Arquivo do mês: julho 2011

Um segredo para revelar

Um segredo para revelar

Vitima de abuso sexual na infância, autora de livro mostra como abordar o assunto com crianças e evitar o pior

 A baiana Odivia Barros queria um livro que ajudasse a falar sobre abuso sexual com sua filha de 5 anos e prevenis um problema que ela mesma viveu. Como não encontrou, escreveu Segredo segredissimo, pela editora Geração. Com linguagem infantil e ilustrações, traz uma história que ensina a criança a se proteger e contar o “segredo”. Malu bateu um papo exclusivo com a autora.

Abuso em discussão: “estamos falando muito mais sobre o assunto, ficamos mais conscientes, toda a sociedade está engajada e tudo isso contribui para que as pessoas tenham mais coragem para denunciar. As políticas públicas estão melhorando, mas temos muito a fazer. Não falar sobre o assunto só favorece os abusadores”.

Sensualidade fora de hora: “crianças fazendo poses e coreografias que vêem na tevê, roupas e até sutiã com enchimento para meninas de 5 anos… Vemos muitas coisas que não deveriam fazer parte do mundo infantil. Onde queremos chegar com isso? A infância é um período mágico. Por que estamos tentando reduzi-la?”.

  A cada 15 segundos, uma criança é abusada no Brasil.

Tocar no assunto: “é importante colher o conhecimento que as crianças já têm e não sair dando muitas informações para não assustá-las. O livro conscientiza a criança que adultos podem ter comportamento inapropriado, mesmo que sejam da família, e que elas devem contar o ocorrido para que a sua história também tenha um final feliz”.

Prevenção: “o abusador não é alguém que não gosta de criança, ao contrario. Muitas vezes, ele foi abusado na infância e repete esse comportamento. Não é ser muito diferente, que reconheceríamos no primeiro olhar. Ele tem família, trabalho, enfim, está mais perto do que podemos imaginar. É importante ficar atenta com as situações em que as crianças são colocadas. Padrastos e pais aparecem em primeiro lugar na lista de abusadores. Depois vêm avôs, tios, primos, babás e mães, o que é raro”.

 

Papel da escola: “estudos mostram que a escola é o ligar ideal para tratar desse assunto gravíssimo, que rouba a infância da criança. Os professores precisam ser capacitados para trabalhar adequadamente essa temática com os alunos. 90% dos casos de abuso sexual infantil ocorrem envolvendo familiares. O professor é o adulto que a criança confia e que não faz parte da família. Muitas vezes, ele é o primeiro a saber”.

 Mensagem do livro: “a criança deve sempre falar a verdade e contar o que está acontecendo, pois a revelação do segredo é a chave para sair de uma situação de abuso. Se o segredo não é revelado, ela vira uma refém, seja de ameaças físicas ou psicológicas do agressor, ou mesmo do medo em relatar o ocorrido. A história de Segredo segredissimo passa a mensagem de que acriança não será castigada se revelar o segredo. Ela será acolhida e protegida”.

Orientações para evitar ou sair da situação de abuso

  •  Reconhecer a aproximação inapropriada do adulto;
  •  Resistir a induções, ou seja, dizer “não”;
  •  Reagir rapidamente para deixar a situação;
  •  Contar para alguém sobre o ocorrido.

Matéria publicada na Revisa Malu – 28/07/2011.

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O Vale de Solombra

  
O Vale de Solombra

Autor:
Eustáquio Gomes
Novela

Formato:
13,5X20,5 cm – 168págs.
ISBN:
978-85-61501-66-2
Código de barras: 
978-85-61501-66-2
   R$ 19,90

Sinopse:

Um livreiro que acredita apenas no que vê e um velho tradutor que acredita nos sonhos são os personagens que transitam com seus conflitos por este Vale de Solombra cheio de encantos, magia e descobertas. Busca e fuga, passado e presente,memória e mistério, metafísica e cotidiano, o Brasil e o mundo. A combinação desses elementos é capaz de envolver e permitir que o leitor faça parte desse labirinto de ideias e impressões.
Eustáquio Gomes, o mestre de A Febre Amorosa, volta a nos divertir e inquietar com humor e texto ainda mais refinados. Um romance para ser degustado feito uma bebida preciosa.

RELEASE

“O Vale de Solombra” traz o texto e o humor cada vez mais refinados de Eustáquio Gomes

 No novo romance do escritor mineiro radicado em Campinas, reverberam autores clássicos como Borges, Cecília Meireles, Machado de Assis, Drummond, Guimarães Rosa, Juan Rulfo e Lewis Carroll

 Eustáquio Gomes, o mestre de A Febre Amorosa, está de volta. Em O Vale de Solombra, seu novo livro lançado pela Geração Editorial, o escritor mineiro radicado em Campinas traz o que parecia impossível: texto e humor ainda mais refinados. Trata-se da história de Luís Quintana, um livreiro meio São Tomé – só acredita no que vê – que teve a vida virada do avesso, e seu amigo Benjamin, tradutor que acredita nos sonhos. “Eustáquio Gomes reafirma-se como exímio artesão e tece uma teia que nos sacode e segura”, diz o escritor Hugo Almeida na apresentação do romance.

Os capítulos iniciais parecem minicontos, mas aos poucos se percebe o elo que une personagens, trama, tempo e espaço. Em linguagem poética, em alguns momentos em tom de fábula, mistério, encanto e perplexidade atravessam as páginas de O Vale de Solombra. Como nas boas histórias, nesse romance há um pouco de tudo – livros e cartas, viagens e labirintos, busca e fuga, passado e presente, memória e mistério, metafísica e cotidiano, o Brasil e o mundo. Nele reverberam, em sutil homenagem, autores como Jorge Luis Borges, Cecília Meireles, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, Juan Rulfo e Lewis Carroll. Além de contar com a “participação” de Richard Wilhelm, o tradutor do I Ching, e seu amigo Carl Jung, que interpretava sonhos como ninguém.

De Borges, podemos ver, por exemplo, os labirintos, a multiplicidade de desenlace, a rede de tempos divergentes, convergentes e paralelos do conto “O jardim de veredas que se bifurcam” – e ainda temos um personagem chamado Funes, nome que dá título a um célebre conto do escritor argentino. É possível que Eustáquio Gomes tenha se inspirado também no último livro de Cecília Meireles, Solombra, palavra do português arcaico que depois virou sombra. Nesses poemas de Cecília o tempo se amplia por todos os tempos, “todo horizonte é um vasto sopro de incerteza”, como em O Vale de Solombra.

O que parece nortear a história está expresso na primeira epígrafe do livro, estes versos de A Divina Comédia, de Dante Alighieri: “Da nossa vida, em meio da jornada/ Achei-me numa selva tenebrosa, / Tendo perdido a verdadeira estrada”. A sombra de Minas que Drummond viu desaparecer, como Eustáquio Gomes registra em uma das três epígrafes (“Minas não há mais”), e permanece na obra de Guimarães Rosa (“Esses gerais são sem tamanho”, outra epígrafe) está presente no romance.

Do velho e sempre novo Machado, Eustáquio Gomes herdou a arte de enredar o leitor com uma prosa econômica e sublime, o humor inteligente, aquele tom machadiano inconfundível. Em vários momentos de O Vale de Solombra sente-se algo da atmosfera mágica e onírica de Pedro Páramo. Gatos de Alice no País das Maravilhas se esgueiram por esses labirintos. “O resultado de tudo isso é o este pequeno e belo clássico moderno que temos nas mãos”, acrescenta Hugo Almeida na orelha do livro. “Uma joia lapidada por um habilidoso ourives, um romance para ser degustado feito bebida preciosa.”

O Vale de Solombra, premiado no Concurso de Apoio a Projetos de Publicação de Livros, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, é a 13ª obra de Eustáquio Gomes (1952), mineiro de Campo Alegre, jornalista e mestre em Letras pela Unicamp. De sua obra destacam-se os romances Jonas Blau, O Mapa da Austrália e A Febre Amorosa, este traduzido para o russo. O escritor está radicado em Campinas (SP) há mais de trinta anos. Em 2009, aposentou-se como assessor de imprensa da Unicamp e passou a se dedicar em tempo integral à literatura. Eustáquio Gomes integra a geração de outros grandes escritores brasileiros nascidos em 1952, como Milton Hatoum, autor de Dois Irmãos, Ronaldo Costa Fernandes, de Um Homem é muito pouco, e Cristóvão Tezza, de O Filho Eterno. Também do mesmo ano são o turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de 2006, e o norueguês Jostein Gaarder, autor de O Mundo de Sofia.

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RESULTADO PROMOÇÃO PRORROGADA – O PILOTO DE HITLER – LANÇAMENTO

PROMOÇÃO – O PILOTO DE HITLER – LANÇAMENTO

O que você faria se fosse o piloto de Hitler?

RESULTADO:

A frase vencedora pertence a Sérgio Bernardo

R: Se eu fosse o piloto de Hitler, eu o levaria num voo acima dos pássaros, para que aprendesse com eles o sentido da liberdade; além das nuvens, para que elas lhe ensinassem sobre a impermanência; e então voaria até acabar o combustível do avião, para que o Führer entendesse, na queda, o que significa a palavra limite.

O comentário com o melhor destino para o ditador sanguinário vai ganhar a biografia de Hans Baur, o homem que pilotou para Adolf Hitler durante anos. Deixe a sua imaginação ir longe e escreva em nosso blog www.bloggeracaoeditorial.com

O Piloto de Hitler foi escrito pelo americano C.G. Sweeting. Esse é um livro que faltava sobre as duas guerras mundiais e o inferno do nazismo. O autor resgata nas páginas o testemunho privilegiado de um homem fiel ao ditador alemão mesmo depois de dez anos de sofrimento em masmorras e campos de prisioneiros da União Soviética. Hans Baur era a sombra de Hitler no ar. Amava o Führer e os aviões. Tudo sobre os horrores da guerra está aqui. Uma leitura eletrizante.

Após diversos pedidos a promoção foi prorrogada:

Participe até o dia 19/07 em nosso blog.  O resultado será publicado até as 17h no blog. O livro vai ser entregue em sua casa.

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O Piloto de Hitler em Istoé

A Istoé desta semana traz matéria sobre o lançamento O Piloto de Hitler. Acompanhe texto na íntegra:

Memórias do piloto de Hitler

Ele não tinha medo do ditador, fazia críticas aos seus hábitos cotidianos e assistiu de perto à sua derrocada

Juliana Dal Piva

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AMBIÇÕES E TEMORES
O piloto Hans Baur e Hitler: segundo o aviador, o seu chefe
tinha pânico de ter o seu cadáver exibido no zoo de Moscou

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Celebridades, poderosos e governantes estão sempre rodeados de serviçais que, obviamente, guardam curiosos segredos sobre os seus chefes. Não foi diferente com o ditador alemão Adolf Hitler, que tinha entre o seu staff um profissional fiel, o piloto de aviões Hans Baur. Eram tão íntimos que o aviador se sentia na liberdade de criticar a dieta vegetariana do führer: “Não faço parte do grupo de hipócritas que se passam por vegetarianos na sua presença… Eu lhe digo na cara que um pedaço de porco assado com bolinhos de batata é dez vezes melhor do que todos os legumes que o senhor come”, disse, sem medo, ao ditador nazista. Essa curiosidade está contada no livro “O Piloto de Hitler” (Geração Editorial), do americano C.G. Sweeting. Baur exerceu esse cargo desde a campanha eleitoral do alemão em 1932 até o seu suicídio em 1945. Não se metia apenas na alimentação do führer: era todo ouvidos para as suas ambições. E também temores – o maior deles era ser morto e exibido pelos russos no zoológico de Moscou.

As trajetórias de Hitler e Baur se cruzaram em um voo comercial da empresa alemã de aviação Lufthansa. Com experiência de ex-combatente na Primeira Guerra Mundial, ele era reconhecido e premiado. Nessa época, o futuro ditador nazista começava a colocar em prática o seu desejo de tomar o poder ao concorrer à Presidência e, de acordo com o autor, teria ficado impressionado com a habilidade de Baur. A favor do piloto contavam a agilidade e a perícia em voos secretos e o talento para aterrissagens acachapantes frente a multidões, algo na medida para o teatro de poder do nazismo. Além disso, Baur era filiado ao Partido Nacional Socialista desde 1926.

Nos 13 anos em que serviu ao führer, o aviador conquistou a sua confiança – o ditador nazista chegou a ser padrinho do segundo casamento de Baur, que viveu 95 anos (morreu em 1993). O homem que se atrevia a chamar Hitler de “chef” e, algumas vezes, de “unser Vati” (nosso pai) foi, também, testemunha ocular de sua ruína. Nesse período da derrocada, era por meio de notícias da rádio londrina BBC que Hitler tomava conhecimento do avanço dos aliados e cabia a Baur editar as transmissões. Mais do que isso, o que surpreende no livro é que, mesmo submetido a dez anos de tortura como prisioneiro russo, Baur continuou defendendo o regime nazista. Teve a cara de pau de jurar que desconhecia o genocídio dos judeus, embora estivesse tão perto do responsável pelo extermínio de tantas vidas.  

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Fonte: http://www.istoe.com.br/reportagens/145381_MEMORIAS+DO+PILOTO+DE+HITLER

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Obesus Insanus

  Título: Obesus Insanus
Autor: Rogério Romano Bonato
Formato: 15,5×22,5
Páginas: 160
Categoria: Ensaios
ISBN: 978-85-61501-64-8
Código de barras: 978-85-61501-64-8
Preço: R$29,90

Sinopse: “Sete” pecados e entre eles, o mais tormentoso de todos: a “Gula”; uma discussão entre “Sete” demônios, “Sete” anjos, e por fim as “Sete” tentativas de dominá-la. Um livro e seus “Sete” capítulos, investigando o passado, nossas chances no futuro e como compreender a existência, já que “vida”, em teoria, é apenas uma.

RELEASE:
Os perigos da obesidade com humor, informação, erudição e lucidez, num livro estranho o e sedutor.

“Obesus Insanus”, de Rogério Romano Bonato, é, mais que estranho, surpreendente. De forma inédita e criativa, traz a abordagem da obesidade epidêmica no planeta de um modo que destoa dos habituais no mercado editorial – não se trata de um livro de auto-ajuda, embora relate os esforços de um obeso por perder peso e mudar seus hábitos nocivos; não é tampouco mais um guia de como perder peso, dos que lotam as prateleiras de livrarias e oferecem uma eficácia tão promissora quanto duvidosa. Sua leitura, contudo, pode oferecer ajuda a muita gente atormentada pela questão do peso acima do desejável e pode orientar para uma virada nos hábitos no sentido de estabelecer uma vida mais saudável e menos perigosamente exposta aos inúmeros apelos e riscos com os quais a vida contemporânea tenta os gulosos.
Em 159 páginas, ilustradas por desenhos de Leonardo da Vinci (o que vem a propósito, já que Bonato faz uma especulação, baseada na história da alimentação, do que teriam sido os pratos oferecidos na “Santa Ceia” pintada pelo mestre), com prefácio e comentário de dois amigos de Donato (o médico  Lyrio César Bertoli e o biólogo Sérgio Greif) e uma nota biográfica que mostra os múltiplos caminhos profissionais e estéticos da vida de Bonato, o livro é uma ótima mistura de erudição e humor.
A erudição de Bonato, no entanto, não intimida – é o cabedal de informações de um homem culto que sabe transmitir suas ideias sem adotar fórmulas pedantes e presunçosas e que sabe adequar sua cultura à mensagem que deseja veicular sem jamais rebaixar a inteligência dos leitores, colocando-se num plano de igualdade. O humor o auxilia a transmitir uma mensagem que é fundamentalmente séria e vai da boa quantidade de exemplos extraídos do cinema, da televisão, da literatura, citando atores, escritores, até relatos de uma vida pessoal de obeso em que uma das primeiras grandes descobertas feitas foi a utilidade dos suspensórios para manter as calças no lugar, por exemplo.
O livro evita dramatizar a condição do obeso de forma alarmante; antes, dá-lhe um tratamento humano, compreensivo e compassivo, e já no início seduz ao apresentar Belzebu como o demônio da Gula, numa crônica em que o autor se imagina no Inferno visitando o demônio, encarnado por ninguém menos que o cineasta e ator Orson Welles. Ao som do “Cheek to cheek”, de Fred Astaire, num cenário com pinturas de Matisse e requintes gastronômicos à mesa, o autor trava uma divertida conversa com Belzebu, e assim o leitor fica informado de uma série de curiosidades sobre a história desse pecado capital, a Gula, que é o grande inferno de todos os obesos.
Tendo adotado este tom sedutor, Bonato não o deixará mais em sua exposição. Saberá, a partir daí, colhendo exemplos da mídia, da história, da literatura, citando o mito do “gordinho simpático”, contando sua história pessoal, estabelecer um diálogo proveitoso com o leitor, fazendo com que este – especialmente se padecer do mal da obesidade – compreenda os mecanismos de ansiedade e hábitos culturalmente arraigados que levam ao círculo vicioso da compensação via “boca grande”.  Nessa exposição, não faltarão os dados sobre a epidemia de obesidade que o planeta vem conhecendo a partir da vida desregrada e o hábito do “fast food”, os desequilíbrios ecológicos, as informações de cientistas, médicos, biólogos e estudiosos de comportamento, incluindo uma curiosa especulação em tom de ficção-científica sobre a eterna questão das utopias estabelecidas pelos anseios humanos, que tendem a desequilibrar ainda mais a ordem natural.
Bonato foi obeso por muito tempo, mas os inúmeros alarmes dados por seu organismo, pela irracionalidade de seu estilo de vida hiperativo, pela sua ansiedade, seus exageros no trabalho e na correria do dia-a-dia, acabaram por despertá-lo da letargia autocomplacente do gordo, traduzidos num problema bem concreto na vesícula, que o levou a uma cirurgia e a uma implantação de decidida mudança de hábitos em sua vida. Mas, não permaneceu obeso, o que é a marca de sua trajetória.
Seu livro, aliás, acaba constituindo um exemplo e uma “lição de vida” sem azedume ou pretensões teóricas exageradas. A medida do volume é sua mistura sóbria de humor, elegância expositiva, cultura geral e bom senso. O título deriva das preocupações finais de Bonato, que soube universalizar o seu caso pessoal de obesidade, apontando o mal como uma doença social grave em que se implicam muitos dos problemas contemporâneos e indicam o descaso geral do Homem com a vida no planeta, que está levando todos a riscos nada pequenos de uma catástrofe em escala nunca vista. A continuar a loucura generalizada, o “homo sapiens” poderá dar lugar ao “obesus insanus”.
Humor sim, leveza sim, mas o livro nunca perde de vista a lucidez e o alarme.

ENTREVISTA COM O AUTOR:

Sua vida pessoal é interessante, cobre múltiplos dons e atividades, e mostra uma espécie de grande apetite por agir e grande alegria de viver – alegria devoradora, que na verdade parece ter a ver com o próprio processo de voracidade que caracteriza o obeso. Pode falar sobre qual terá sido a sua motivação básica ao escrever esse livro de título tão sugestivo?

Vivo colecionando idéias para livros, tropeço nelas, no entanto, jamais pensei em descrever uma situação que envolvesse a saúde, ou a minha saúde. Também nunca gostei de biologia, ciências, física e menos ainda das situações que envolvam o corpo humano, ambulatórios, hospitais, cirurgias e coisas assim. Mas um dia vi uma pessoa sofrendo por causa da obesidade; um homem enorme, todo cheio de problemas e meio que sem saída. Ele disse: “se não me tentassem tanto com as coisas que há nos supermercados, nas promoções; nas propagandas de televisão e revistas; nos cardápios dos restaurantes, eu não estaria vivendo este inferno”. Naquela frase construí a idéia do livro, na visão de muitos obesos, como se a culpa fosse sempre dos outros; do mundo moderno, das oportunidades e, nunca deles; é o conceito de alguns obesos, um conceito que permeia a insanidade, que despreza a força de vontade e em certos aspectos, até a Lei da Gravidade. A obesidade é uma doença que preocupa e da forma com a qual avança nos faz crer que obesos não se encaixarão neste mundo. E há muitas outras situações, algumas que nem tive tempo ou paciência para abordar. Um exemplo disso: explorei o bullying nos magros e nunca o nos gordos, mas creio que o assunto é tão vasto que alguém sempre o estará trabalhando, muito além daquilo que abordei.

 Com tantas atividades em sua vida, de jornalista a artista plástico, e com seu próprio reconhecimento de ser um exagerado, um hiperativo, como ter a calma suficiente para adotar um regime de perda de peso, em que o maior dilema parece ser o de encontrar uma virtude em tudo oposta ao pecado da gula – a paciência?

A vida é um ato de paciência. O médico perguntou: quer viver ou morrer? Fiquei tão impressionado com o “paredão” que nem coloquei isso no livro. Encarei o emagrecimento buscando saídas para não sacrificar aquilo que eu mais gosto na vida, a liberdade, um chopinho na tardinha, visitar restaurantes, viajar e, nas minhas viagens, sempre há gastronomia de primeira, afinal, trabalho para isso, para viver a minha proposta de lazer, tão preciosa; as minhas formas de fazer valer a vida. Não projetei um regime, elaborei uma mudança complicada de hábitos, com acompanhamento, com gente metendo o nariz e aprendi a aceitar, pois tudo visava o prolongamento da minha existência nesse mundão que é tão bom, cheio de azul, de coisas que eu ainda não vi. Meu emagrecimento é para o resto da vida, aos poucos, devagar, sem pressa, mas sempre buscando o objetivo da qualidade de vida. Sem paciência não é possível fazer as coisas assim. Tratar a impulsividade, a inquietude, o emocional é o primeiro e decisivo passo. Indo por aí, nos encontramos com a paciência.

O cinema aparece constantemente no livro, seja em referência a filmes, seja em referência a atores, situações e tramas (como a boa lembrança do livro “A festa de Babette”, que se tornou o filme premiado de Gabriel Axel). No entanto, não escolheu um gordo que poderia ser um exemplo óbvio – Alfred Hitchcock – para a sua conversa com Belzebu no Inferno, mas Orson Welles. O que motivou esta escolha?

Adoro o trabalho de Hitchcock. Recentemente me pediram uma lista dos doze filmes que mais gosto. Apenas um era de Orson Welles, e quatro são assinados por Hitchcock. É que Orson Welles tem aquele jeitão classudo de demônio mesmo, com o porte de quem nos esperaria na porta do inferno, com cavanhaque, fumando um charuto raro. Orson era uma pessoa de hábitos refinados e muito falador, eloqüente; Alfred Hitchcock tinha uma postura mais silenciosa. Podem notar que todos os demônios no teatro e cinema, em especial nas belas comédias dos anos 50 e 60, são parecidos com Welles. Pode ser que isso tudo tenha me influenciado. Fora isso, Welles proporciona um gancho muito eficiente a obesidade, sobre vida desregrada, com abusos e demais temas que eu abordo. Gosto de amarrar uma coisa à outra.

Entre as muitas citações de nomes das artes, das ciências, quais os nomes de autores que lhe foram mais úteis para a criação do livro? Poderia citá-los e indicar leituras aos leitores em geral?

Escrevi sobre questões que considero sociológicas em decorrência do conhecimento que fui adquirindo e acumulando ao passar dos anos. Comentar a essência desses conhecimentos faz parte do meu ato de escrever. Escrevo para aprender a pensar. Quando criança li também muita ficção e de grandes autores; neste caso a lista é grande, começa por Julio Verne e vai até Carl Sagan, eles explicam os paradigmas do universo e naquilo que esbarramos sem saber; li também muitos clássicos que são extremamente necessários para a formação de qualquer cidadão. Leitura de qualidade sempre é boa, e, não gosto muito de induzir. O que vale é estimular a leitura.

A atitude pessoal do gordo, de grande voracidade e de indiscriminada escolha de satisfação oral, acaba sendo relacionada a uma tragédia mais geral, que é a da destruição da vida e do equilíbrio ecológico no planeta, devido ao consumo exagerado, à superpopulação e aos hábitos alimentares errados. Como o obeso, confinado a seu problema pessoal, poderá tomar consciência disso? Por que é tão difícil para ele tomar a simples decisão de perder peso e se abster seriamente do que lhe faz mal?

Veja, meu recado não serve apenas para os obesos. Estamos destruindo o planeta para satisfazer o nosso modo de vida. Matávamos animais para comer a carne e usar a pele; derrubamos matas com a intenção de arranjar espaço para agricultura e pecuária; não faz muito tempo o governo incentivava a derrubada de florestas; tudo se fazia em nome do desenvolvimento; penso que a tomada de posição será quase que coletiva, do contrário o mundo em que vivemos deixará de existir. Nossa geração é a que está no limiar dessa decisão. Os apelos para diminuir a devastação, que sustenta a luxuria, a gula e outros pecados, serão muito mais eficazes do que os que combateram o fumo, o álcool, endemias e doenças contagiosas. Basta olhar as revistas semanais, os programas de televisão, tudo fala em dieta, emagrecimento, qualidade de vida. Acredito nessa virada, pela conscientização, num processo iniciado no individual e que pela necessidade, se tornará rapidamente coletivo.

A um leitor que adquira seu livro, e que poderá ou deverá ser outro homem atormentado pelo dilema da obesidade, por onde diria que ele deveria começar para encontrar motivação para a leitura e para a modificação de seus hábitos? Em que considera que seu livro possa ser mais útil e transformador?

Eu tenho o hábito de ler todos os livros pelo começo (rs); a proposta de “Obesus Insanus” é a de uma realidade biológica, ela é tão ajustada como a matemática (e se não for mais) em matéria de exatidão. O livro deixa claro que não devemos “inventar” e sim aproveitar aquilo que a ciência nos oferta. O bom é que cada pessoa tem o poder de descobrir novas fronteiras para alcançar os objetivos. O interessante em tudo é que não somo iguais; não há absolutamente um indivíduo, na população mundial, que seja 100% igual ao outro e é aí que começa o desafio. O homem foi o elemento transformador de um sistema, do planeta, do meio em que vive. Ele deve alcançar a maturidade – tomara haja tempo – precisa interagir e assimilar a necessidade de mudança seja ele gordo, magro, novo ou velho. Não quero dizer que gordos são os errados, longe disso, os magros consomem os mesmo produtos, também esbanjam, ajudam a aumentar essa tragédia consumista, em muitos casos até venenosa. A moda é aconselhar a população a optar pelos produtos saudáveis e os alimentos que não são saudáveis e que ainda são produzidos? Precisamos também olhar para isso. Em minha análise, haverá um ajuste e ele afetará a cadeia produtiva. Enfim, é um tema vasto, de princípios e de mudanças. Espero que o humano saiba lidar com a situação.

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Um livro contra a guerra da balança

Um livro para mulheres inteligentes e sem barreiras

A palestrante motivacional Bruna Gascon ataca um problema de frente: as mulheres precisam mesmo ser tão magras quanto imaginam? Com bom humor e muito conhecimento de causa, já que parte de seus workshops se dirigem a grupos exclusivos de mulheres, Bruna fala das ansiedades femininas, do modelo impossível de magreza que começou a ser espalhado pela mídia e pela cabeça das mulheres a partir da década de 80, e de como o sofrimento para se adequar a ele muitas vezes não traz benefícios – nem estéticos, nem de saúde, nem de relacionamentos. Com uma pitada de ironia, Bruna convida as leitoras a observarem como os homens preferem as mulheres mais “cheinhas”, que frequentemente se tornam as amantes pouco elegantes, mas muito desejadas.

Ela própria protagonista de uma longa luta pelo peso ideal, ainda que oposto ao da maioria da população – Bruna sempre sentiu que era magra demais –, a autora fala com fluência e grande pertinência sobre uma das questões que mais movimentam a moda, a estética, o comportamento e a cultura da atualidade, oferecendo reflexões para convidar a leitora a uma vida mais ajustada consigo própria e mais baseada numa saudável autoestima.

Sobre a autora

Bruna Gasgon é consultoraem Comunicação e Recursos Humanos, palestrante,

coach executiva e autora do livro O vendedor imbatível (São Paulo, Prestígio Editorial, 2005), já em quinta reimpressão.

Ministra palestras e treinamentos sobre motivação, comunicação, relacionamento  interpessoal, trabalho em equipe, desinibição, etiqueta empresarial, vendas, liderança e atendimento ao cliente, em empresas de todo o Brasil.

É presidente de uma empresa de Consultoria, a Gasgon Comunicações Ltda, e tem entre seus clientes: Unimed, Estadão, SBT, Grupo Camargo Correa, Petrobrás, Anatel, Editora Globo, Siemens, entre outras. É atriz e diretora de teatro, vídeo e programas independentes de televisão, dos quais também é redatora e roteirista.

Todas as suas palestras têm apresentação de performances teatrais, que é o diferencial de seus trabalhos, os quais já apresentou nos programas de Hebe Camargo, Marília Gabriela, Jô Soares, Claudete Troiano, assim como nos telejornais da Rede Globo, Bandeirantes, Record e SBT.

Teve matérias publicadas nas principais revistas e jornais do país, como Veja, IstoÉ, Você SA, O Estado de S. Paulo, Gazeta Mercantil e O Globo. Tem 35 anos de profissão.

Enfim magra, e agora?

Autora: Bruna Gasgon

Autoajuda

Formato: 13,5×20,5 cm – 104 págs.

ISBN: 978-85-63420-06-0

R$24,90

Mesma autora do livro A bela adormecida acordou.

 

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Operação Hurricane – Um juiz no olho do furacão

  Título: Operação Hurricane – Um juiz no olho do furacão
Autor: J. E. Carreira Alvim
Formato: 15,5×22,5
Páginas: 376
Categoria: Biografia
ISBN: 978 -85 -61501 -63 -1
Código de barras: 978 -85 -61501 -63 -1
Preço: R$39,90

Sinopse: Certa manhã, depois de um sono intranquilo o desembargador federal  José Eduardo Carreira Alvim, renomado jurista, vice-presidente do tribunal regional federal da 2ª região, acordou convertido em perigoso marginal e por sito enfiado, como preso comum, sob a mira de metralhadoras, numa cela da polícia federal, com tudo filmado pela maior rede de tv do País.

RELEASE:

“Operação Hurricane”: um juiz no meio de um furacão cheio de perversidade, escândalo e mentiras

Neste livro impressionante, publicado pela Geração Editorial,
o desembargador José Eduardo Carreira Alvim desmonta a farsa
que o levou à prisão em 2007, revela os bastidores da Justiça brasileira, denuncia policiais, procuradores e juízes  poderosos e clamara por justiça.

Quatro anos depois de ter sido preso e desmoralizado injustamente, com transmissão direta pela Rede Globo, apesar do “segredo de justiça” da operação, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim publica, pela Geração Editorial, o livro Operação Hurricane – um juiz no olho do furacão, em que desmonta o que chama de farsa montada pela Polícia Federal – farsa aceita pela Justiça e pela mídia, o que o impediu de ser eleito presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e o levou à prisão e à aposentadoria antecipada.
Em relato claro, didático, detalhado e impressionante pelas revelações que desnudam os bastidores da Justiça brasileira, Carreira Alvim conta seu calvário, busca as razões de ter sido preso por crimes que não praticou, indaga por que seus direitos de magistrado não foram respeitados e denuncia ter sido vítima de uma conspiração odiosa, tramada por altas autoridades da justiça e da polícia. Estranhamente, seu processo está parado desde 2007 no Supremo Tribunal Federal – STF..
Ele foi preso sob a acusação – inverídica, segundo ele – de ter recebido pagamento para autorizar o funcionamento de casas de bingo no Rio de Janeiro e integrar uma quadrilha que beneficiava os donos das casas de jogo. Teve sua vida devassada pela Polícia Federal e pelo Fisco, mas nada contra ele foi encontrado. Apesar disso, foi afastado do Tribunal Regional Federal e aposentado.

Denúncia com todos os nomes

É com amargura que Carreira Alvim recorda as reportagens que descreviam sua prisão e as supostas causas dela. E, sem poupar nomes poderosos, denuncia:
“O detalhe que faltou nessas reportagens é que nada daquilo era verdade, mas fruto de uma armação, forjada pela Polícia Federal, sob o comando do delegado federal Ézio Vicene da Silva, numa investigação sob a tutela do então procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, e supervisionada pelo ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, que, mais tarde, viria a relatar contra mim uma denúncia formulada pelo mesmo procurador-geral da República, convencendo o Plenário daquela augusta Corte de que havia sérios indícios de minha participação na quadrilha de bingos”.
Ele se orgulha de ter sido juiz e professor de Direito “com uma das maiores obras já produzidas individualmente por um escritor neste país” e de ser conhecido pela maioria dos ministros da Suprema Corte – mas isso de nada valeu quando as denúncias sobre ele se abateram.
“Fui alvo de um esquema dos mais perversos armados contra um ser humano pela Polícia Federal, estimulada pelo Ministério Público Federal; e autorizada pela Supremo Tribunal Federal, cujo principal objetivo era evitar que eu chegasse à presidência do Tribunal Federal da 2ª. Região e para não incomodar nessa função o Poder Público, que se considera muitas vezes acima da lei e da Constituição”, diz ele com todas as letras.\
“Espero que o Supremo Tribunal Federal, em face de todos os esclarecimentos que faço, se debruce sobre as provas para descobrir a verdade, mandando fazer uma perícia sobre as conversas entre mim e meu genro por uma entidade neutra, que não seja o Instituto Nacional de Criminalística, que é um órgão da própria Polícia Federal e jamais vai comprometer a própria instituição”,  afirma Carreira Alvim no livro.
O desembargador acrescenta: “Fui preso desnecessariamente e submetido a um escárnio igualmente desnecessário da mídia, que me julgou e me condenou por antecipação, antes mesmo de apurados os fatos, sendo libertado nove dias depois de encarcerado, sem que nenhuma nova diligência se mostrasse necessária, mas depois de ter sido um ator involuntário dos shows da Rede Globo e da mídia nacional por semanas inteiras”.

Um homem digno

Mineiro de Teixeiras, o desembargador J. E. Carreira Alvim não é somente um magistrado. Ele doutorou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, e, antes de ingressar na magistratura federal, no Rio de Janeiro, atuou no então Tribunal Federal de Recursos em Brasília, como procurador da República, no primeiro concurso público havido no País. Desde o início da sua vida forense, atuou como advogado, dedicando-se também ao magistério, lecionando Direito Processual Civil. Além disso, é autor de dezenas de obras jurídicas de grande aceitação pelos operadores do direito, como Teoria Geral do Processo, já na 14ª edição, e uma coleção em dezesseis volumes dos “Comentários ao Código de Processo Civil Brasileiro”.
Carreira Alvim está seguro de sua absolvição: “Eu tenho certeza de que a minha inocência será reconhecida, pois, como dizia o jurista Carlo Furno, ‘A verdade é como a água, ou é límpida ou não é água’, e, na medida em que o Supremo Tribunal Federal, por seus ministros, se debruçar sobre as provas com base nas quais fui preso e denunciado, reconhecerá a trama urdida contra mim e contra o próprio Poder Judiciário a que pertenço; mas ninguém, nem a Corte Suprema do meu país, será capaz de fazer desaparecer da minha alma a lembrança do que passei e, sobretudo, do que a minha família e os meus amigos passaram, por uma obra sórdida e maquiavélica por parte de quem deveria zelar pela segurança dos nossos direitos”.

Dez capítulos explosivos

Operação Hurricane está dividido em dez capítulos: 1) Quem é o desembargador Carreira Alvim, 2) Os reais motivos do furacão; 3) Do furacão à carceragem; 4) Os movimentos do furacão; 5) O deslocamento do furacão; 6) No olho do furacão; 7) De volta à vida; 8) Provas montadas pela Polícia Federal; 9) Os desdobramentos do furacão; e 10) Anexo com peças importantes.
O próprio autor resume o explosivo conteúdo de cada capítulo:
“No Capítulo 1, mostro quem é o desembargador Carreira Alvim, para que o leitor me conheça antes e depois de haver chegado ao Tribu¬nal Regional Federal da 2ª Região, todo o caminho que percorri e as circunstâncias em que o percorri para chegar à magistratura, e como nasceu o meu senso de justiça.
No Capítulo 2, mostro os reais motivos do furacão e, sobretudo, o que aconteceu desde as nuvens que se formaram sobre o Tribunal; o encontro de Buenos Aires, que coordenei e onde estiveram os ministros Cezar Pelu¬so e Gilson Dipp, pessoas importantíssimas na apuração dos fatos alega¬dos contra mim; a colocação de grampos no meu gabinete; as suspeitas de fraude nas montagens da Polícia Federal; os desembargadores federais que realmente deram liminares para o funcionamento de bingos; a eleição para a presidência do Tribunal; a minha indignação pela maquinação que fez o grupo dos quinze, integrado por “colegas” meus para eleger um can¬didato que atropelou a antiguidade no Tribunal; e, sobretudo, o dossiê fantasma, onde existem provas cabais de comportamentos antiéticos e até criminosos e que nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público e nem a Justiça se interessaram em apurar.
No Capítulo 3, conto a chegada do furacão à minha casa, varrendo tudo o que encontrava pela frente; o furacão em outros locais onde sus¬peitavam os agentes federais que pudessem estar as “grandes quantida¬des de dinheiro”, que procuravam sem ter encontrado; a minha prisão sem a exibição de um mandado judicial; os sete pecados capitais da de¬cisão do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal que man¬dou me prender; a forma como fui exposto à execração pública pela mídia; e o verdadeiro estopim das minhas decisões, em que simples¬mente mandei liberar máquinas de bingo, mas todos, a Polícia Federal, o Ministério Público, o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacio¬nal de Justiça entenderam que eram para o funcionamento de casas de bingo no Rio de Janeiro, pondo me como membro de uma organização criminosa existente na sua imaginação.
No Capítulo 4, relato os terríveis e angustiantes movimentos do fu¬racão, na carceragem da Polícia Federal no Rio de Janeiro; o exame de corpo de delito pelo qual fui despido para ser exposto ao ridículo; a surpresa do encontro com o desembargador Ricardo Regueira, que foi a maior vítima dessas infâmias; como fomos tratados com “restos de piz¬zas” pelos delegados federais, passando fome e sede; as necessidades fi¬siológicas feitas na presença de um policial federal, sem o direito de fechar a porta da privada; e a luta da minha filha com o pai e o marido injustamente presos.
No Capítulo 5, mostro o deslocamento do furacão em direção a Brasí¬lia; as revistas constrangedoras a que os agentes federais me submeteram na Base Aérea do Galeão; a chegada à carceragem em Brasília, onde fui de novo despido e examinado, passando por novo constrangimento; a prisão comum com grades e tudo onde fomos colocados eu e o desembargador Ricardo Regueira, apesar de a Constituição nos garantir prisão especial, em sala de Estado-Maior; a colocação numa cela em que o banheiro não tinha porta e onde havia espaço para dois presos, mas fomos postos seis.
No Capítulo 6, trato dos momentos em que estive no “olho do fura¬cão”, na carceragem em Brasília; as intimações do Supremo Tribunal Fe¬deral, que em vez de serem feitas aos nossos advogados, todos de plantão naquela Corte, eram feitas pela televisão; os banhos de sol na carcera¬gem, onde conheci os outros detidos na Operação Furacão, e onde vim a reconhecer dois homens, que vim a saber ali serem bingueiros, mas que tinham estado no almoço no restaurante Fratelli que os ministros do Supremo e os conselheiros do Conselho Nacional de Justiça conclu¬íram ter sido um encontro para negociar minhas decisões; a visita inesperada do então presidente da Associação dos Juízes Federais, juiz Walter Nunes, que viu todo o desrespeito contra as prerrogativas dos juízes, mas não conseguiu fazer com que o ministro Cezar Peluso as corrigisse após os ofícios que fez denunciando tudo; o arrependimento de um delegado federal, preso na mesma operação; a tomada de depoi¬mentos de desembargadores federais por um delegado federal, quando nem na área administrativa um servidor de hierarquia inferior participa do julgamento de um funcionário de hierarquia superior; a saída da carceragem e as lembranças do cárcere.
No Capítulo 7, relato a minha volta à vida; o meu retorno ao Rio de Janeiro; o bloqueio das minhas contas bancárias que me deixaram sem dinheiro para alimentar a mim e à minha família, com um neto de ape¬nas quatro meses, filho da minha filha Luciana, desmamado de forma desumana, com a prisão do seu pai e a ida da mãe, uma advogada, para Brasília; a descoberta de que a nossa empregada, com os recursos da sua caderneta de poupança, assumia as despesas da casa, para não passar¬mos fome; e, sobretudo, a profecia de Coimbra, em que um vidente, quando lá estivemos, disse a mim e à minha mulher, sem saber que éra¬mos casados, que seríamos atingidos por um furacão, e que teríamos que ter forças “para juntar os cacos”.
No Capítulo 8, falo das provas montadas contra mim; relatando a Justiça dominada pela imprensa; a falta de poder e autoridade do minis¬tro Cezar Peluso para impedir os vazamentos para a Rede Globo de no¬tícias de uma operação que ele mesmo mandara que fosse sigilosa; a montagem de uma farsa pela Polícia Federal; a forma como foi, no pro¬cesso do meu genro, desmontada pelo professor em fonética forense da Universidade de Campinas, professor Ricardo Molina, que a Polícia Fe¬deral fez o que pôde para evitar que participasse como assistente da perícia feita pela própria Polícia Federal, apesar da determinação da juíza federal, que também não teve autoridade e força para fazer com que ele participasse de forma direta e efetiva; relato a forma como a pe¬rícia feita pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal foi posta em xeque; a forma como a prova técnica desmente as “monta¬gens” feitas pela Polícia Federal com o aval do Ministério Público, apesar de um ser órgão investigador e o outro, acusador; a versão que a Polícia Federal deu para um almoço com um advogado conhecido meu, para o qual ele tinha convidado sem o meu conhecimento seus clientes donos de bingos, sete meses depois que as decisões pelas quais fui acusado já tinham sido cassadas, mas que foi interpretado pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal como se fosse um encontro para nego¬ciar decisões que valiam àquela altura menos do que um papel higiêni¬co; a forma como a Justiça trata desigualmente pessoas iguais, mandando prender uns e não mandando prender outros.
No Capítulo 9, relato os desdobramentos do furacão, mostrando as inverdades que a denúncia descrevera como fatos verdadeiros sem ser; a forma como as minhas decisões, em que o motivo alegado pelo Minis¬tério Público Federal era a existência de contrabando, acabou virando um caso de funcionamento ilegal de jogo de bingo e formação de qua¬drilha; o furacão na Comissão Parlamentar de Inquérito aberta pela Câ¬mara dos Deputados para apurar os grampeamentos ilegais feitos pela Polícia Federal, que, apesar de todos os absurdos apurados, não resultou em nenhuma medida concreta para apurar as responsabilidade e punir os culpados; como os advogados pediram um controle maior da Polícia Federal, sem que a Ordem dos Advogados do Brasil tenha tomado qual¬quer medida nesse sentido; a devassa fiscal na minha vida, para apurar irregularidades nas minhas declarações de rendimentos, por não haver sido encontrado no meu patrimônio as “grandes quantias em dinheiro” que o Ministério Público dizia ter eu recebido, induzido pela Polícia Federal, e aceito pelo Supremo Tribunal Federal; os sofrimentos por que passaram minha mulher, minhas filhas e toda a minha família e meus verdadeiros amigos; a morte do desembargador Ricardo Regueira pelos sofrimentos que lhe foram impostos por uma suspeita sem o menor fundamento; o caso Projac da Rede Globo de Televisão, que julguei no Tribunal e que versava sobre bilhões de cruzeiros (moeda da época), num contrato que teria firmado de forma irregular com a Caixa Econô¬mica Federal para a construção dos seus estúdios de Jacarepaguá; as de¬cisões em favor da Infoglobo, também da Rede Globo, exatamente nas mesmas circunstâncias em que dei as decisões para as empresas de jogo, e que a Rede Globo dizia terem sido compradas; uma notícia de um jornalista ético, mostrando que a ética ainda existe no jornalismo; lembro aos ministros do Supremo Tribunal Federal que os irmãos Naves foram absolvidos pelo Tribunal do Júri e condenados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por um crime que não cometeram, porque a vítima que teriam assassinado apareceu viva quando um dos condena¬dos já havia morrido assim que saiu da prisão, tudo porque não tinha cadáver e mesmo assim houve condenação, lembrando também que no meu caso nada foi encontrado nas minhas contas que fizessem supor ter havido recebimento de “grandes quantias” e nem “pequenas quantias” de dinheiro; mostro como a ética na Justiça funciona diferentemente para os ministros e para o desembargador, porque tanto o ministro Cezar Peluso, como representante do Supremo Tribunal Federal, quanto o mi¬nistro Gilson Dipp, como representante do Superior Tribunal de Justiça, compareceram por cinco dias a um encontro que coordenei em Buenos Aires cujo tema era exatamente “Os desafios da corrupção”, buscando formas de combater o crime organizado; que apesar de terem estado lá, o ministro do Supremo Tribunal Federal teve participação determinan¬te no recebimento da denúncia contra mim, e o ministro Gilson Dipp participação determinante na minha condenação pelo Conselho Nacio¬nal de Justiça; faço um alerta aos magistrados brasileiros; e uma profis¬são de fé feita por um juiz.

Quatro anos de angústia

Carreira Alvim  estranha que, decorridos quatro anos, o processo em que é acusado não tenha dado um único passo no STF. Nenhum de seus recursos foi apreciado.
Ele suspeita que o caso não é julgado porque a Justiça se fragilizaria, na medida em que teria que ser absolvido, por falta de provas.
Essa demora da Justiça foi o que o levou a escrever o livro.
“Neste livro, conto a minha verdade que é a verdade dos fatos como realmente aconteceram, para que a sociedade, e especialmente os juízes, membros do Ministério Público, advogados e operadores do Direito que me conhecem façam o seu próprio julgamento, pois não quero que aconteça comigo o que aconteceu com o saudoso desembargador Ricar¬do Regueira, que acabou sucumbindo em decorrência do maldito fura¬cão que se abateu sobre ele e sua família, sem que tivesse tempo para ver declarada a sua inocência.
No Capítulo 10, no final do livro, o autor acrescenta um “Anexo” com algu¬mas peças importantes constantes do processo administrativo instaura¬do contra ele pelo Conselho Nacional de Justiça, que também o puniu, proibindo-o de exercer a profissão..

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