, afirma Sweeting. O piloto era “uma figura paradoxal”. Ele acreditava no Nacional-Socialismo e foi fiel ao Führer mesmo depois de dez anos de sofrimento em prisões e campos de trabalho forçado na União Soviética. “Em sua vida pessoal, no entanto, era um homem corajoso, íntegro, confiável e patriótico. A lealdade de Baur a Hitler foi sua falha mais grave, mas indicava a paixão em servir seu país”, acrescenta o escritor. “Infelizmente, ele, como milhões de outros alemães, não compreendeu que a ascensão de Hitler ao poder seria desastrosa para a Alemanha e para o mundo.” Baur jurava não ter ouvido nada a respeito do genocídio.

Sweeting lembra que Baur, que chegou a general de brigada da SS, foi muito mais do que o piloto pessoal de Hitler. “Foi seu companheiro e confidente e era quase tão amigo do líder alemão quanto qualquer outra pessoa de seu círculo mais próximo.” Hitler foi padrinho do segundo casamento de Baur, que viveu 95 anos, ficou viúvo duas vezes e se casou três. Durante a Guerra era proibido ouvir rádios estrangeiras na Alemanha. Uma ironia: com as comunicações internas precárias na Berlim sob ataque, Hitler recebia no bunker notícias da londrina BBC selecionadas por Hans Baur.

O piloto de Hitler está dividido em 12 capítulos cronológicos e todos iniciados com a palavra Asas: Asas da Guerra: 1915-1921, Asas da Paz: 1922-1931, Asas do Destino: 1932-1933, Asas para o Füher: 1933-1934, Asas da Mudança: 1935-1937, Asas do Destino: 1938-1939, Asas da Vitória: 1939-1941, Asas do Desafio: 1941-1942, Asas da Derrota: 1942-1944, Asas do Desastre: 1944, Asas do Armagedom: 1945, e Asas Quebradas: 1945-1993, além do Epílogo e traz ainda fotos históricas, mapas e a planta do bunker sob a Chancelaria em que o alto-comando nazista se protegeu do bombardeio a Berlim.

C. G. Sweeting historia a ascensão de Hitler desde sua participação na Primeira Guerra Mundial como soldado mensageiro que transportava relatórios e ordens sob o fogo inimigo, seus tempos de glória e ilusões megalomaníacas, até os últimos momentos, humilhado e derrotado, e o suicídio. O temor de Hitler era ser morto e exibido por Stalin no zoo de Moscou. O ditador trocava o dia pela noite, era vegetariano (considerava sopa de carne um “chá de cadáver”) e supersticioso, tinha hábitos bizarros, sofria de várias doenças e chegou a tomar 150 comprimidos por semana.

O autor relembra o medo de Hitler de ser morto e os atentados de que escapou – pelo menos um parece ter sido uma farsa para aumentar sua popularidade. No estudo psicanalítico secreto feito em 1943 para a OSS, precursora da CIA, e publicado em 1972 com o título A mente de Adolf Hitler, Walter C. Langer e colegas consideram o ditador alemão “um psicopata neurótico beirando a esquizofrenia”.

Quando invadiu a Polônia em 1939, Hitler já se sentia dono da Europa. Ele não acreditava que a Grã-Gretanha e a França fossem à guerra por causa da Polônia. Também menosprezava os Estados Unidos (“uma nação mestiça, decadente”). Os dois capítulos finais do livro são eletrizantes: as cruéis batalhas sob o rigoroso inverno russo, a queda da Alemanha, o desespero dos derrotados sem ter para onde fugir, os horrores do massacre, da pilhagem e de estupros pelos soviéticos, as prisões e o martírio de alemães em masmorras e em trabalhos forçados na União Soviética. Baur teve parte da perna esquerda amputada em consequência de tiros que levou durante a tentativa de fuga. Foi torturado nos longos e repetitivos interrogatórios em Moscou. Morreu quase cego em Munique, em 1993, ao lado da terceira mulher, Crescentia (Centa).

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Biografia inédita de Schopenhauer

O homem impetuoso que era contra tudo e todos e antecipou-se à psicanálise de Freud

 A Geração publica “Schopenhauer e os Anos mais Selvagens da Filosofia”, do mesmo autor das consagradas biografias de Heidegger e Nietzsche

Depois das biografias de Heidegger e Nietzsche, a Geração Editorial traz ao Brasil outro grande livro de Rüdiger Safranski, especialista em filosofia alemã, história e história da arte, “Schopenhauer e os Anos Mais Selvagens da Filosofia”,em tradução de William Lagos. Contemporâneo de Kant, Schelling, Hegel e Marx, Arthur Schopenhauer (1788-1860), altivo, impetuoso e arrogante, era contra tudo e contra todos. Insistiu e acabou provocando um terremoto na filosofia da consciência e antecipando-se em quase meio século à psicanálise de Freud.

            “A humanidade aprendeu algumas coisas comigo que jamais esquecerá”, escreveu Schopenhauer. O biógrafo concorda com o filósofo, mas observa que o mundo se esqueceu de que foi Schopenhauer quem o ensinou. “Ele é o filósofo da dor da secularização, do desamparo metafísico, da perda de toda a confiança primordial”, afirma. E arremata: “É em Schopenhauer que surge, pela primeira vez, uma filosofia explícita do corpo e do inconsciente. Sem dúvida, o Ser determina a Consciência. Mas o Ser não é, como o quis Marx algum tempo depois dele, o ‘corpo da sociedade’, mas sim nosso corpo verdadeiro, o qual nos torna todos iguais e, apesar disso, também nos inimiza com tudo quanto vive”. Thomas Mann considerava Schopenhauer “o mais racional dos filósofos do Irracional”.

     Filho de um casamento sem amor, Schopenhauer sempre se sentiu meio abandonado. Seu pai queria que ele nascesse na Inglaterra, mas por ciúme da mulher, que havia feito amigos em Londres, o filósofo do pessimismo nasceu em Dantzig, hoje Gdansk, na Polônia. Vinte anos mais velho do que Johanna, o ciumento Heinrich Floris Schopenhauer submeteu a mulher, poucos meses antes do parto, à perigosa viagem de volta à Alemanha,em pleno inverno. Antesmesmo de nascer, Arthur foi incomodado.

       Adolescente, nutria divergências com o pai e a mãe. Ganhou uma longa viagem pela Europa com os pais, sob o compromisso de seguir a carreira paterna de comerciante. Seu pai lia Rousseau e Voltaire e assinava o Times de Londres. A mãe tornou-se autora de romances adocicados. O jovem Schopenhauer tinha momentos de êxtase no alto das montanhas, ao amanhecer, e também com a música, literatura e filosofia. Sua mãe reconhecia o talento do filho, mas não poupava adjetivos negativos em cartas a ele, como arrogante, aborrecido e insuportável. Um editor o chamou de “cão raivoso”. O autor transcreve contundentes cartas de Johanna ao filho que preferia distante.

     Ela queixava-se das “briga terríveis” que tinham “por bobagens” quando ele a visitava. E respirava aliviada quando ele partia. Johanna já estava cansada do mau humor do rapaz e lamentava as “estranhas opiniões” que o filho emitia “como se fossem as profecias de um oráculo a quem ninguém pode objetar nada”. Pedia a Arthur que deixasse em casa o “ânimo discutidor”. Em uma carta, Johanna diz ao filho indomável: “Todas as tuas boas qualidades são empanadas porque te julgas ‘esperto demais’ e essa arrogância não te serve para nada neste mundo, simplesmente porque não podes controlar tua mania de querer saber tudo mais que os outros, de encontrar defeitos em toda parte, menos em ti mesmo, de querer controlar tudo e de te achares capaz de melhorar as pessoas com que te relacionas.” No entanto, foi ela quem o levou a optar pela vida intelectual. 

      Quando ficou viúva, a mãe de Schopenhauer disse no comunicado da morte que dispensava visitas de condolências, o que apenas aumentaria seu sofrimento. Nunca ficou de todo esclarecido se a morte do marido foi por acidente ou suicídio. Durante dois anos, o jovem Arthur frequentou saraus na casa da mãe estrelados por Goethe (a pessoa mais simpática que Johanna conheceu), que nesse período nunca dirigiu a palavra ao rapaz. Anos depois, Goethe impressionou-se com sua tese de doutorado e ficaram amigos. Herdeiro, Schopenhauer pôde viver para a filosofia, não dela. Já idoso, o autor de O Mundo como Vontade e Representação foi descoberto como grande filósofo pela imprensa inglesa. O Nilo chegou ao Cairo, disse. Era a “Comédia da Fama”.

        Para ter acesso às imagens da capa e do autor e a entrevista completa entre em contato:

    
     Assessoria de Imprensa

Willian Novaes -wnovaes@geracaoeditorial.com.br

Adriana Carvalho – adriana@geracaoeditorial.com.br

11-3256-4444

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Livro-bomba: Operação Hurricane – Um juiz no olho do furacão

Neste livro impressionante, publicado pela Geração Editorial, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim desmonta a farsa que o levou à prisão em 2007, revela os bastidores da Justiça brasileira, denuncia policiais, procuradores e juízes  poderosos e clamara por justiça.

 

 Quatro anos depois de ter sido preso e desmoralizado injustamente, com transmissão direta pela Rede Globo, apesar do “segredo de justiça” da operação, o desembargador José EduardoCarreira Alvim publica, pela Geração Editorial, o livro Operação Hurricane – um juiz no olho do furacão, em que desmonta o que chama de farsa montada pela Polícia Federal – farsa aceita pela Justiça e pela mídia, o que o impediu de ser eleito presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e o levou à prisão e à aposentadoria antecipada.

Em relato claro, didático, detalhado e impressionante pelas revelações que desnudam os bastidores da Justiça brasileira, Carreira Alvim conta seu calvário, busca as razões de ter sido preso por crimes que não praticou, indaga por que seus direitos de magistrado não foram respeitados e denuncia ter sido vítima de uma conspiração odiosa, tramada por altas autoridades da justiça e da polícia. Estranhamente, seu processo está parado desde 2007 no Supremo Tribunal Federal – STF.

Ele foi preso sob a acusação – inverídica, segundo ele – de ter recebido pagamento para autorizar o funcionamento de casas de bingo no Rio de Janeiro e integrar uma quadrilha que beneficiava os donos das casas de jogo. Teve sua vida devassada pela Polícia Federal e pelo Fisco, mas nada contra ele foi encontrado. Apesar disso, foi afastado do Tribunal Regional Federal e aposentado.

Denúncia com todos os nomes

É com amargura que Carreira Alvim recorda as reportagens que descreviam sua prisão e as supostas causas dela. E, sem poupar nomes poderosos, denuncia:

 “O detalhe que faltou nessas reportagens é que nada daquilo era verdade, mas fruto de uma armação, forjada pela Polícia Federal, sob o comando do delegado federal Ézio Vicene da Silva, numa investigação sob a tutela do então procurador-geral da RepúblicaAntonio Fernando de Souza, e supervisionada pelo ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, que, mais tarde, viria a relatar contra mim uma denúncia formulada pelo mesmo procurador-geral da República, convencendo o Plenário daquela augusta Corte de que havia sérios indícios de minha participação na quadrilha de bingos”.

Ele se orgulha de ter sido juiz e professor de Direito “com uma das maiores obras já produzidas individualmente por um escritor neste país” e de ser conhecido pela maioria dos ministros da Suprema Corte – mas isso de nada valeu quando as denúncias sobre ele se abateram.

“Fui alvo de um esquema dos mais perversos armados contra um ser humano pela Polícia Federal, estimulada pelo Ministério Público Federal; e autorizada pela Supremo Tribunal Federal, cujo principal objetivo era evitar que eu chegasse à presidência do Tribunal Federal da 2ª. Região e para não incomodar nessa função o Poder Público, que se considera muitas vezes acima da lei e da Constituição”, diz ele com todas as letras.\

“Espero que o Supremo Tribunal Federal, em face de todos os esclarecimentos que faço, se debruce sobre as provas para descobrir a verdade, mandando fazer uma perícia sobre as conversas entre mim e meu genro por uma entidade neutra, que não seja o Instituto Nacional de Criminalística, que é um órgão da própria Polícia Federal e jamais vai comprometer a própria instituição”,  afirma Carreira Alvim no livro.

O desembargador acrescenta: “Fui preso desnecessariamente e submetido a um escárnio igualmente desnecessário da mídia, que me julgou e me condenou por antecipação, antes mesmo de apurados os fatos, sendo libertado nove dias depois de encarcerado, sem que nenhuma nova diligência se mostrasse necessária, mas depois de ter sido um ator involuntário dos shows da Rede Globo e da mídia nacional por semanas inteiras”.

Um homem digno

Mineiro de Teixeiras, o desembargador J. E. Carreira Alvim não é somente um magistrado. Ele doutorou-se em Direito pela Universidade Federalde Minas Gerais, e, antes de ingressar na magistratura federal, no Rio de Janeiro, atuou no então Tribunal Federal de Recursos em Brasília, como procurador da República, no primeiro concurso público havido no País. Desde o início da sua vida forense, atuou como advogado, dedicando-se também ao magistério, lecionando Direito Processual Civil. Além disso, é autor de dezenas de obras jurídicas de grande aceitação pelos operadores do direito, como Teoria Geral do Processo, já na 14ª edição, e uma coleção em dezesseis volumes dos “Comentários ao Código de Processo Civil Brasileiro”.

Carreira Alvim está seguro de sua absolvição: “Eu tenho certeza de que a minha inocência será reconhecida, pois, como dizia o jurista Carlo Furno, ‘A verdade é como a água, ou é límpida ou não é água’, e, na medidaem que o Supremo TribunalFederal, por seus ministros, se debruçar sobre as provas com base nas quais fui preso e denunciado, reconhecerá a trama urdida contra mim e contra o próprio Poder Judiciário a que pertenço; mas ninguém, nem a Corte Suprema do meu país, será capaz de fazer desaparecer da minha alma a lembrança do que passei e, sobretudo, do que a minha família e os meus amigos passaram, por uma obra sórdida e maquiavélica por parte de quem deveria zelar pela segurança dos nossos direitos”.

Dez capítulos explosivos

Operação Hurricane está dividido em dez capítulos: 1) Quem é o desembargador Carreira Alvim, 2) Os reais motivos do furacão; 3) Do furacão à carceragem; 4) Os movimentos do furacão; 5) O deslocamento do furacão; 6) No olho do furacão; 7) De volta à vida; 8) Provas montadas pela Polícia Federal; 9) Os desdobramentos do furacão; e 10) Anexo com peças importantes.

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Lançamento do livro “Operação Hurricane” de J.E. Carreira Alvim

A vingança é um prato que se come frio, por isso o desembargador Carreira Alvim esperou quatro anos para revelar o processo ao qual foi condenado injustamente. Neste livro polêmico o autor não poupa  nomes, desnuda a Justiça brasileira e tece fortes críticas aos meios de comunicação, em especial, à Rede Globo que o condenou antecipadamente. Mais que uma denúncia este livro é um desabafo de um homem que teve sua carreira interrompida pela corrupção brasileira.
Não Perca!

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Entrevista com Carreira Alvim na Veja

Carreira Alvim: “Não tenho mais medo. Fui processado por algo que não fiz”

Preso na Operação Hurricane por venda de sentenças para liberar caça-níqueis, juiz contra-ataca o Supremo e a Polícia Federal em livro. Ele jura inocência

Por André Vargas
Na manhã de 13 de abril de 2007, a Operação Hurricane, da Polícia Federal, botou atrás das grades magistrados, advogados, policiais e empresários. Todos fariam parte de um grande esquema de jogo ilegal e crimes contra a administração pública, incluindo a venda de sentenças judiciais e liminares para manter casas de bingo em funcionamento. Jogados na ilegalidade em 2000, os bingos que mantinham máquinas de caça-níqueis estavam abertos graças a recursos obtidos na Justiça.
A operação foi saudada como um marco no combate à corrupção no Brasil. Pela primeira vez, desembargadores foram detidos e até um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), investigado. Entre os que saíram algemados, estava o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, do Tribunal Regional Federal (TRF), sediado no Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Federal, Carreira Alvim negociava sentenças por intermédio de seu genro e foi flagrado em conversas com o encarregado de levar o dinheiro dos donos de bingo aos magistrados corrompidos. Fato que tenta explicar nesta entrevista exclusiva ao site de VEJA.
Quatro anos depois, enquanto não vai a julgamento, Carreira Alvim segue a vida lecionando Direito, depois de ser aposentado por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com tempo de sobra, resolveu contar a sua versão da história. Na noite desta terça-feira (15), ele lança no Rio o livro Operação Hurricane – Um Juiz no Olho do Furacão (Geração Editorial, 378 páginas, 39,90 reais).
Para Carreira Alvim, tudo não passou de uma armação graúda contra ele e seu colega, o desembargador Ricardo Regueira, morto meses depois da prisão. “Foi a operação da polícia que o matou”, diz. No livro, estão nomeados os responsáveis pelo seu “calvário”. A mágoa é dirigida ao atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, que autorizou a ação. Além dele, estão na mira o ex-procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o delegado federal Ézio Vicente da Silva, hoje aposentado.

Divulgação

Capa do livro "Operação Hurricane" de Carreira AlvimLivro sai nesta terça-feira

Na posição de vítima, o ex-desembargador revela que colegas sabiam de tudo muito tempo antes. Sobre o grampo que encontrou em sua sala, diz que não chamou a polícia por crer que se tratava de obra de colegas, interessados na eleição do TRF. Nas gravações da PF, ele chegou a jurar que não seria pego por corrupção. Procurado pela reportagem, o ministro Cezar Peluso informou, por meio da assessoria de comunicação do STF, que não comenta processos em andamento.

Abaixo, os principais trechos da entrevista concedido por Carreira Alvim ao site de VEJA:

Quem o senhor acha que vai ler o seu livro, além do ministro Cezar Peluso, do ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza e do delegado federal Ézio Vicente da Silva?
Esses três foram os personagens principais do meu calvário. Um armou, o outro tutelou e o terceiro encampou.

Mas atacar o presidente do Supremo, o Ministério Público e a Polícia Federal não complicaria ainda mais sua situação perante a Justiça? Tenho mais de quarenta anos de magistratura, com cinquenta obras publicadas. Dei palestras para quase todos os ministros do Supremo. Ele [Peluso] não pensou duas vezes antes de mandar me botar atrás das grades. Acho que não preciso ser condescendente na hora de contar o que aconteceu. Eles querem que eu prove algo que não fiz. Eles é que vão ter que correr para provar que tudo que eu digo é mentira. O Peluso mandou me grampear e foi para Buenos Aires participar de um evento organizado por mim. E pior. O tema era corrupção. Se o ministro tivesse lido os autos antes, não teria feito o que fez.
No livro, o senhor alega ser vítima de uma armação para evitar sua eleição à presidência do Tribunal Regional Federal, no Rio. Não seria demais? Havia interesse em que eu não fosse eleito presidente do Tribunal. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal estavam mancomunados. Se não fosse assim, como um dos desembargadores do Rio poderia ter dito para minha mulher que eu seria preso? Mas é só uma suposição. Aprontaram tantas contra mim que também tenho o direito de falar.
Por que a sua eleição desagradaria tanto assim aos seus adversários? Sempre dei muita causa liminar contra o poder público. O Tribunal está cheio de desembargadores que só decidem a favor do governo. São estatais. Sou professor de processo civil, sei lidar com essas regras e desagradei.
Como surgiu o seu nome no caso? Eu estava na vice-presidência do Tribunal e a Polícia Federal tinha apreendido máquinas caça-níquel, alegando o uso de componentes importados. Era minha competência decidir a esse respeito. Dei uma liminar liberando-as, mas deixando uma máquina de cada para a perícia procurar os componentes importados. Já os bingos estavam funcionando por meio de liminares expedidas por outros integrantes do TRF. Só que o procurador-geral da República disse que no Rio havia uma quadrilha para viabilizar os bingos. Mentira. Eu e o [desembargador Ricardo] Regueira não demos liminar para funcionar bingo algum. Nas duas vezes em que eu e ele participamos de votações, fomos contrários.
Mas uma decisão sua, a favor de um dos donos de bingo, foi considerada sem amparo legal. Teve uma que foi com base em jurisprudência do STJ. Quem inventou esse instrumento de cautelar em recurso a ser interposto foram o Supremo e o STJ. Eu nem sabia quem eram os donos de bingo. E nem sabia que bicheiro era dono de bingo.
O senhor sabia que estava sendo grampeado? Desconfiei de uns barulhos no telefone e descobri. Não chamei a polícia por achar que era coisa do Tribunal.

Ed Ferreira/AE

O ex-desembargador Carreira Alvim, preso em 2007 durante a Operação Hurricane (Furacão) da Polícia FederalCarreira Alvim preso pela PF em 2007

Em 2007, escutas captaram seu genro Silvério Nery Júnior negociando uma liminar. Sua frase é: “A minha parte em dinheiro”. O Silvério era diretor do IPEJ [Instituto de Pesquisas e Estudos Jurídicos] e eu organizava um encontro em Buenos Aires. Liguei para um ministro do Supremo informando que uma universidade particular patrocinaria parte das passagens. O dono da agência de viagens me ligou dizendo que o dinheiro estava acabando. Disse ao meu genro que teríamos de cancelar o ministro Peçanha Martins, já que o [também ministro] Gilson Dipp iria palestrar. Meu genro ficou de conseguir mais um patrocínio para resolver tudo. Eu não poderia pedir, pois era desembargador. Como o meu genro estava recebendo as inscrições em dinheiro, falei para ele pagar as passagens. Eles editaram as gravações. E as minhas conversas com os ministros? Se aparecerem, tudo seria esclarecido.
E o tal um milhão de reais? Havia alguém, não se sabe quem, que a Polícia Federal tentou relacionar comigo. Eram pessoas em uma sala. Nesta conversa, alguém citou o meu nome, mas, como havia conversa de fundo, não se sabe nem se era mesmo alguém do tal grupo. São ouvidas as palavras “Carreira Alvim” e “um milhão de reais”. O que advogado mais faz é vender juiz. Não posso impedir ninguém de mencionar meu nome.
O senhor almoçou com um advogado dos bingueiros. Há gravações e imagens. Qual é a explicação? Eu tentava criar um curso à distância no IPEJ. Como precisaria de recursos, meu genro ficou de conseguir parceiros. Ele conversou com um ex-procurador de justiça de Minas Gerais, o Castelar Guimarães. Foi marcado um almoço no restaurante Fratelli. Lembro que em algum momento o gerente pediu para que trocássemos de mesa. Suponho que fomos para onde estava o grampo. Nisso, aparecem duas pessoas. Eram conhecidos do ex-procurador. Almoçamos. Só depois soube que Jaime Dias e Zé Renato eram ligados aos bingos. O Jaime eu conhecia de vista. Amigos de vôlei de praia pensavam que ele era advogado. Soube depois que ele ficava tomando dinheiro dos donos de bingo, dizendo que influenciava nas decisões. Mas como naquelas conversas não havia nada que a polícia quisesse, me fotografaram na saída, fazendo supor que se tratava de assunto de bingo.
E o beijo? O MPF afirmou que um dos convidados do almoço era tão íntimo meu que até me deu um beijo no rosto. Beijo no rosto não é sinal de intimidade. Na Rússia, eles trocam beijos na boca. E o ex-procurador de Minas Gerais, o Castelar Guimarães, aparece com um homem não identificado. A Federal não foi capaz de ir lá checar quem pagou a conta.
E seus colegas desembargadores? Eles toparam falar para o livro? Eu dou o nome de todos. Juízes colegas meus não tiveram coragem de ir a público dizer que eles também tinham dado decisões parecidas com as minhas. Teve até um que, quando saíram as prisões, voltou ao tribunal e reformou a própria decisão. Só não divulgo seu nome para não matá-lo do coração. É digno de pena.
Quais seriam os erros processuais que invalidariam a ação judicial contra o senhor? A denúncia não tem pé nem cabeça. O tempo deveria andar para trás para os fatos ocorrem do jeito que eles querem. A denúncia cita que no encontro no restaurante eu negociei preços. O almoço aconteceu sete meses depois de as minhas decisões terem sido cassadas. Dono de bingo pode ser tudo, menos burro. Quem pagaria propina por uma decisão que já tinha sido dada e cassada por uma das turmas do TRF?
Se o Judiciário é assim, por que o senhor não abandonou a carreira antes? Queria contribuir. Consegui fazer justiça no tribunal e não me arrependo. O problema é a inveja. E não é só contra mim. Como os tribunais possuem uma quantidade de vagas muito limitada, a coisa que juiz mais gosta é ver o outro cair.
Qual a opinião do senhor sobre o uso de escutas telefônicas como principal ferramenta para obtenção de provas em uma investigação? Antes, eu era favorável. Depois que vi como isso pode ser deturpado, acho uma irresponsabilidade. Quando a fita foi divulgada, falaram que o sistema falhou. Bastaria mostrar a gravação original.
O senhor chegou a ser alvo de alguma tentativa de suborno? Nunca. Julguei o Caso Projac, da Rede Globo. Soube que o advogado da outra parte receberia vinte milhões de dólares se eu tivesse decidido contra a Globo. Eles até alegaram favorecimento. Se eu fosse corrupto, não iria me corromper quando havia muito mais dinheiro envolvido?
Em casos de corrupção envolvendo magistrados, a aposentadoria compulsória, como a concedida ao senhor, é um ato correto? Fui aposentado pelo Conselho Nacional de Justiça. Aposentadoria de magistrado não é prêmio, nem algo injusto que afete o Tesouro. Contribui durante quarenta anos. Não foi uma graça concedida pelo estado, mas um benefício retributivo. Desconto um valor para a Previdência Social todos os meses. Injusto seria perder esse direito.
O senhor já jogou a dinheiro? Já fui a eventos na Europa e em Punta Del Este, onde vi magistrados jogando nas maquininhas. Não vejo problema, desde que esteja legalizado. Até faço uma fé na raspadinha. Enquanto me investigavam, fui a um bingo perto de casa jantar com um amigo e gastei uns quarenta ou cinquenta reais em jogo. Usaram isso para dizer que eu era frequentador.
Como anda o processo contra o senhor? Não anda. Receberam a denúncia e tudo está parado. Quando o Regueira morreu, em 2007, extinguiram o seu processo. Foi como se ele tivesse morrido culpado. No meu caso, não houve julgamento.
O senhor não teme ser processado por causa do livro? Depois de tudo que aconteceu comigo, não tenho mais medo. Se fui processado por algo que não fiz, agora pelo menos serei processado por uma verdade.
Fonte: Veja.com

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Morre autor do livro “A lista de Schindler – a verdadeira história”

É com pesar que a Geração Editorial anuncia o falecimento do autor de   “A lista de Schindler – a verdadeira história”,  Mieczyslaw (Mietek) Pemper. Ele morreu, na terça-feira, aos 91 anos, mas a prefeitura da cidade alemã de Augsburgo, onde vivia, anunciou apenas nesta quinta-feira.

Após anos no anonimato, a história da lista que poupou a vida de 1.200 judeus ganhou as telas do cinema com Steven Spielberg e a Geração Editorial em 2010 trouxe com exclusividade para o Brasil, a versão contada pelo homem que redigiu a verdadeira lista das empresas de Oskar Schindler.

Saiba mais sobre o livro:

                                   A verdadeira história da Lista de Schindler

Livro traz os detalhes mais cruéis de quem sentiu na pele as atrocidades do nazismo

Sobrevivente do Holocausto e testemunha de como a Lista foi elaborada revela como viveu no inferno, serviu ao diabo e sobreviveu

Em seu célebre discurso aos trabalhadores judeus de suas empresas, após a libertação, em maio de 1945, Oskar Schindler – autor da famosa Lista que leva seu nome e deu origem ao filme de Steven Spielberg – declarou: “Não me agradeçam por terem sobrevivido. Agradeçam a seus compatriotas que se esforçaram dia e noite para livrá-los do extermínio. Agradeçam a seus intrépidos e destemidos companheiros Stern e Pemper, que, durante as tarefas que desempenharam a favor de vocês, contemplaram a morte diante de seus olhos a cada momento.”

Pemper é Mietek Pemper, o herói judeu que trabalhava, forçado, para o carrasco e assassino nazista Amon Göth. Arriscando a própria vida, ele seria o único, segundo o próprio Schindler, capaz de contar a emocionante história da Lista “de forma autêntica”. Pois ele, finalmente, contou, num livro que a Geração Editorial está lançando neste final de mês: “A Lista de Schindler – a verdadeira história” (280 páginas, R$ 34,90).

O livro traz as memórias de um sobrevivente que passou por todas as atrocidades possíveis do Holocausto, entre os anos de 1939 a 1945, e ainda conviveu por mais de 500 dias no “Epicentro do Mal”, servindo diariamente um dos mais sanguinários nazistas, o commandeur Amon Göth, chefe do Campo de Concentração de Krakau-Plaszów, onde mais de oito mil judeus foram assassinados.

No final da guerra, o judeu polonês Mietek Kemper, este sobrevivente, testemunhou contra os comandantes nazistas no Tribunal Internacional Militar de Nuremberg. Anos depois, em 1990, já bem velhinho, ele colaborou na produção do filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Faltava escrever seu próprio livro, que ele lançou em 2010, prestes a completar 90 anos de idade.

É com emoção extraordinária que Pemper relembra sua vida no campo de concentração, onde serviu o tal carrasco, e sua amizade com o empresário alemão Oskar Schindler, o homem que conseguiu resgatar, numa operação sem precedentes, mais de mil judeus condenados a morrer nos campos de concentração nazistas.

A obra tem uma narrativa fantástica, com depoimentos retirados da sua excelente memória e de anos de pesquisa nas mais diversas fontes. O autor conseguiu mais uma façanha para sua vida: imortalizar um fato histórico pela visão de quem viveu o terror do nazismo e que precisa ser lembrado constantemente para que o mundo não volte a cometer as mesmas barbáries do passado.

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As confissões libidinosas do Imperador Demonão no Programa do Jô

Fonte: Programa do Jô

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