Quando fui morto em Cuba

  Título: Quando fui morto em Cuba
  Autor: Roberto Drummond
Formato: 14cmx21cm
Páginas: 208
Categoria: Romance
ISBN: 978-85-61501-68-6
  Código de Barras: 978-85-61501-68-6
Preço: R$ 24,90

Sinopse:
Um homem, uma mulher? Não importa: “Marta Rocha”, que um dia já foi jogador de futebol, vai a Cuba porque uma vidente previu que lá acontecerá uma transformação violenta em sua vida. A mesma história erótica deste travesti enlouquecido voltará em versão política. O início e o fim de uma colagem pop contínua, em forma de delírio e brincadeira com coisas muito sérias da história política e social brasileira. Cuba é um sonho e um pesadelo para os personagens do consagrado escritor mineiro Roberto Drummond. Neste livro de dezesseis histórias, organizado em dois tempos, como uma partida de futebol, e com um intervalo em que o assunto é a morte do craque Heleno de Freitas, ele trata de mortes reais e simbólicas, ressuscitando ícones do cinema como James Dean, Robert Taylor e Marilyn Monroe, e traduzindo agonias e desilusões, sempre com seu talento inegável para a construção de narrativas provocadoras que o marcaram como um dos maiores autores da literatura brasileira.

RELEASE:

Brincando com a morte nos campos da loucura e do desespero

Geração Editorial relança três décadas depois o livro mais pop e simbólico de Roberto Drummond, que vai do pop ao erudito de maneira carnavalesca e enlouquecida  

 Três décadas depois de seu lançamento, em 1982, sai pela Geração Editorial um dos mais enigmáticos livros do consagrado e polêmico escritor mineiro Roberto Drummond, autor do bestseller “Hilda Furacão”: a coletânea de 16 histórias “Quando fui morto em Cuba”. A obra, que faz parte do chamado “Ciclo de Coca-Cola”, é muito revelador do projeto literário do escritor mineiro, nascido em Ferros em 1933 e falecido em Belo Horizonte em 2002, pois toca muito de perto em seus gostos e obsessões e ilustra com muita precisão o espírito pop que presidiu a criação literária do autor.

Roberto Drummond teve um ataque cardíaco que começou durante um jogo entre Brasil e Inglaterra em junho de 2002. Obcecado com a morte a ponto de colocar a palavra nos títulos de vários de seus livros, estranhamente Drummond não procurou um médico quando avisado de que a “indesejada” finalmente se aproximava dele.

“Quando fui morto em Cuba” é abertamente organizado sob espírito do futebol. O livro se divide em duas partes, Primeiro e Segundo Tempo, cada uma contendo oito histórias. Entre elas há um Intervalo em que se narram os delirantes últimos instantes do lendário craque do Botafogo carioca Heleno de Freitas.  A descrição desta agonia é feita em tom de narração de partida feita por um locutor esportivo.

Além do futebol, “Quando fui morto em Cuba” traz outras referências muito caras à literatura de Roberto Drummond: a colagem pop de ícones do cinema, da televisão, da vida cultural urbana do Brasil dos anos 70 e 80, os mitos da esquerda revolucionária (Cuba, Fidel, Che Guevara, a luta armada) já vistos sob a ótica da desilusão e do romantismo fenecido dos anos finais da ditadura militar brasileira, e da própria morte, musa onipresente nos livros de Drummond.

As oito histórias têm uma construção circular. “Quando fui morto em Cuba”, por exemplo, comparece no início numa Versão Erótica e no final numa Versão Política – a mesma história sob dois pontos de vista diferentes que, no entanto, têm plena convergência. Convergir e recorrer, entre colagens pop, fragmentos, citações, referências, paráfrases, parece ser a nota dominante dessas histórias, em que signos como olhos verdes, Minas Gerais, presos políticos, torturados, mortos e agonizantes se unem numa espécie de balé macabro no qual, no entanto, o humor jamais está ausente.

Drummond parece ter prazer nas trocas simbólicas, nos sentidos invertidos ou travestidos, já de cara comprovado com o personagem de “Quando fui morto em Cuba” que, na primeira versão, a Erótica, é um travesti, um homem-mulher apelidado de Marta Rocha, o grande ícone da beleza brasileira, miss dos anos 50 que se perpetuou na memória coletiva do país. Com seus olhos verdes, “Marta Rocha” foi um dia jogador de futebol e isso já remete ao Heleno de Freitas do Botafogo, um dia batizado como “Gilda” pela torcida carioca. “

“Marta Rocha” vai a Cuba como um símbolo da futilidade brasileira, um símbolo que é todo mundo e ninguém, querido por facções políticas de esquerda e direita porque significa evasão, prazer e inconseqüência. Sendo um híbrido, pode acolher toda espécie de projeção e abrigar uma enorme quantidade de significados, e por isso, perdido em si mesmo, vai a Cuba em busca da definitiva transformação. Mas vai para morrer, segundo a previsão de uma vidente. O próprio título do livro remete ironicamente a uma canção, “Quando Sali de Cuba”, de Luis Aguile.

O livro transborda em citações, bem ao estilo de um caleidoscópio que vai do pop ao erudito, de maneira carnavalesca e enlouquecida, pois estas citações podem tanto remeter à canção de Paul Simon “Still crazy after all these years” quanto ao romance “Justine”, de Lawrence Durrell ou a um poema de T.S Eliot. Fora daí, há uma verdadeira obsessão de Roberto Drummond por atrizes e atores de cinema, e as citações se entrecruzam, trazendo Greta Garbo, Marilyn Monroe, Maria Félix, Randolph Scott, Robert Taylor, Brigitte Bardot, Rita Hayworth, entre outros (um dos contos, “Carta ao Santo Papa”, é escrito pela atriz Pier Angeli, que se suicidou, segundo a história de Hollywood, por amor a um ícone supremo do pop: o astro James Dean).

Mas engana-se quem pensar que os contos são presididos por um espírito de futilidade – ao contrário, narrativas como “Camarão grelhado” e “O rio é um deus castanho”, tocam em assuntos da maior gravidade – no primeiro, a tremenda indiferença da classe dominante brasileira por seus miseráveis e, no segundo, a agonia de um pai que um filho vive, desesperadamente dividido entre o dever do luto iminente e uma mulher que o atrai.

Trazendo de volta todo o talento de um escritor mineiro com pés firmes no mundo urbano e na contemporaneidade, esta reedição de “Quando fui morto em Cuba” abriga facetas da arte do escritor que só confirmam a perenidade e o espírito revolucionário de seu trabalho. Autor de livros populares e premiados como “A morte de D.J em Paris” e “Hilda Furacão”, Drummond foi autor de toda uma obra que pode até hoje provocar muitas polêmicas e outras tantas adesões apaixonadas.  Basta, para isso, conferir “Quando fui morto em Cuba”.

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