Obesus Insanus

  Título: Obesus Insanus
Autor: Rogério Romano Bonato
Formato: 15,5×22,5
Páginas: 160
Categoria: Ensaios
ISBN: 978-85-61501-64-8
Código de barras: 978-85-61501-64-8
Preço: R$29,90

Sinopse: “Sete” pecados e entre eles, o mais tormentoso de todos: a “Gula”; uma discussão entre “Sete” demônios, “Sete” anjos, e por fim as “Sete” tentativas de dominá-la. Um livro e seus “Sete” capítulos, investigando o passado, nossas chances no futuro e como compreender a existência, já que “vida”, em teoria, é apenas uma.

RELEASE:
Os perigos da obesidade com humor, informação, erudição e lucidez, num livro estranho o e sedutor.

“Obesus Insanus”, de Rogério Romano Bonato, é, mais que estranho, surpreendente. De forma inédita e criativa, traz a abordagem da obesidade epidêmica no planeta de um modo que destoa dos habituais no mercado editorial – não se trata de um livro de auto-ajuda, embora relate os esforços de um obeso por perder peso e mudar seus hábitos nocivos; não é tampouco mais um guia de como perder peso, dos que lotam as prateleiras de livrarias e oferecem uma eficácia tão promissora quanto duvidosa. Sua leitura, contudo, pode oferecer ajuda a muita gente atormentada pela questão do peso acima do desejável e pode orientar para uma virada nos hábitos no sentido de estabelecer uma vida mais saudável e menos perigosamente exposta aos inúmeros apelos e riscos com os quais a vida contemporânea tenta os gulosos.
Em 159 páginas, ilustradas por desenhos de Leonardo da Vinci (o que vem a propósito, já que Bonato faz uma especulação, baseada na história da alimentação, do que teriam sido os pratos oferecidos na “Santa Ceia” pintada pelo mestre), com prefácio e comentário de dois amigos de Donato (o médico  Lyrio César Bertoli e o biólogo Sérgio Greif) e uma nota biográfica que mostra os múltiplos caminhos profissionais e estéticos da vida de Bonato, o livro é uma ótima mistura de erudição e humor.
A erudição de Bonato, no entanto, não intimida – é o cabedal de informações de um homem culto que sabe transmitir suas ideias sem adotar fórmulas pedantes e presunçosas e que sabe adequar sua cultura à mensagem que deseja veicular sem jamais rebaixar a inteligência dos leitores, colocando-se num plano de igualdade. O humor o auxilia a transmitir uma mensagem que é fundamentalmente séria e vai da boa quantidade de exemplos extraídos do cinema, da televisão, da literatura, citando atores, escritores, até relatos de uma vida pessoal de obeso em que uma das primeiras grandes descobertas feitas foi a utilidade dos suspensórios para manter as calças no lugar, por exemplo.
O livro evita dramatizar a condição do obeso de forma alarmante; antes, dá-lhe um tratamento humano, compreensivo e compassivo, e já no início seduz ao apresentar Belzebu como o demônio da Gula, numa crônica em que o autor se imagina no Inferno visitando o demônio, encarnado por ninguém menos que o cineasta e ator Orson Welles. Ao som do “Cheek to cheek”, de Fred Astaire, num cenário com pinturas de Matisse e requintes gastronômicos à mesa, o autor trava uma divertida conversa com Belzebu, e assim o leitor fica informado de uma série de curiosidades sobre a história desse pecado capital, a Gula, que é o grande inferno de todos os obesos.
Tendo adotado este tom sedutor, Bonato não o deixará mais em sua exposição. Saberá, a partir daí, colhendo exemplos da mídia, da história, da literatura, citando o mito do “gordinho simpático”, contando sua história pessoal, estabelecer um diálogo proveitoso com o leitor, fazendo com que este – especialmente se padecer do mal da obesidade – compreenda os mecanismos de ansiedade e hábitos culturalmente arraigados que levam ao círculo vicioso da compensação via “boca grande”.  Nessa exposição, não faltarão os dados sobre a epidemia de obesidade que o planeta vem conhecendo a partir da vida desregrada e o hábito do “fast food”, os desequilíbrios ecológicos, as informações de cientistas, médicos, biólogos e estudiosos de comportamento, incluindo uma curiosa especulação em tom de ficção-científica sobre a eterna questão das utopias estabelecidas pelos anseios humanos, que tendem a desequilibrar ainda mais a ordem natural.
Bonato foi obeso por muito tempo, mas os inúmeros alarmes dados por seu organismo, pela irracionalidade de seu estilo de vida hiperativo, pela sua ansiedade, seus exageros no trabalho e na correria do dia-a-dia, acabaram por despertá-lo da letargia autocomplacente do gordo, traduzidos num problema bem concreto na vesícula, que o levou a uma cirurgia e a uma implantação de decidida mudança de hábitos em sua vida. Mas, não permaneceu obeso, o que é a marca de sua trajetória.
Seu livro, aliás, acaba constituindo um exemplo e uma “lição de vida” sem azedume ou pretensões teóricas exageradas. A medida do volume é sua mistura sóbria de humor, elegância expositiva, cultura geral e bom senso. O título deriva das preocupações finais de Bonato, que soube universalizar o seu caso pessoal de obesidade, apontando o mal como uma doença social grave em que se implicam muitos dos problemas contemporâneos e indicam o descaso geral do Homem com a vida no planeta, que está levando todos a riscos nada pequenos de uma catástrofe em escala nunca vista. A continuar a loucura generalizada, o “homo sapiens” poderá dar lugar ao “obesus insanus”.
Humor sim, leveza sim, mas o livro nunca perde de vista a lucidez e o alarme.

ENTREVISTA COM O AUTOR:

Sua vida pessoal é interessante, cobre múltiplos dons e atividades, e mostra uma espécie de grande apetite por agir e grande alegria de viver – alegria devoradora, que na verdade parece ter a ver com o próprio processo de voracidade que caracteriza o obeso. Pode falar sobre qual terá sido a sua motivação básica ao escrever esse livro de título tão sugestivo?

Vivo colecionando idéias para livros, tropeço nelas, no entanto, jamais pensei em descrever uma situação que envolvesse a saúde, ou a minha saúde. Também nunca gostei de biologia, ciências, física e menos ainda das situações que envolvam o corpo humano, ambulatórios, hospitais, cirurgias e coisas assim. Mas um dia vi uma pessoa sofrendo por causa da obesidade; um homem enorme, todo cheio de problemas e meio que sem saída. Ele disse: “se não me tentassem tanto com as coisas que há nos supermercados, nas promoções; nas propagandas de televisão e revistas; nos cardápios dos restaurantes, eu não estaria vivendo este inferno”. Naquela frase construí a idéia do livro, na visão de muitos obesos, como se a culpa fosse sempre dos outros; do mundo moderno, das oportunidades e, nunca deles; é o conceito de alguns obesos, um conceito que permeia a insanidade, que despreza a força de vontade e em certos aspectos, até a Lei da Gravidade. A obesidade é uma doença que preocupa e da forma com a qual avança nos faz crer que obesos não se encaixarão neste mundo. E há muitas outras situações, algumas que nem tive tempo ou paciência para abordar. Um exemplo disso: explorei o bullying nos magros e nunca o nos gordos, mas creio que o assunto é tão vasto que alguém sempre o estará trabalhando, muito além daquilo que abordei.

 Com tantas atividades em sua vida, de jornalista a artista plástico, e com seu próprio reconhecimento de ser um exagerado, um hiperativo, como ter a calma suficiente para adotar um regime de perda de peso, em que o maior dilema parece ser o de encontrar uma virtude em tudo oposta ao pecado da gula – a paciência?

A vida é um ato de paciência. O médico perguntou: quer viver ou morrer? Fiquei tão impressionado com o “paredão” que nem coloquei isso no livro. Encarei o emagrecimento buscando saídas para não sacrificar aquilo que eu mais gosto na vida, a liberdade, um chopinho na tardinha, visitar restaurantes, viajar e, nas minhas viagens, sempre há gastronomia de primeira, afinal, trabalho para isso, para viver a minha proposta de lazer, tão preciosa; as minhas formas de fazer valer a vida. Não projetei um regime, elaborei uma mudança complicada de hábitos, com acompanhamento, com gente metendo o nariz e aprendi a aceitar, pois tudo visava o prolongamento da minha existência nesse mundão que é tão bom, cheio de azul, de coisas que eu ainda não vi. Meu emagrecimento é para o resto da vida, aos poucos, devagar, sem pressa, mas sempre buscando o objetivo da qualidade de vida. Sem paciência não é possível fazer as coisas assim. Tratar a impulsividade, a inquietude, o emocional é o primeiro e decisivo passo. Indo por aí, nos encontramos com a paciência.

O cinema aparece constantemente no livro, seja em referência a filmes, seja em referência a atores, situações e tramas (como a boa lembrança do livro “A festa de Babette”, que se tornou o filme premiado de Gabriel Axel). No entanto, não escolheu um gordo que poderia ser um exemplo óbvio – Alfred Hitchcock – para a sua conversa com Belzebu no Inferno, mas Orson Welles. O que motivou esta escolha?

Adoro o trabalho de Hitchcock. Recentemente me pediram uma lista dos doze filmes que mais gosto. Apenas um era de Orson Welles, e quatro são assinados por Hitchcock. É que Orson Welles tem aquele jeitão classudo de demônio mesmo, com o porte de quem nos esperaria na porta do inferno, com cavanhaque, fumando um charuto raro. Orson era uma pessoa de hábitos refinados e muito falador, eloqüente; Alfred Hitchcock tinha uma postura mais silenciosa. Podem notar que todos os demônios no teatro e cinema, em especial nas belas comédias dos anos 50 e 60, são parecidos com Welles. Pode ser que isso tudo tenha me influenciado. Fora isso, Welles proporciona um gancho muito eficiente a obesidade, sobre vida desregrada, com abusos e demais temas que eu abordo. Gosto de amarrar uma coisa à outra.

Entre as muitas citações de nomes das artes, das ciências, quais os nomes de autores que lhe foram mais úteis para a criação do livro? Poderia citá-los e indicar leituras aos leitores em geral?

Escrevi sobre questões que considero sociológicas em decorrência do conhecimento que fui adquirindo e acumulando ao passar dos anos. Comentar a essência desses conhecimentos faz parte do meu ato de escrever. Escrevo para aprender a pensar. Quando criança li também muita ficção e de grandes autores; neste caso a lista é grande, começa por Julio Verne e vai até Carl Sagan, eles explicam os paradigmas do universo e naquilo que esbarramos sem saber; li também muitos clássicos que são extremamente necessários para a formação de qualquer cidadão. Leitura de qualidade sempre é boa, e, não gosto muito de induzir. O que vale é estimular a leitura.

A atitude pessoal do gordo, de grande voracidade e de indiscriminada escolha de satisfação oral, acaba sendo relacionada a uma tragédia mais geral, que é a da destruição da vida e do equilíbrio ecológico no planeta, devido ao consumo exagerado, à superpopulação e aos hábitos alimentares errados. Como o obeso, confinado a seu problema pessoal, poderá tomar consciência disso? Por que é tão difícil para ele tomar a simples decisão de perder peso e se abster seriamente do que lhe faz mal?

Veja, meu recado não serve apenas para os obesos. Estamos destruindo o planeta para satisfazer o nosso modo de vida. Matávamos animais para comer a carne e usar a pele; derrubamos matas com a intenção de arranjar espaço para agricultura e pecuária; não faz muito tempo o governo incentivava a derrubada de florestas; tudo se fazia em nome do desenvolvimento; penso que a tomada de posição será quase que coletiva, do contrário o mundo em que vivemos deixará de existir. Nossa geração é a que está no limiar dessa decisão. Os apelos para diminuir a devastação, que sustenta a luxuria, a gula e outros pecados, serão muito mais eficazes do que os que combateram o fumo, o álcool, endemias e doenças contagiosas. Basta olhar as revistas semanais, os programas de televisão, tudo fala em dieta, emagrecimento, qualidade de vida. Acredito nessa virada, pela conscientização, num processo iniciado no individual e que pela necessidade, se tornará rapidamente coletivo.

A um leitor que adquira seu livro, e que poderá ou deverá ser outro homem atormentado pelo dilema da obesidade, por onde diria que ele deveria começar para encontrar motivação para a leitura e para a modificação de seus hábitos? Em que considera que seu livro possa ser mais útil e transformador?

Eu tenho o hábito de ler todos os livros pelo começo (rs); a proposta de “Obesus Insanus” é a de uma realidade biológica, ela é tão ajustada como a matemática (e se não for mais) em matéria de exatidão. O livro deixa claro que não devemos “inventar” e sim aproveitar aquilo que a ciência nos oferta. O bom é que cada pessoa tem o poder de descobrir novas fronteiras para alcançar os objetivos. O interessante em tudo é que não somo iguais; não há absolutamente um indivíduo, na população mundial, que seja 100% igual ao outro e é aí que começa o desafio. O homem foi o elemento transformador de um sistema, do planeta, do meio em que vive. Ele deve alcançar a maturidade – tomara haja tempo – precisa interagir e assimilar a necessidade de mudança seja ele gordo, magro, novo ou velho. Não quero dizer que gordos são os errados, longe disso, os magros consomem os mesmo produtos, também esbanjam, ajudam a aumentar essa tragédia consumista, em muitos casos até venenosa. A moda é aconselhar a população a optar pelos produtos saudáveis e os alimentos que não são saudáveis e que ainda são produzidos? Precisamos também olhar para isso. Em minha análise, haverá um ajuste e ele afetará a cadeia produtiva. Enfim, é um tema vasto, de princípios e de mudanças. Espero que o humano saiba lidar com a situação.

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