Arquivo do mês: agosto 2011

FBN terá ampla programação na XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro

A Fundação Biblioteca Nacional organizou uma série de encontros, debates e até uma exposição dentro da programação da XV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira (01/09). A agenda prevê desde um seminário internacional sobre empréstimo de livros digitais em bibliotecas pelo mundo até o anúncio de novas políticas públicos de livro, leitura, literatura e bibliotecas. Além dos convidados estrangeiros, estão confirmadas as presenças da presidenta Dilma Rousseff e dos ministros Ana de Hollanda (Cultura) e Fernando Haddad (Educação).

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Autora de livro infantil sobre abuso sexual defende fim do tabu

Fonte: Camila de Lira, iG

A cada 8 minutos, uma criança é abusada sexualmente no Brasil, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). Mesmo com dados estarrecedores, o assunto ainda é tabu entre as famílias e escolas. Algo que a escritora Odívia Barros pretende mudar. Preocupada com a sua filha, na época com 5 anos de idade, Odívia resolveu inventar uma história cujo intuito fosse orientar a menina no caso de abuso. Assim surgiu o livro “Segredo, Segredíssimo” (Geração Editorial). Para a autora, por mais delicado que seja o tema, ele não pode ser desconhecido pelas crianças – e as escolas também têm um papel fundamental na discussão do tema.

“Os passos para se evitar o abuso sexual infantil são simples, mas é preciso que as crianças saibam. E ninguém fala nada, as pessoas fingem que isso não existe”, diz ela. “Por isso, quando a criança passa por esta situação, não sabe o que fazer”. Odívia sabe bem do que está falando. Ela mesma foi vítima de abuso quando mais nova. Confira a entrevista.

iG: Por que você resolveu fazer um livro infantil sobre um tema tão forte?

Odívia Barros: Eu sofri abuso sexual na infância. Quando minha filha nasceu, ficava angustiada para tentar orientá-la sobre o assunto de uma forma que não a assustasse. Ao estudar psicologia, aprendi a importância dos contos de fadas para informar as crianças de um jeito que elas entendem. Resolvi fazer um livro com as orientações que eu queria passar para ela. Passei quase um ano pensando na história. Quando sentei para escrever, o livro nasceu em 20 minutos. Aqui no Brasil, a gente age reativamente, quando a criança já passou pelo abuso. Se pudermos avisar num patamar mais lúdico, ela contará quando estiver incomodada e saberá que será acolhida. Quando a criança não sabe qual vai ser a reação dos adultos, ela fica com medo. Esse é o grande problema: como a gente finge que não existe, a criança não sabe qual será a reação.

iG: Quantos anos tinha a sua filha na época? Você chegou a contar a história de “Segredo, Segredíssimo” para ela?

Odívia Barros: Hoje ela tem sete anos. Na época, tinha cinco. No dia em que escrevi a história, cheguei do trabalho e contei para ela. Não sabia se ela ia entender, tinha apenas cinco anos. Mesmo assim, na TV e no rádio se escuta cada notícia horrorosa que eu precisava orientá-la. No final do livro, criei um jogo de perguntas, como se fosse um teste de compreensão de texto. Fiz as perguntas com ela, e ela respondeu direitinho. Fiquei feliz que ela entendeu tudo o que queria dizer. “Existem quatro passos básicos para vencer o abuso: reconhecer a situação inapropriada; saber dizer ‘não’; sair da situação rapidamente e contar para alguém”

 iG: Quais são as principais mensagens do livro?

 Odívia Barros: A mensagem é ensinar a criança a reconhecer uma situação inapropriada de comportamento de um adulto, e orientá-la a dizer ‘não’ a essa situação. O livro ensina que a criança não vai ser punida. E isso é o que tem mais de errado nessa temática do abuso sexual: elas [as crianças] são as vítimas, no entanto, nós, adultos, não temos coragem de falar sobre isso com elas, e elas se sentem culpadas. Ficam desprotegidas. O livro propõe uma mudança de paradigma. Os estudiosos dizem que existem quatro passos básicos para sair de uma situação de abuso: reconhecer a situação inapropriada; saber dizer ‘não’; sair da situação rapidamente e contar para alguém. Como a criança pode imaginar isso tudo? A gente apenas diz para ela não conversar com estranhos, quando 90% dos casos de abuso ocorrem dentro da família. Não se fala nada da sua família, não se fala para a criança tomar cuidado com um primo ou que um tio pode lhe fazer algo de ruim. O importante é a criança saber que essa situação existe.

iG: Quais preocupações você teve ao escrever o livro?

Odívia Barros: Tive a preocupação de fazer com que minha filha não tivesse medo dos adultos em geral e dos familiares em particular. No livro, falo sobre pedofilia, sobre abuso sexual infantil, mas não toco em nenhuma dessas palavras. Falo de uma “brincadeira de adulto”, para que ela entenda que existem brincadeiras que os adultos fazem entre eles e não podem fazer com elas, assim, elas já ficam alertadas. Em nenhum momento, porém, descrevo qual é essa brincadeira. O máximo que coloco é o beijo na boca, algo que uma criança já viu na TV. O livro serve para colher quanto de informação a criança tem, não para despejar as informações nela. E ela responde naturalmente, não é um bicho-de-sete-cabeças. Vale muito a pena tratar disso com a criança desde cedo, para que ela se aproprie do conhecimento.

iG: Além das sequelas óbvias, que outros problemas o abuso pode trazer?

Odívia Barros: Existe o fenômeno de multigeracionalidade. Ele mostra que o abusador de hoje foi o abusado de ontem. É um ciclo que se repete. Quem é abusado hoje tem mais chances de abusar de outras crianças quando crescer. Ou se tem coragem de colocar este tema dentro da sala de aula e romper este ciclo, ou ele vai continuar sem fim. Nós, adultos, não temos coragem de tratar o tema. O problema não são as crianças: o problema são os adultos, que não têm coragem.

iG: Como o fato de você ter passado por uma situação de abuso ajudou na hora de escrever o livro?

 Odívia Barros: Viver a experiência fez com que eu me dirigisse às crianças de forma bastante delicada. Quando fiz o livro, fiquei pensando, se contaria ou não a minha vivência. Concluí que, se no livro falo para as crianças contarem o que ocorre com elas, não poderia deixar de falar o que aconteceu comigo. O importante é a sociedade refletir sobre como está agindo. Quando me dei conta do que havia passado comigo, comecei a achar errado que as pessoas não falassem disso, não deixassem estas coisas claras. Como eu não tinha um livro desse para ler, não tinha o que fazer.

Continuação em http://delas.ig.com.br/filhos/autora+de+livro+infantil+sobre+abuso+sexual+defende+fim+do+tabu/n1597175422867.html

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Evento literário em Santos

Começa hoje, 24/8, a 3ª. edição da Tarrafa Literária – encontro internacional de literatura realizado na cidade de Santos pela Realejo Livros & Edições com patrocínio da Santos Brasil, Sabesp, Praticagem e Petrobrás, por meio da Lei Rouanet – Ministério da Cultura e Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. A Tarrafa rola de hoje até domingo, 28/8, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, S/N – Centro) e terá show de abertura às 19h com o tradicional grupo santista de samba do clube Ouro Verde e show de Wandi Doratiotto e Banda, com entrada gratuíta. Inspirado no ambiente literário, Wandi promete tocar uma música inédita em homenagem a Machado de Assis. As participações internacionais este ano da Tarrafa veem de Portugal e Irlanda. Bastante conhecida do público brasileiro, a autora portuguesa Inês Pedrosa vai conversar com Paulo Roberto Pires, mediados por João Gabriel de Lima, sobre sua obra. A mesa se chama “Fica comigo esta noite”. Já o irlandês Ian Sansom, autor de A verdade sobre os bebês de A a Z, vem pra compor a mesa “Pais maduros e imaturos” com Fabrício Carpinejar, sob mediação da jornalista Mona Dorf. O time canarinho de autores conta ainda com Fernando Morais – que lançará o seu novo Os últimos soldados da guerra fria –, Inês Lustosa, Sérgio Dávila, Alberto Martins, Fabrício Corsaletti, Antonio Prata, Reinaldo Moraes, Mário Bortolotto, Soninha, Laerte, Caco Galhardo, Mary del Priore e outros. A Tarrafinha, versão da festa literária para a galerinha, vai contar com a presença das irmãs Klink, filhas do navegador Amyr Klink, Flávia Vallejo e Ilan Brenman. Confira a programação completa no site oficial.

Fonte: Publishnews

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Homenagem ao Dia Mundial da Fotografia

Fotógrafa revela “Mulheres de Cabul” durante e após o Taleban

A inglesa Harriet Logan ouviu e fotografou dezenas de mulheres do Afeganistão submetidas a leis que só faltavam proibir viver

Mulheres de Cabul, da premiada fotógrafa inglesa Harriet Logan, que visitou o Afeganistão para ouvir e fotografar dezenas de mulheres durante o regime obscurantista do Taleban e depois dele. É um livro impressionante sobre um mundo tão absurdo que parece pesadelo, algo difícil de imaginar em pleno século 20. Trata-se de uma reportagem viva, emocionante, quase inacreditável, que supera qualquer ficção. Mulheres de Cabul de certa forma amplia, de maneira mais realista e crua, o universo afegão mostrado no romance O caçador de pipas, de Khaled Hosseini, e no livro O livreiro de Cabul, de Asne Seierstad. Com mais uma vantagem: traz dezenas de belíssimas fotos. 

Durante o regime do Taleban, de setembro de 1996 a outubro de 2001, as mulheres do Afeganistão foram submetidas a absurdas leis repressoras. Se saíssem de casa, elas não deviam usar trajes elegantes, produtos de beleza nem atrair a atenção; só podiam lecionar para a família; não podiam trabalhar fora nem freqüentar escolas. As proibições atingiam a todos: não se podia rir em público; ouvir qualquer tipo de música, nem em festa de casamento; brincar com pássaros; empinar pipas, e fotografias eram consideradas formas de idolatria.  

Foi nesse mundo de trevas que Harriet Logan mergulhou em busca de histórias e imagens humanas e dolorosas, a convite da London Sunday Times Magazine, em dezembro de 1997, quinze meses depois que o Taleban havia assumido o controle do Afeganistão. Era uma missão perigosa, mas a polêmica fotógrafa, habituada a enfrentar situações de risco, aceitou. “Eu sempre quis visitar o Afeganistão”, diz. Do Paquistão até Cabul levou seis horas num percurso de 160 quilômetros. Ainda no caminho para a capital afegã, ela e o jornalista do Sunday Times que a acompanhava tiveram contato com o mundo que visitariam. “No decorrer da viagem, meu motorista e o intérprete foram espancados porque meu véu escorregara um pouco para trás, deixando entrever uma pequena mecha de cabelo quando eu saía do carro.” 

Em Cabul, cidade dominada pelo medo, o que Harriet Logan ouviu e registrou foram relatos de mulheres de personalidade forte, que não se deixavam abater pelo regime autoritário. Era um perigo para a visitante e as mulheres do país. Entre uma casa e outra, ela cobrir o rosto com a burkha, que só tirava quando entrava nas casas. Também usava sapatos emprestados pelas mulheres, para ninguém notar que ela não era afegã. O risco valeu a pena, como se pode ver nas páginas de Mulheres de Cabul. Algumas das mulheres ouvidas e fotografadas em 1997 foram novamente visitadas por Harriet após a queda do Taleban, em 2001. 

Logo que Harriet entrou no quarto frio da professora Zargoona, que lecionava física antes do regime do Taleban, a afegã começou a chorar. A profissão fora proibida para mulheres. “Nós, professoras, continuamos preparando testes e provas, que eu levava até a escola para entregar aos alunos. Mas os Talebans me descobriram e ameaçaram. ‘Se você voltar aqui, vamos cortar suas pernas para que não posa mais andar’.” Quando Harriet a reecontrou em 2001, Zargoona – magra e trêmula – voltou a chorar. Estava com câncer e não tinha dinheiro para o tratamento e remédios.

Foi um outro mundo o que Harriet encontrou em Cabul após a partida do Taleban. Objetos proibidos ressurgiam. Os mercados exibiam TVs, câmeras de vídeo e fitas cassete. As lojas tinham as paredes cheias de pôsteres e cartões-postais de cantores indianos e de Kate Winsler, “que parecia ser muito popular após o grande, apesar de clandestino, sucesso de Titanic no Afeganistão”. A fotógrafa encontrou um céu decorado por centenas de pipas, “muitas delas feitas de simples sacos plásticos com fotos do Rambo.”

Mas não foi somente isso que chegou a atenção da inglesa. As mulheres ainda usavam burkhas, ao contrário do que se esperava no Ocidente. “A mudança está acontecendo lentamente, em parte devido à reação dos homens ao ver mulheres descobertas em público, pela primeira vez em cinco anos.” 

Sanam, uma garota de nove anos, que sonha em ser médica, pôde comemorar os novos tempos de liberdade com sua boneca chamada Sadaf. “Agora posso passear com a minha boneca sem medo”, disse. “Quando os Talebans estavam aqui, eu precisava esconder minha boneca atrás de mim, porque se eles a encontrassem, teriam me batido.” 

A professora e supervisora das escolas de Cabul Nahed, de 32 anos, não quer que o Taleban exista mais. Um dia ela e outras mulheres apanharam porque estavam com os rostos descobertos [com as burkhas erguidas] num ônibus. “A polícia do Vício e Virtude nos avistou de alguma forma, apesar das cortinas, entrou no ônibus e bateu em todas nos com bastões.”  

O trabalho fotográficos de Harriet Logan circula pelo mundo inteiro, em revistas como London Sunday Times Magazine, Fortune, Marie-Claire e Elle. Harriet tem fotos expostas em vários países da Europa e nos Estados Unidos. E pode ser admirado agora também em Mulheres de Cabul.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Piloto de Hitler entra na lista dos mais vendidos da Veja

Piloto de Hitler entra na lista dos mais vendidos da Veja

O livro O Piloto de Hitler, a vida e a época de Hans Baur, (R$ 39,90), do norte-americano C. G. Sweeting, publicado pela Geração Editorial, entrou na lista dos mais vendidos da revista Veja, nesta semana. A obra está na 15ª posição e já figura em outras classificações importantes, como da livraria Laselva, Livraria da Folha e Publishnews.

Em O Piloto de Hitler é possível enxergar por um novo ângulo a figura de Adolf Hitler. Quem conta os detalhes é o piloto Hans Baur, que conviveu com o Füher e esteve ao seu lado durante o fortalecimento do nazismo até a morte do carrasco nazista. Baur era a sombra do nazista no céu. Viveu os momentos infernais que incendiaram a Europa. Ele acima de tudo amava o Füher e os aviões.

Esse é um livro que faltava sobre as duas guerras mundiais e o inferno do nazismo. C. G. Sweeting resgata nas páginas deste O piloto de Hitler o testemunho privilegiado de um homem fiel ao ditador alemão mesmo depois dos dez anos de sofrimento em masmorras e campos de prisioneiros da União Soviética.

O piloto de Hitler- A vida e a época de Hans Baur
Autor: C. G. Sweeting
Formato: 15,5×22,5
Páginas: 440
Categoria: Biografia
ISBN: 978-85-63420-04-6
Código de barras: 978-85-63420-04-6
Preço: R$39,90

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

MEU PAI, por Luiz Fernando Emediato

Há alguns anos, publiquei no Caderno 2 do Estadão uma crônica sobre meu pai aventureiro, um herói anônimo de nosso pais. Ele morreu em 2006, com 80 anos – muito jovem, para os padrões de nossa família, cujos membros começam a envelhecer aos 70 e morrem, geralmente de algum acidente, entre os 98 e 104 anos. Na véspera do Dia dos Pais, republico aqui aquela crônica.

Houve um tempo em que odiei meu pai. Eu era adolescente, um jovem triste com idéias suicidas e uma justificada revolta contra o mundo contraditório e injusto que só então começava a conhecer verdadeiramente. A descoberta da realidade foi sem dúvida um choque. E naquele tempo, por razões que só mais tarde pude compreender, eu odiei meu pai.

Meu pai era um homem gordo e aventureiro, desprendido da família, que gastou a melhor parte de sua vida correndo atrás de sonhos. Era um homem rude que arou a terra, plantou, colheu e perdeu. Escavou o solo atrás de ouro e diamantes e nada achou. Varou o mundo. Voltou de mãos vazias, mas sólido como um carvalho.

Em 1964, foi expulso de Brasília – para onde tínhamos ido, em busca da terra prometida – acusado de subversivo, janguista e comunista, ele que de política entendia tanto quanto a maior parte dos pobres e desinformados brasileiros. De desgraça em desgraça, meu pai acabou sem a família, separado da mulher e dos filhos, vendendo churrasquinho, doente e solitário numa rua do interior de Minas.

Foi então que aprendi a amar meu pai. O que teria acontecido entre nós?

Hoje, distanciado de tudo aquilo, e com marcas tão dolorosas quanto as que meu velho pai sem dúvida possuía em todo o corpo, penso que ser pai é uma atividade amarga e doce, com toda a sua carga de alegria e tristezas, mas de qualquer forma algo maravilhoso, se temos sorte ou não fechamos os olhos e o coração às duras verdades da vida.

Devo ter odiado meu pai porque ele nos amava de uma maneira especial, tão especial que poucos de nós, seus filhos, fomos capazes de compreender. Na infância, suas longas ausências e suas febris atividades o afastaram de nós, e sem dúvida tal carência marcou os pequeninos corações de seus filhos abandonados.

Acho que na adolescência tudo isso desaguou no ódio que sua grande ausência provocou. Mas, de repente, como numa iluminação, percebi que suas ausências não eram na verdade ausências: que, mesmo distante, ele, nosso pai, sempre estivera perto de nós, pois a presença dele era tão forte que não necessitava de seu corpo próximo de nós para que a sentíssemos.

Costumamos admirar os homens quando eles alcançam grandes sucessos na vida, tornam-se brilhantes, famosos, legendários, heróis. Aprendi a amar meu pai quando percebi que ele sempre fracassara em todos os seus projetos e que seria sempre um anônimo e sofrido cidadão brasileiro. Nenhuma de suas quedas o abateu, nem mesmo as mais terríveis, e quando vi a patética força humana que emanava daquele corpo descobri, entre lágrimas, que meu pai era um grande homem. Ele nada conseguira na vida, mas sua luta foi tão soberba que seria impossível não admirá-lo.

Assim como o Quixote, meu pai pertencia a essa classe de visionários sem os quais o mundo não anda. As pessoas comuns costumam considerar tais homens como loucos, ovelhas desgarradas, anormalidades. Pois eu digo que a História não se faz sem estes andarilhos anônimos, essas pequenas vidas que passam pelo mundo sem que ninguém perceba – mas é com seu anônimo esforço, multiplicado por um milhão, ou por um bilhão, que se faz a História de todos os homens.

Em 1984 eu escrevi um livro, “O Outro Lado do Paraíso”, e dediquei-o a meu pai. Foi o início da reconciliação. É o livro da vida dele, um livro escrito por um filho emocionado que se redimiu daquele ódio escrevendo não só sobre o que tinha sido, mas também sobre o que poderia ter sido se os homens fossem mais francos e se entre eles houvesse diálogo para acabar com toda a dor, toda a incompreensão, toda a injustiça.

Fui amigo de meu pai e ele foi meu amigo. Na solidão anônima de sua velhice apagada numa cidade de Minas Gerais, ele continuava, no entanto, grande, poderoso, correndo ainda atrás de sonhos, miragens, delírios. Ilusões. Mas o que mais nos mantém erguidos num mundo em que só a utopia, e mais nada, merece verdadeiramente nossa atenção?

Tenho três filhos adultos – Alexandre, Rodrigo e Fernanda – e um de seis anos, Antonio, e fico imaginando o que ele, Antonio, pensará de mim dentro de alguns anos, quando chegar à adolescência e começar a fazer perguntas mais profundas e intensas que as que já faz hoje, tão infantis, mas tão certeiras. Assim como meu pai, também eu persigo minhas miragens, meus sonhos – também eu me afasto inevitavelmente de meus filhos, subjugado pela força poderosa dos projetos quase irrealizáveis.

A carência humana é um poço sem fundo que jamais se completa.

Mas eu espero que, quando chegar o grande momento da verdade, meus filhos saibam compreender-me, e eu a eles, como compreendi meu pai, e como meu pai me compreendeu – mas também espero que eles me compreendam mais cedo (e eu a eles), para que não soframos, ou soframos menos.

Agora, quando mais uma vez o comércio – que pensa mais em lucros que propriamente em amor – explora esse Dia dos Pais, eu me pergunto se tal data não pode ser também um pretexto (mais um) para que meditemos a respeito de nós mesmos, nossos relacionamentos, nossos erros, nossa intolerância, e descubramos o difícil caminho do amor.

É com palavras que se constrói o diálogo capaz de aproximar e de unir as pessoas. Por timidez, covardia ou preguiça, muitas vezes hesitamos em abrir para o outro nossos duros corações. Mas nada é mais rico e gratificante do que a compreensão que vem daí – do diálogo amoroso – e nada torna o homem mais feliz e rico do que a sinceridade, a descoberta de que nem tudo aquilo que sentimos ao longo de tantos anos era verdadeiro.

Sim, houve um tempo em que odiei meu pai. Foi fascinante descobrir que sempre o amei.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Autor de “Operação Hurricane” ministra palestra na PUC – SP

Livro-bomba e polêmico

O desembargador federal J.E. Carreira Alvim, autor do polêmico Operação Hurricane, um juiz no olho do furacão, ministrará palestra, na segunda-feira, (15/08), para os alunos do curso de Direito e interessados da Pontifícia Universidade Católica (PUC), no Campus Perdizes.

O evento está previsto para começar às 20h, no auditório 239, no 2° andar. O magistrado vai apresentar para os estudantes os bastidores da sua prisão (sem provas), da elaboração livro e sobre a sua carreira de juiz.

Sobre Carreira Alvim:

O desembargador Carreira Alvim não é somente um magistrado. Ele doutorou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, e, antes de ingressar na magistratura federal, no Rio de Janeiro, atuou no então Tribunal Federal de Recursos em Brasília, como procurador da República, no primeiro concurso público havido no País. Desde o início da sua vida forense, atuou como advogado, dedicando-se também ao magistério, lecionando Direito Processual Civil. Além disso, é autor de dezenas de obras jurídicas de grande aceitação pelos operadores do direito, como Teoria Geral do Processo, já na 14ª edição, e uma coleção em dezesseis volumes dos “Comentários ao Código de Processo Civil Brasileiro”.

SERVIÇO:

Palestra: Operação Hurricane, um juiz no olho do furacão

Quando: Segunda-feira (15/08)

Onde: PUC

Auditório 239

Rua Monte Alegre, 984, Perdizes

“Operação Hurricane”: um juiz no meio de um furacão cheio de perversidade, escândalo e mentiras

Neste livro impressionante, publicado pela Geração Editorial, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim desmonta a farsa que o levou à prisão em 2007, revela os bastidores da Justiça brasileira, denuncia policiais, procuradores e juízes  poderosos e clamar por justiça

Quatro anos depois de ter sido preso e desmoralizado injustamente, com transmissão direta pela Rede Globo, apesar do “segredo de justiça” da operação, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim publicou, pela Geração Editorial, o livro Operação Hurricane – um juiz no olho do furacão, em que desmonta o que chama de farsa montada pela Polícia Federal – farsa aceita pela Justiça e pela mídia, o que o impediu de ser eleito presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e o levou à prisão e à aposentadoria antecipada.

Em relato claro, didático, detalhado e impressionante pelas revelações que desnudam os bastidores da Justiça brasileira, Carreira Alvim conta seu calvário, busca as razões de ter sido preso por crimes que não praticou, indaga por que seus direitos de magistrado não foram respeitados e denuncia ter sido vítima de uma conspiração odiosa, tramada por altas autoridades da justiça e da polícia. Estranhamente, seu processo está parado desde 2007 no Supremo Tribunal Federal – STF.

Ele foi preso sob a acusação – inverídica, segundo ele – de ter recebido pagamento para autorizar o funcionamento de casas de bingo no Rio de Janeiro e integrar uma quadrilha que beneficiava os donos das casas de jogo. Teve sua vida devassada pela Polícia Federal e pelo Fisco, mas nada contra ele foi encontrado. Apesar disso, foi afastado do Tribunal Regional Federal e aposentado.

Mais informações em www.geracaoeditorial.com.br

Contato Assessoria de Imprensa

Adriana Carvalho – Adriana@geracaoeditorial.com.br

Willian Novaes –  wnovaes@geracaoeditorial.com.br

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized