Arquivo do mês: dezembro 2011

PAPAI NOEL ATUALIZADO

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No Correio Braziliense: A encruzilhada de José


Por Denise Rothenburg

A ENCRUZILHADA DE JOSÉ


Serra nunca esteve tão emparedado na política. Se não for candidato a prefeito, será acusado de ter dado as costas ao PSDB. Se concorrer _ e vencer __ estará “preso” em 2014. Se perder, permanece no fim da fila presidencial        

Nos bastidores da política, nunca se falou tanto do ex-governador de São Paulo, José Serra. Uns dizem que ele precisava fazer uma terapia para parar de reclamar de tudo e de todos. Outros consideram um absurdo a forma como o PSDB o trata. Para completar, apareceu o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr jogando mais lenha na fogueira com denúncias do tempo da privatização.

    Ora, livros reportagens sempre foram publicados sobre um ou outro assunto. Só na época em que Fernando Collor sofreu um processo de impeachment foram pelo menos três com as peripécias de seu governo. José Sarney, Antonio Carlos Magalhães, Lula, todos já foram personagens de livros que não eram necessariamente uma biografia.

    O que está em jogo dentro do PSDB não é um livro, é o futuro, independentemente de livros de quem quer que seja. Afinal, fala sério: a maioria do eleitorado vive no Brasil real e não nas redes sociais. Embora sejam uma ferramenta importante, ainda não são o fator preponderante nas eleições. E, para este futuro, o caminho na maioria das conversas partidárias é buscar o novo. E, no caso dos tucanos, o novo, dizem eles, é o senador Aécio Neves (MG). Muitos se arrependeram de não ter dado a Aécio a candidatura à Presidência da República em 2010, deixando a Serra o papel de representar o partido no governo de São Paulo, como candidato à reeleição.

    Serra, entretanto, não pensa assim. Tem dito a amigos que parte de suas agruras se devem ao seu partido que não o apoiou como deveria em 2010. Agora, quer um espaço para percorrer o Brasil e voltar a ser candidato a presidente em 2014. Sua aposta tem sido a de que a economia dará sinais de fadiga, assim como o governo do PT, apesar da alta popularidade da presidente Dilma Rousseff. Aécio, na visão de Serra, não conseguirá se tornar um nome nacional. Aí, a candidatura cairá no colo dele como um presente de papai Noel.

     Ocorre que, para convencer o comando tucano dessa perspectiva, Serra teria que jogar para o time. Ser humilde como foi o jovem Neymar ontem ao final do jogo contra o Barcelona. Serra cresceu na derrota de 2002, quando ninguém esperava que ele chegasse ao segundo turno e chegou. Cresceu na prefeitura de São Paulo, no governo estadual. Mas, saiu menor da última campanha presidencial, onde, na reta final, deixou de discutir o Brasil.

     Hoje, Serra tem alta rejeição entre os paulistanos e, dentro do PSDB, é visto como alguém que, em campanha, não ouve os aliados. Dia desses, em Brasília, o primeiro-secretário da Câmara, deputado Eduardo Gomes, brincou que o slogan está pronto: “vote no Serra, só ele vai reclamar”.

     Atualmente, Serra tem mesmo do que reclamar. Nunca esteve tão emparedado na política. É a encruzilhada. Se deixar de ser candidato a prefeito, pode ser acusado lá na frente de ter dado as costas ao partido. Se concorrer, estará fadado a permanecer na prefeitura por  quatro anos, se vencer; e liquidado, se perder. Por isso, quer ficar fora dessa disputa e aguardar a próxima, onde as opções de cenário nacional são maiores. Faz sentido.

     Serra se mira no exemplo de Lula que ficava sem mandato entre uma eleição presidencial e outra. Mas há uma grande diferença aí: Lula era __ e ainda é __ chamado por todo o PT para as campanhas municipais, era alavancado e alavancava seu partido. No palanque, ao falar com as pessoas, conquistava corações, ia para o meio do povo.

      O PSDB não se mostra disposto a dar a Serra tantos palanques pelo Brasil no ano da sucessão municipal. O partido prefere aproveitar essa fase para testar e tentar popularizar Aécio. E, de mais a mais, há um sentimento entre os tucanos de que, se continuarem jogando sua força na disputa interna, alguém pode ultrapassá-los. Hoje, os tucanos ocupam o segundo lugar, mas muitos deles não esquecem do desempenho de Marina Silva, do PV, na eleição passada. Se vier alguém com mais musculatura política, podem perder a posição.

     O primeiro lugar hoje é do PT, dada a popularidade da presidente Dilma Rousseff, melhor do que a de Lula e a de Fernando Henrique Cardoso ao final do primeiro ano de mandato. Se nada mudar, é bem provável que o fim da encruzilhada de Serra seja mesmo ficar em São Paulo e encerrar a sua carreira na província.

Coluna Entrelinhas publicada na edição de hoje do Correio Braziliense

http://www.dzai.com.br/blogdadenise/blog/blogdadenise

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A Privataria Tucana é destaque na imprensa estrangeira

A Privataria Tucana ganhou destaque no La Jornada, maior jornal de esquerda do mundo, com tiragem de 150 mil exemplares.

http://www.jornada.unam.mx/2011/12/22/opinion/028a1mun

Libro denuncia privatizaciones y molesta a los medios de Brasil
 
Marco Aurélio Weissheimer*
 
El libro A privataria tucana**, del periodista Amaury Ribeiro Junior, trajo de vuelta al debate político brasileño el proceso de privatizaciones liderado por el gobierno del ex presidente Fernando Henrique Cardoso. Producto de 12 años de trabajo, el libro denuncia la existencia de un esquema de corrupción y lavado de dinero que habría sido armado alrededor de importantes líderes del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB), entre ellos el ex ministro de Planeamiento y de Salud, ex gobernador de Sao Paulo y ex candidato a presidente de la República José Serra, que en el gobierno de Fernando Henrique Cardoso, comandó, como ministro de Planeamiento, el proceso de privatizaciones, especialmente en el sector de las telecomunicaciones.

El libro se transformó en un fenómeno en las redes sociales y una piedra en el zapato de la prensa brasileña. A pesar de haberse agotado la primera edición, de 15 mil ejemplares en cerca de cuatro días, los principales vehículos de comunicación del país adoptaron un silencio ensordecedor sobre el tema. Sólo en los últimos días, una semana después que el libro se convirtió en uno de los temas más debatidos en Internet, los llamados grandes medios comenzaron a hablar del libro de manera un tanto insólita, a saber, priorizando la versión de los acusados.

Hasta el último viernes, según informaciones de la editorial Geração, unos 50 mil ejemplares ya habían sido vendidos –en siete días– y otros 30 mil están llegando a las librerías en los próximos días.

Publicado por Geração Editorial, el libro de 343 páginas relata lo que llama “verdadera piratería practicada con dinero público en beneficio de fortunas privadas, por medio de las llamadas offshores, empresas de fachada del Caribe, región tradicional e históricamente dominada por la piratería”. La publicación tiene un elemento explosivo adicional, relacionado con las disputas internas en el PSDB. El autor dice que el punto de partida de la investigación ocurrió cuando trabajaba en el diario Estado de Minas y recibió la misión de hacer un reportaje investigativo sobre una red de espionaje que habría sido estimulada por José Serra para producir un dossier en contra del ex gobernador de Minas Gerais Aécio Neves, que estaría manteniendo algunos romances discretos en Río de Janeiro. Ese dossier tendría la finalidad de desacreditar a Aécio Neves en la disputa interna con Serra, por la indicación del candidato del PSDB a las elecciones presidenciales de 2010.

Esa pauta inicial, relata Ribeiro Junior, terminó conduciéndolo a una investigación mucho más amplia, implicando a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex tesorero de las campañas de José Serra, y Fernando Henrique Cardoso, el propio Serra y tres de sus parientes: Verónica Serra, su hija, el yerno Alexandre Bourgeois y el primo Gregorio Marín Preciado. El resultado de esa investigación es un relato sobre la trayectoria que habría sido recorrida por el dinero ilícito, de las offshores y las empresas de fachadas en Brasil, y la consecuente internación de ese dinero que habría ido a parar en las fortunas personales de los implicados.

La investigación del periodista terminó alcanzando también al Partido de los Trabajadores (PT). En el último capítulo, Amaury Ribeiro Junior relata un episodio de espionaje interno de la campaña presidencial de 2010, que habría sido montado por el actual presidente del partido, Rui Falcão, para derribar al grupo ligado a Fernando Pimentel, actual ministro del Desarrollo, Industria y Comercio Exterior. Además de eso, indica que el PT, en el primer año del gobierno de Luiz Inácio Lula da Silva habría retrocedido en las investigaciones de la Comisión Parlamentaria de Investigación (CPI) del Banco del Estado de Sao Paulo (Banestado), que investigaba la existencia de esquemas de lavado de dinero, involucrando a importantes figuras de la vida política brasileña.

Pero el tema central del libro es realmente el proceso de privatizaciones, que ya fue objeto de varias denuncias en los últimos años, pero nunca con la mucha documentación presentada por Amaury Ribeiro Junior Una gran parte de esos documentos tiene como origen la CPI del Banestado, que suministró informaciones sobre la existencia de un proceso de lavado de dinero que habría sido obtenido ilegalmente de las privatizaciones. Ese es el punto de partida del texto, que se extiende hasta las elecciones presidenciales del año pasado.

El comportamiento silencioso es diferente del adoptado por los medios brasileños en los últimos meses, que se dedicaron a la publicación de sucesivas denuncias contra ministros del gobierno de la presidenta Dilma Rousseff. En su gran mayoría, basadas en afirmaciones hechas por terceros, esas denuncias no siguieron la regla que ahora los grandes medios dicen utilizar para adoptar una posición de cautela con respecto al libro: Necesitamos averiguar la veracidad de las denuncias antes de publicar algo.

Sin embargo, la aplastadora presión del tema a través de redes sociales, blogs, portales de izquierda y la revista Carta Capital –que publicó su nota de tapa sobre el libro–, terminó por producir fisuras en el bloqueo de los medios. El jueves (15) el periódico Folha de Sao Paulo, ligado a Serra, publicó una nota sobre el tema, destacando las declaraciones de los acusados que buscan descalificar al periodista y sus denuncias. En el mismo día, coincidentemente, el ex presidente Fernando Henrique Cardoso y el PSDB divulgaron una nota oficial calificando las denuncias como calumniosas.

Mientras tanto, en la Cámara de Diputados Protógenes Queiroz anunció el jueves haber obtenido las 173 firmas necesarias para instalar una comisión parlamentaria de investigación de la Privataria Tucana, destinada a investigar fraudes en el proceso de privatizaciones del gobierno de Fernando Henrique Cardoso. El pedido será protocolado la semana próxima.

* Editor jefe de Carta Maior

** Privataria Tucana es un neologismo que mezcla las palabras privatización más piratería, y tucana se refiere al pájaro tucán, símbolo del PSDB

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Debate: “A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia” e Coquetel de Lançamento

Um dos assuntos mais comentados nos últimos dias, o livro “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro Jr, será tema do debate “A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia”, promovido pelo Barão de Itararé, nesta quarta-feira (21). Além do autor, também estarão presentes Paulo Henrique Amorim, jornalista e blogueiro, e Protógenes Queiroz, deputado autor do pedido da instalação da CPI da Privataria.

Na ocasião, também haverá o coquetel de lançamento do livro. O evento acontece no Sindicato dos Bancários de São Paulo , a partir das 19h.

Para quem não puder comparecer e quiser acompanhar, o site do Sindicato dos Bancários transmite o debate ao vivo.


Debate “A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia”

Participantes:

Amaury Ribeiro Jr., jornalista e  autor do livro “A privataria tucana”
Paulo Henrique Amorim, jornalista e blogueiro
Protógenes Queiroz, deputado e autor do pedido da instalação da CPI da Privataria

21 de dezembro, quarta-feira, a partir das 19h.

Sindicato dos Bancários de São Paulo
Rua São Bento, 413
São Paulo – SP

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A Privataria Tucana, ganha uma página em jornal português

Para ler a matéria na íntegra clique aqui Privataria em Portugal

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Privataria Tucana é destaque no JT de domingo

Clique no link para ler a matéria inteira JT181211-privataria

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O ano em que um livro desmascarou a imprensa

A PRIVATARIA TUCANA

Por Ricardo Kotscho em 20/12/2011 na edição 673

“Se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu”. (Slogan de um antigo jornal de São Paulo, nos tempos pré-internet, que ainda inspira muitos jornalistas brasileiros).

Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem a história da velha mídia brasileira, certamente vão reservar um capítulo especial para o que aconteceu em 2011.

Foi o ano em que um livro desmascarou o que ainda restava de importância e influência da chamada grande imprensa na formação da opinião pública brasileira.

O suicídio coletivo foi provocado pelo lançamento de um livro polêmico, A Privataria Tucana, do premiado repórter Amaury Ribeiro Júnior, com denúncias sobre o destino dado a bilhões de reais na época do processo de privatização promovido nos anos FHC.

Como envolve personagens do alto tucanato em nebulosas viagens de dinheiro pelo mundo, o livro foi primeiro ignorado pelos principais veículos do país, com exceção da revista CartaCapital e dos telejornais da Rede Record.

Nos dias seguintes, os poucos que se atreveram a tocar no assunto se limitaram a detonar o livro e o seu autor. Sem entrar no mérito da obra, o fato é que, em poucos dias, A Privataria Tucana alcançou o topo dos livros mais vendidos do país e invadiu as redes sociais, tornando-se tema dominante nas rodas de conversa do Brasil que tem acesso à internet.

No fim de semana, o fenômeno editorial apareceu nas listas de jornais e revistas, mas não mereceu qualquer resenha ou reportagem sobre o seu conteúdo.

Livro apagado

Em 47 anos de trabalho nas principais redações da imprensa brasileira, com exceção da revista Veja, nunca tinha visto nada igual, nem mesmo na época da ditadura militar, quando a gente não era proibido de escrever, apenas os censores não deixavam publicar.

Foi como se todos houvessem combinado que o livro simplesmente não existiria. Esqueceram-se que há alguns anos o mundo foi revolucionado por um negócio chamado internet, em que todos nos tornamos emissores e receptores de informações, tornando-se impossível esconder qualquer notícia.

O que mais me espantou foi o silêncio dos principais colunistas e blogueiros do país – falo dos profissionais considerados sérios –, muitos deles meus amigos e mestres no ofício, que sempre preservaram sua independência, mesmo quando discordavam da posição editorial da empresa onde estão trabalhando. Nenhum deles ousou escrever, nem bem nem mal, sobre A Privataria Tucana, com a honrosa exceção de José Simão.

Alguns ainda tentaram dar alguma desculpa esfarrapada, como falta de tempo para ler e investigar os documentos publicados no livro, mas a grande maioria simplesmente saiu por aí assobiando e mudando de assunto.

O que aconteceu? Faz algum tempo, as entidades representativas da velha mídia criaram o Instituto Millenium, uma instituição voltada à defesa dos seus interesses e negócios, o que é muito justo.

Sob a bandeira da “defesa da liberdade de expressão”, segundo eles sempre ameaçada por malfeitores do PT e de setores do governo federal, os barões da mídia promoveram vários saraus para denunciar os perigos que enfrentavam. O principal deles, claro, era “a volta da censura”.

Pois a censura voltou a imperar escandalosamente na semana passada, só que, desta vez, não promovida por órgãos do Estado, mas pelas próprias empresas jornalísticas abrigadas no Millenium, que decidiram apagar do mapa, não uma reportagem ou uma foto, mas um livro.

Briga com os fatos

O episódio certamente será um divisor de águas no relacionamento entre a grande imprensa e seus clientes. Por mais que cada vez menos gente acreditasse nessa conversa, seus porta-vozes sempre insistiam em garantir que a mídia grande era independente, apartidária, isenta, preocupada apenas em contar o que está acontecendo e denunciar os malfeitos do governo, em defesa do interesse nacional e da felicidade de todos.

Agora, caiu definitivamente a máscara. Neste fim de semana, ouvi de várias pessoas, em diferentes ambientes, que vão cancelar assinaturas de publicações em que não confiam mais.

Como jornalista ainda apaixonado pela profissão, fico triste com tudo isso, mas não posso brigar com os fatos. Foi vergonhoso ver o que aconteceu e não deu para esconder. Graças à internet, todo mundo ficou sabendo.

E agora? O que vão dizer aos seus ouvintes, leitores e telespectadores?

***

[Ricardo Kotscho é jornalista]

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A Privataria Tucana destaque na imprensa Argentina

http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-183921-2011-12-22.html

EL MUNDO › OPINION

Privatización y piratería

 Por Marco Aurélio Weissheimer *

El libro A privataria tucana (1), del periodista Amaury Ribeiro Jr., trajo de vuelta al debate político brasileño el proceso de privatizaciones liderado por el gobierno del ex presidente Fernando Henrique Cardoso. Producto de doce años de trabajo, el libro denuncia la existencia de un esquema de corrupción y lavado de dinero que habría sido armado alrededor de importantes líderes del PSDB (Partido de la Social Democracia Brasilera), entre ellos el ex ministro de Planeamiento y de Salud, ex gobernador de San Pablo y ex candidato a presidente de la República José Serra, que en el gobierno de Fernando Henrique Cardoso comandó, como ministro de Planeamiento, el proceso de privatizaciones, especialmente en el sector de las telecomunicaciones.

El libro se transformó en un fenómeno en las redes sociales y una piedra en el zapato de la prensa brasileña. A pesar de haberse agotado la primera edición, de 15.000 ejemplares, en cerca de cuatro días, los principales vehículos de comunicación del país adoptaron un silencio ensordecedor sobre el tema. Solamente en los últimos días, una semana después de que el texto se convirtiera en uno de los temas más debatidos en Internet, los llamados grandes medios comenzaron a hablar del libro de una manera un tanto insólita, a saber, priorizando la versión de los acusados.

Hasta el último viernes, según informaciones de la editorial, unos 50.000 ejemplares ya habían sido vendidos –en siete días– y otros 30.000 están llegando a las librerías en los próximos días.

Publicado por Geraçao Editorial, el libro de 343 páginas relata lo que llama “verdadera piratería practicada con dinero público en beneficio de fortunas privadas, por medio de las llamadas off-shores, empresas de fachada del Caribe, región tradicional e históricamente dominada por la piratería”. La publicación tiene un elemento explosivo adicional, relacionado con las disputas internas en el PSDB. El autor dice que el punto de partida de la investigación ocurrió cuando trabajaba en el diario Estado de Minas y recibió la misión de hacer un reportaje investigativo sobre una red de espionaje que habría sido estimulada por José Serra para producir un dossier en contra del ex gobernador de Minas Gerais Aécio Neves, que estaría manteniendo algunos romances discretos en Río de Janeiro. Ese dossier tendría la finalidad de desacreditar a Aécio Neves en la disputa interna con Serra, por indicación del candidato del PSDB a las elecciones presidenciales del 2010.

Esa pauta inicial, relata Ribeiro Jr., terminó conduciéndolo a una investigación mucho más amplia, implicando a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex tesorero de las campañas de Serra y Cardoso, el propio Serra y tres de sus parientes: Verônica Serra, su hija; el yerno Alexandre Bourgeois y el primo Gregório Marín Preciado. El resultado de esa investigación es un relato sobre la trayectoria que habría sido recorrida por el dinero ilícito, de las off-shores y empresas de fachadas en Brasil, y la consecuente “internación” de ese dinero que habría ido a parar a las fortunas personales de los implicados.

La investigación del periodista terminó alcanzando también al PT (Partido de los Trabajadores). En el último capítulo, Amaury Ribeiro Jr. relata un episodio de espionaje interno de la campaña presidencial de 2010, que habría sido montado por el actual presidente del partido, Rui Falcao, parar derribar al grupo ligado a Fernando Pimentel, actual ministro de Desarrollo, Industria y Comercio Exterior. Además de eso, indica que el PT, en el primer año del gobierno de (Luis Inácio da Silva) Lula, habría retrocedido en las investigaciones de la CPI (Comisión Parlamentaria de Investigación) del Banestado (Banco del Estado de San Pablo), que investigaba la existencia de esquemas de lavado de dinero, involucrando a importantes figuras de la vida política brasileña.

Pero el tema central del libro es realmente el proceso de privatizaciones, que ya fue objeto de varias denuncias en los últimos años, pero nunca con la harta documentación presentada por Amaury Ribeiro Jr. Una gran parte de esos documentos tiene como origen la CPI del Banestado, que suministró informaciones sobre la existencia de un proceso de lavado de dinero que habría sido obtenido ilegalmente de las privatizaciones. Ese es el punto de partida del texto, que se extiende hasta las elecciones presidenciales del año pasado.

El comportamiento silencioso es diferente de aquél adoptado por los medios brasileños en los últimos meses, quienes se dedicaron a la publicación de sucesivas denuncias contra ministros del gobierno de la presidenta Dilma Rousseff. En su gran mayoría, basadas en afirmaciones hechas por terceros, esas denuncias no siguieron la regla que ahora los grandes medios dicen utilizar para adoptar una posición de cautela con respecto al libro: “Necesitamos averiguar la veracidad de las denuncias antes de publicar algo”.

Sin embargo, la aplastadora presión del tema a través de redes sociales, blogs, portales de izquierda y la revista Carta Capital –que publicó su nota de tapa sobre el libro– terminó por producir fisuras en el bloqueo de los medios. El jueves 15, el diario Folha de Sao Paulo, ligado a Serra, publicó una nota sobre el tema, destacando las declaraciones de los acusados que buscan descalificar al periodista y sus denuncias. En el mismo día, coincidentemente, el ex presidente Fernando Henrique Cardoso y el PSDB divulgaron una nota oficial calificando las denuncias como “calumniosas”.

Mientras tanto, en la Cámara de Diputados, el diputado Protógenes Queiroz anunció ese jueves haber obtenido las 173 firmas necesarias para instalar una Comisión Parlamentaria de Investigación de la Privataria Tucana, destinada a investigar fraudes en el proceso de privatizaciones del gobierno de Cardoso. El pedido será protocolado la semana próxima.

Editor Jefe de Carta Maior.

(1) Privataria Tucana: privataria es un neologismo que mezcla las palabras privatización + piratería, y tucana se refiere al pájaro tucán, símbolo del PSDB.

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Privatas entra nas listas dos mais vendidos

O livro A Privataria Tucana entrou nas listas dos mais vendidos da Veja, Época, Folha de S. Paulo, livrarias Saraiva, Fnac e da Folha.

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OMBUDSMAN – Folha de S. Paulo – Lixo ou notícia?

SUZANA SINGER – ombudsman@uol.com.br@folha_ombudsman – 18/12/2011

Folha fez bem em romper o silêncio a respeito da “Privataria Tucana”, que esgotou nas livrarias, mas precisa ainda investigar o que há de revelador no livro

Um silêncio estrondoso, constrangedor, sepulcral, eloquente, criminoso… No total, foram nove adjetivos diferentes, compilados por leitores, para qualificar a mudez da Folha diante do lançamento do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. (Geração Editorial, 343 págs.).

Na quinta-feira, finalmente, o jornal publicou uma reportagem contando algumas das denúncias contidas na obra e apontando o que seriam falhas (folha.com/no1021526). Os que voltaram a se manifestar não estavam satisfeitos: acusavam a Folha de estar mais preocupada em defender José Serra, alvo principal do livro, do que em expor as denúncias do autor.

A tentativa central da “Privataria Tucana” é mostrar os supostos caminhos tortuosos de cifras milionárias movimentadas por pessoas próximas a Serra. Segundo o livro, seria um esquema para “lavar” propina recebida por conta das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Ribeiro Jr. usou documentos da CPI do Banestado, que apurou, entre 2003 e 2004, crimes de evasão de divisas, mas que terminou em “pizza”, sem um relatório final. As denúncias envolvem Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro de campanhas tucanas, o empresário Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de Serra, e Verônica Serra, filha do ex-governador.

Os capítulos finais do livro, porém, são um petardo contra o PT, retratado como um partido engalfinhado em disputas internas.

Para avaliar a qualidade do material publicado, são necessários tempo e um jornalista investigativo experiente. Primeiro, é preciso apontar o que há de novidade, quais são os documentos inéditos, já que muitas denúncias elencadas apareceram na grande mídia na época.

O leitor adepto da teoria do “PIG” (“partido da imprensa golpista”) tomaria um susto no arquivo digital da Folha. A manchete de 25 de maio de 1999 era: “FHC tomou partido de um dos grupos no leilão da Telebrás”. O presidente acusava o jornal de “sensacionalista”. A notícia eram os grampos no BNDES, que revelavam empenho do governo federal em fortalecer um dos consórcios concorrentes. A reportagem ocupava incríveis 12 páginas.

O ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio, que mereceu um capítulo na “Privataria Tucana”, foi capa da “Veja”, de 8 de maio de 2002, sob o título “Quinze milhões na Vale”. A reportagem denunciava um pedido de pagamento de “comissão”, que teria sido feito por Ricardo Sérgio em nome dos tucanos, por ocasião da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, em 1997.

Separado o que for revelador no livro -se houver algo-, cabe à reportagem aprofundar as investigações, mergulhando nos papéis que acabaram esquecidos depois que a CPI do Banestado foi arquivada.

Não dá para ignorar também o relato do que teria acontecido em um dos centros de imprensa da campanha presidencial de Dilma, definido pelos tucanos como “fábrica de dossiês”. Ribeiro Jr. foi acusado de ter encomendado a quebra de sigilo fiscal da filha de Serra e acabou indiciado pela Polícia Federal. O assunto ocupou várias manchetes da Folha em 2010 e até hoje a história está mal contada.

O jornal fez bem em romper o silêncio em torno da “Privataria”, que teve alegados 15 mil exemplares de sua primeira edição esgotados. Foi uma atitude correta, não só como resposta à blogosfera e à parte da mídia que faz publicidade da obra, mas porque é tradição do jornal publicar denúncias, não omiti-las. Foi assim nos governos FHC e Lula e tem sido a praxe com Dilma.

Só que o trabalho ainda não acabou. A Secretaria de Redação diz que o jornal está “em busca de fatos que mostrem aspectos relevantes e desconhecidos do processo de privatização”. “Para isso, pode usar esses e outros documentos como ponto de partida de investigações mais profundas”, afirma.

Ao leitor, resta esperar para saber o que é lixo, como definiu Serra, e o que é notícia ali.

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