Arquivo do mês: junho 2012

A África no palco


Fonte: http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/353412-a_africa_no_palco/edicao:2012-06-23.html

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

O sol que revela o mundo

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Vida de celebridades é retratada em livros e filmes

http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/?Noticia=436750

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Prisões, privatizações e padrinhos – Paul Krugman

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Sombras da noite, o livro


Hoje estreia no Brasil a super produção de Tim Burton, Sombras da Noite, que conta com um incrível elenco.  A história é baseada no famoso seriado cult da década de 70 “Dark Shadows” que marcou a infância de diversas pessoas, entre elas Johnny Depp que interpreta o personagem principal, o vampiro Barnabas.

A Geração Editorial lança o primeiro de dois romances também baseados nessa série que inspirou Tim Burton, a obra é escrita por Lara Parker a atriz que interpretou a sensual e vingativa bruxa Angelique.

PROMOÇÃO:

Serão sorteados 3 exemplares do livro Sombras da noite – A vingança de Angelique. Para participar basta seguir a @geracaobooks e dar RT na seguinte frase:

Promoção: Assista ao livro e leia o filme #sombrasdanoite – a vingança de Angelique. #lançamento da @geracaobooks. http://kingo.to/17MQ

Participe até 26/06 às 23h59. O resultado será divulgado no dia 27/06 às 10h.

Resultado do sorteio

Sorteio realizado em 27/06/2012 às 10:27 por @geracaobooks, através dos usuários que retuitaram o link http://kingo.to/17MQ.

  1. @JuSalles
  2. @lf_campos
  3. @ricamagno

Sobre o livro:

Sombras da noite – a vingança de Angelique
Autora: Lara Parker
Tradutor: William Lagos
Gênero: Literatura norte-americana
Formato: 15,6 x 23cm
Peso: 850g
Págs: 552
ISBN: 9788581300658
Preço: R$ 49,90
Sinopse:
Essa história assombrosa e cult, que arrepiou os norte-americanos nos anos 60 e 70, quando gerou mais de 200 telefilmes na rede ABC, conta a saga do triste vampiro Barnabas Collins, que vive seu drama no século XVIII e acorda, para novos horrores, nos anos 70 — os anos loucos do sexo, das drogas e do rock and roll.
Atrás dele, apaixonada e vingativa, vem a alucinada Angelique, com seu passado de menina prisioneira do próprio pai e cujos sonhos foram destroçados, 200 anos antes, pelo próprio Barnabas.
Essa trama cheia de suspense, amores destroçados, sonhos perdidos, feitiçaria, dramas existenciais, assédio e vingança, além de muito romantismo e muita história, é contada pela atriz e escritora Lara Parker, que interpretou Angelique na série de TV.
Barnabas e Angelique estão de volta também no cinema, interpretados por Johnny Depp e Eva Green, no mais novo filme do excêntrico Tim Burton.

Leia com exclusividade o 1º capítulo: Cap_01_SombradaNoite

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Reencontro com Machados de Assis

Em 21 de junho de 1839, nascia um dos maiores escritores do mundo. E, para celebrar a data revisitamos os 10 melhores contos de Machado e num desafio criativo sem precedentes, 40 autores brasileiros contemporâneos reescreveram esses contos, à luz de hoje, recontando as histórias que Machado tornou eternas. Estão presentes no livro: Rinaldo de Fernandes, Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar, Glauco Mattoso, Pedro Lyra, Fernando Bonassi, entre outros.

Leia um dos contos presentes em “Capitu mandou flores”.

A Cartomante 
por Machado de Assis


Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de Novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: “A senhora gosta de uma pessoa…” Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade…

— Errou! Interrompeu Camilo, rindo.

— Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria…

Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois…

— Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.

— Onde é a casa?

— Aqui perto, na rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.

Camilo riu outra vez:

— Tu crês deveras nessas coisas? perguntou-lhe.

Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muito cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.

Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se, Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.

Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.

Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.

— É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.

Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vente e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.

Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.

Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o cercam.

Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.

Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.

Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.

Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.

— Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a…

Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.

No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.

— Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, — repetia ele com os olhos no papel.

Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando na pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.

Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então, — o que era ainda peior, — eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. “Vem já, já à nossa casa; preciso falar-te sem demora.” Ditas, assim, pela voz do outro, tinham um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéa, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.

— Quanto antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim…

Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.

Camilo reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa, e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa… Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos… Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:

— Anda! agora! empurra! vá! vá!

Daí a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: “Vem já, já…” E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar… Camilo achou-se diante de um longo véu opaco… pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas. A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários; e a mesma frase do príncipe de Dinamarca reboava-lhe dentro: “Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia…” Que perdia ele, se…?

Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para os telhados do fundo. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.

A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:

— Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto…

Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.

— E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma coisa ou não…

— A mim e a ela, explicou vivamente ele.

A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez as cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.

— As cartas dizem-me…

Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável mais cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita… Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.

— A senhora restituiu-me a paz ao espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.

Esta levantou-se, rindo.

— Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato…

E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se fosse mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.

— Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?

— Pergunte ao seu coração, respondeu ela.

Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.

— Vejo bem que o senhor gosta muito dela… E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu…

A cartomante tinha já guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.

Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.

— Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.

E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade… De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: — Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.

A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.

Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.

— Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?

Vilela não lhe respondeu; tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: — ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.

Mais informações sobre o livro aqui.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

A mulher dos sapatos vermelhos e outras histórias

“A mulher dos sapatos vermelhos” é a reunião de 41 crônicas do jornalista Carlos Herculano Lopes.  Esses instantâneos, prenhes de singeleza e observação psicológica, acabam por formar um mosaico que constitui a nossa realidade diária em tudo que esta pode conter de colorido,
multifacetado, familiar, banal, anti-heroico, e, ao mesmo tempo, de surreal, insólito e absurdo, mas sempre com a leveza de tons de alguém que ama a vida, as mulheres, os bate-papos com amigos em bares e outros prazeres simples que, consoante Oscar Wilde, são o último refúgio do complexo.

Leia abaixo o texto O pentelho e o pentelhinho

O rapaz e dois amigos estavam tomando cerveja encostados no balcão de um bar da Rua Tenente Garbo, no Santa Tereza, coração boêmio de Belo Horizonte. Há muito tempo ele não ia àquele bairro, onde havia morado nos seus tempos de estudante, e do qual guardava

as melhores lembranças. Falavam de futebol, de política, das mulheres de Minas, que estão cada vez mais belas, quando de repente chega um homem moreno, ainda novo, e um menino, que era seu filho, como depois ficaram sabendo. Esse devia ter uns cinco anos no máximo e usava um boné com escudo do Cruzeiro.

Àquela hora o bar ainda não estava cheio e o homem, sem cumprimentar ninguém, já foi perguntando se ali se vendia cigarro de palha. Como a resposta foi sim, ele foi querendo saber qual era a melhor marca, porque não queria mata-rato. “Não sei, porque não fumo”, o dono respondeu, sem espichar maiores conversas, enquanto o garçom lhe servia uma cerveja, também sem dar muito papo. Provavelmente já o conheciam de outros carnavais. “Me arranja qualquer um, picado, e uma caixa de fósforos”, disse, como se ordenasse.

O rapaz e seus amigos continuavam encostados no balcão, quando o novo cliente, depois de dar o primeiro gole, foi comentando, dirigindo-se a eles: “Mas essa cerveja está quente, que porcaria…”. Como nenhum rendeu assunto, ele tratou de acender o cigarro, no qual também

foi colocando defeito: era forte demais, o fogo não pegava direito, o fumo estava mal picado. “Uma b.”. Enquanto isso, seu filho, o que usava boné com escudo do Cruzeiro, tratava de atazanar o garçom, tirando pedaços de um pernil que esse estava fatiando, para servir em

uma mesa. “Faz isso não, menino”, falou, olhando para o pai, que não tomou nenhuma providência. “Faço, sim, faço o que quero”, respondeu o guri, mostrando a língua.

“Que dupla!”, um dos amigos disse baixinho, quando o homem, depois de pegar outro “paioso”, porque aquele que lhe venderam estava “intragável”, pediu um pedaço de linguiça e uma “da roça, para esquentar o sangue”. Também naquela branquinha ele não viu nenhuma qualidade. “Já não se fazem cachaças como antigamente”, disse, voltando-se outra vez para os ocupantes do balcão. Como estavam falando sobre o Atlético e da nova fase com Vanderley Luxemburgo, ele foi tratando de dar seu palpite. “Tem jeito para o Galo não, podem trazer qualquer um que o Cruzeirão vai continuar por cima.” Como ninguém esboçou reação, ele se voltou para o dono do bar e perguntou, com um risinho: “Você não concorda, meu chapa?”. Esse fingiu que não ouviu, no momento em que o filho, depois de já ter mascado três

chicletes e cuspido as gominhas no chão, voltou a tirar pedaços em outra porção que o garçom preparava. Novamente, esse olhou para o pai, que apenas sorriu, e disse: “Esse meu bichinho é fogo”.

E a noite foi indo. Os amigos, depois de pedir outra cerveja, começaram a beliscar pedaços de uma carne de sol com mandioca, que era um dos carros-chefes da casa. Mas, também daquela iguaria o homem, sem ser solicitado, falou mal e disse que outra, feita pelo vizinho, “era

infinitas vezes melhor”. O bar, àquelas horas, estava bem cheio e quando o tal foi ao banheiro, onde eu seu filho já havia espalhado no chão os rolos de papel higiênico e deixado as torneiras abertas, o garçom aproveitou para dizer. “Esse é um mala sem alças. Quase todos os dias vem aqui com esse menino, só para encher o saco de todo mundo.” Alguns minutos depois, após comentar com o dono que o movimento naquela noite “estava bem fraquinho”, o pentelho e pentelhinho, como já eram conhecidos no pedaço, foram embora.

PROMOÇÃO:

Siga a @geracaobooks e dê RT na frase para concorrer ao livro “A mulher dos sapatos vermelhos”.

Quero conhecer a mulher dos sapatos vermelhos e outras histórias c/a @geracaobooks. http://kingo.tо/17GT #promo

Participe até 27/06 às 00h. Serão sorteados 3 exemplares no dia 29/06. O resultado será divulgado no blog.

Resultado do sorteio

Sorteio realizado em 29/06/2012 às 11:03 por @geracaobooks, através dos usuários que retuitaram o link http://kingo.to/17GT.

  1. @Ninii_Nhaaa
  2. @alinebelle
  3. @lf_campos

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Rio +20 e Quem somos “nós”?

Vinte anos após a ‘Cúpula da Terra’, realizada em 1992, a ‘Rio+ 20’ é um encontro para a discussão e reflexão sobre o quadro atual mundial e as expectativas e soluções para os próximos vintes anos.

A conferência reúne líderes mundiais, ONGs, ativistas, representantes do setor privado, empresas e outros grupos para debater e determinar as possibilidades de redução da pobreza, preservação do meio ambiente, promoção da justiça social e o desenvolvimento sustentável.

A partir dessa discussão resgatamos a análise do cientista alemão Harald Welzer que informa que a humanidade corre sério risco de viver uma constante guerra devido às consequências das mudanças climáticas nos países e povos.

Segue abaixo um dos artigos que compõe a obra “Guerras Climáticas – Por que mataremos e seremos mortos no século 21”:



Quem somos “nós”?

Ninguém emprega mais a primeira pessoa do plural na exposição de seus argumentos do que os neuro­cientistas, em suas obras didáticas publicadas em torno das variações climáti­cas ou sobre outros problemas ambientais da atualidade. Eles escrevem: “Nós” provocamos isto ou aquilo, “nós” confrontamos este ou aquele problema, “nós” precisamos parar de fazer isto ou aquilo, para que o “nosso” planeta possa ser salvo. Mas ninguém sabe o que está por trás deste “nós”.

Em uma primeira acepção, o termo “nós” representa claramente a huma­nidade, mas a “humanidade” não é nenhum ator, porém uma abstração. Na realidade, ela é composta por indivíduos contados em bilhões, os quais, a par­tir de seus substratos culturais muito diferenciados, com suas possibilidades muito diversas de desenvolvimento e com seus diferentes recursos de poder político, agem dentro de comunidades de sobrevivência complexas. Entre o presidente da diretoria de uma empresa multinacional fornecedora de ener­gia, que está constantemente em busca de novas fontes de matéria-prima e uma camponesa do interior da China não existe nenhum “nós” social que possa ser concretamente localizado; ambos vivem em mundos sociais total­mente diversos e com exigências bastante diferentes e, acima de tudo, os dois raciocinam de forma completamente diferente. E esse presidente da diretoria de uma empresa multinacional compartilha de um futuro na primeira pessoa do plural com seus próprios netos? Mais ainda, terá alguma coisa em comum com os netos da camponesa chinesa? Indiscutivelmente não, quanto mais com a realidade social vivenciada ainda hoje por uma criança refugiada em Darfur ou pelos Muhajeddin do Afeganistão ou mesmo por uma menina albanesa que se prostitui nas ruas de Tirana.

O emprego do pronome “nós” presume uma percepção coletiva da realida­de, que simplesmente não existe, particularmente dentro do contexto de pro­blemas globais como o aquecimento mundial. Em diferentes partes do mundo, as pessoas sofrerão as suas consequências de formas altamente diferenciadas e, enquanto para algumas elas despertam uma preocupação difusa e distante com o futuro abastecimento de seus netos, os filhos de outras já estão morrendo de fome agora. Ou quando “todos nós”, isto é, o leitor ou leitora deste livro e eu mesmo, determinamos viver amanhã em um ambiente de “clima neutro”, em que não produziremos mais emissões de dióxido de carbono além das que se­jam absolutamente necessárias para a manutenção da vida, somos sabotados por um outro “nós”, conforme declarou o funcionário chinês interessado no abastecimento de energia, a “nossa” preocupação é com cada detalhe da neces­sidade de acrescentar semanalmente à rede elétrica mil megawatts produzidos por usinas termoelétricas alimentadas a carvão, que emitem 30.000 toneladas de dióxido de carbono diariamente pela queima desse carvão.49

A indolência política deste “nós” abstrato ignora a influência soberana do poder e de seus efeitos e muito menos controla os posicionamentos ideológi­cos resultantes. Cientificamente, uma descrição do mundo na primeira pessoa do plural não somente é impossível, conforme demonstra indubitavelmente a história cultural da natureza, como assinala as diferenças radicais das necessi­dades de sobrevivência nas diferentes regiões da Terra.

Leia esse capítulo completo:  cap_livro_Guerras_Climaticas.

Mais informações aqui.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Release: Brasil em alta – A história de um país transformado, de Larry Rohter


RETRATO SEM RETOQUES DE UM BRASIL RENASCIDO


Jornalista norte-americano do
New York Times, que Lula quis expulsar do Brasil por criticá-lo, lança livro esclarecedor e altamente informativo sobre a moderna nação brasileira

Escrito com a bagagem cultural de quem estuda o Brasil há cerca de 40 anos, mas também com a imparcialidade e isenção de que só um estrangeiro é capaz, o livro Brasil em alta ­– a história de um país transformado, do conceituado jornalista norte-americano Larry Rohter, pode ser considerado uma enciclopédia em um volume sobre o Brasil moderno.

 Conhecedor do Brasil como poucos brasileiros, demonstrando uma notável familiaridade com a psique da sua sociedade e com o funcionamento de suas instituições, Larry Rohter discorre, neste livro extraordinário e ricamente informativo, sobre a história, os costumes, a economia, o povo, a terra, os recursos naturais, a cultura e a política do Brasil, com especial destaque para as mudanças que, nos últimos 20 anos, transformaram um atrasado país agrícola, arruinado pela hiperinflação e pela ditadura militar, numa emergente potência industrial e oitava economia do mundo, escolhida para sediar a Copa e os Jogos Olímpicos, em 2014 e 2016, respectivamente.

 Com incomparável profundidade de análise, o jornalista também explica por que, apesar de todos esses avanços, esta terra de grandes contrastes e contradições ainda permanece enfraquecida por mazelas sociais que remontam aos tempos da colonização, como clientelismo, fisiologismo e corrupção, forças retrógradas de diversos aspectos da vida brasileira que não só não morreram, como continuam dirigindo os rumos da nação.

Uma dessas contradições foi sentida pelo autor na própria pele ao protagonizar, em 2004, um episódio que demonstrou como, apesar da consolidação da democracia no Brasil, ainda existem políticos brasileiros que atentam contra a liberdade de imprensa. Correspondente do New York Times no Brasil durante muitos anos, Larry Rohter, em um artigo para o seu jornal, criticou o então presidente Lula pelo seu consumo excessivo de bebidas alcoólicas, ao que este, em represália, ordenou que o jornalista fosse expulso do país, utilizando a mesma lei da época da ditadura outrora usada para silenciar o próprio Lula. O presidente acabou tendo de suspender essa ordem, depois que o Superior Tribunal de Justiça emitiu uma liminar, criticando-o severamente por se exceder em sua autoridade. “No Estado democrático de direito não se pode submeter a liberdade às razões de conveniência ou oportunidade da Administração”, estabelecia a liminar. “E aos estrangeiros residentes no país, como aos brasileiros, são assegurados direitos e garantias fundamentais pela Constituição Federal.”

Brasil em alta é composto pelos seguintes capítulos:

1 – Uma história de altos e baixos

2 – Pecado e salvação ao sul do Equador

3 – O mito do paraíso racial

4 – O estilo de vida tropical

5 – Criatividade, cultura e “canibalismo”

6 – Gigante industrial, superpotência agrícola

7 – Energia para queimar: petróleo, etanol e hidreletricidade

8 – Amazônia: nacionalismo e paranoia na selva

9 – Virando um “país sério”

10 – Política depois de Lula e FHC

Na introdução, o autor escreve:

 À medida que o Brasil se torna mais próspero, poderoso e capaz de exercer liderança, seu engajamento com o resto do mundo cresce, bem como o número de razões para que os demais países se importem com o que os brasileiros pensam e fazem. Porém, há muitos aspectos do comportamento brasileiro que são incompreensíveis para os estrangeiros. Por que o Brasil permite a devastação em grande escala da Amazônia, cuja riqueza como ecossistema em funcionamento é vital para todos nós se quisermos evitar o aquecimento global? Por que se ressente tanto diante de sugestões sobre como reduzir essa destruição, especialmente quando vindas dos Estados Unidos? Por que existe tanta violência em suas cidades grandes? Por que uma sociedade construída sobre noções de cordialidade parece fazer vista grossa às terríveis desigualdades baseadas em classe econômica e raça? Por que procurou frustrar os esforços do Conselho de Segurança da ONU no sentido de reprimir o programa nuclear do Irã?

Outras questões cruciais para que o Brasil prossiga em sua rota ascendente são discutidas, e respondidas, neste livro. Entre elas, podemos mencionar as seguintes:

  •   Até onde é verdadeira a imagem que o Brasil tem, no resto do mundo, de terra do Carnaval, do samba, do futebol e da permissividade sexual?
  •  Será verdade que o povo brasileiro não é racista, como asseguram vários sociólogos?
  •  Por que no Brasil é tão difícil afastar políticos corruptos e impedir que continuem a exercer cargos de poder?
  •  De que maneira o famoso “jeitinho” brasileiro acaba sendo mais daninho do que vantajoso ao país?
  •  Por que, apesar do conceito de igualdade ser tão caro aos brasileiros, a sociedade brasileira ainda é uma das mais desiguais do mundo, com distâncias gigantescas entre as classes, as raças e os gêneros?

___________________________________________

Brasil em alta – a história de um país transformado
Autor: Larry Rohter
Tradutor: Paulo Schmidt e Wladir Dupont
Gênero:
Reportagem
Formato: 15,6 x 23cm
Peso: 350g
Págs: 392
ISBN: 9788581300467
Preço: R$ 39,90
Sinopse:
O PAÍS DO FUTURO TORNA-SE O PAÍS DO PRESENTE

 “Ninguém enxerga o Brasil com maior profundidade de análise do que Larry Rohter. Sua compreensão e profundo conhecimento do país fornecem uma visão muito precisa da sua dinâmica e cultura vibrante, bem como da rápida ascensão da sua economia e da sua transição de ditadura para democracia. Qualquer um que deseje conhecer o lugar do Brasil no mundo de hoje, precisa primeiro ler esse livro.”

Paulo Coelho

Reconhecido mundialmente como um dos maiores especialistas em assuntos brasileiros, o conceituado jornalista norte-americano Larry Rohter discorre, neste livro surpreendente e informativo como uma enciclopédia, sobre a história, a economia, o povo, os costumes, a terra, os recursos naturais, a cultura e a política do Brasil, com especial destaque para as mudanças que, nos últimos 20 anos, transformaram um atrasado país agrícola, arruinado pela hiperinflação e pela ditadura militar, numa moderna potência industrial e oitava economia do mundo, mas também explicando por que, apesar desses avanços, a nação continua vitimada pela desigualdade, o clientelismo, o fisiologismo e a corrupção, mazelas sociais que não só não morreram, como ainda dirigem os rumos do país.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Release: Sombras da noite – A vingança de Angelique, de Lara Parker


MAIS FORTE QUE O SOBRENATURAL

 Geração lança o primeiro de dois romances baseados na série cult que também originou o mais novo filme de Tim Burton

 Sombras da noite – A vingança de Angelique, é o primeiro de dois romances baseados na série Dark Shadows, exibida nos Estados Unidos pela ABC-TV entre 1966 e 1971, e depois  retomada em 1991. Considerado hoje um seriado cult, Dark Shadows inspirou também  o filme de Tim Burton que estreia este ano e traz Johnny Depp no papel de Barnabas e Eva Green no de Angelique.

A história começa na segunda metade do século XVIII, na ilha de Martinica, no Caribe, e se estende até os anos 70, nos Estados Unidos. Angelique e Barnabas são os personagens principais. O destino dela começa a mudar drasticamente depois que o pretenso pai a tira da casa, uma humilde choupana, sob a promessa de proporcionar-lhe uma vida melhor. Pelo menos era isso o que a mãe, descendente de escravos, pensava, liberando a filha para seguir o seu caminho aos dez anos de idade.

A partir daí inicia-se uma completa revolução na vida da menina, a começar pela sua vivência entre os escravos que trabalham no engenho de açúcar do pai, onde é forçada a se passar por uma deusa e assistir aos flagelos dos escravos, ao mesmo tempo em que, prisioneira num pequeno quarto, gasta o tempo lendo a obra completa de Shakespeare, além de aprender a arte da feitiçaria, do sobrenatural.

 Ela também terá que se libertar da escravidão branca. Logo depois cairá numa segunda escravidão, a do amor impossível, quando cruza com Barnabas Collins, um jovem burguês conquistador. Angelique é uma das suas presas. Ele a ilude de tal forma que acaba vítima da própria sedução. No desespero de agarrar o seu amado, Angelique lança mão de todos os seus poderes sobrenaturais, aprendidos na senzala, até o ponto em que tudo foge ao controle. Amor se transforma em ódio, vida se transforma em morte, sonhos viram pesadelos.

Um livro de quase 600 páginas, numa linguagem enxuta, concisa, rico em situações, diálogos e fatos históricos. O vampirismo aparece, mas não é o cerne do romance. O aspecto central é a luta por um amor fugidio, tão forte que leva à loucura.

 Este é um livro de arrepiar, mas não tanto de medo. A autora norte-americana Lara Parker — que interpretou a sensual e vingativa Angelique no seriado — trata das paixões que movimentam a vida, tornando-a mais pulsante, pungente e impetuosa. Mesmo que, para isso, alguns personagens se transformem em vampiros, feiticeiros, assassinos. No fundo, todos querem mesmo é ser felizes, apesar dos rumos inesperados que a vida toma.

Sobre a autora:
Nascida em 1937 no Tennessee, EUA, Lara Parker ficou célebre nos anos 70 por interpretar a sensual Angelique no seriado televisivo TV Dark Shadows. Graduada em arte dramática, filosofia e literatura, em 1998 ela escreveu Sombras da Noite – A vingança de Angelique, em que revisita o personagem ao qual deu vida na TV. O sucesso do romance foi tamanho que, pouco depois, Lara escreveu uma sequência, que também será lançada pela Geração.

______________________________________

Sombras da noite – a vingança de Angelique
Autora: Lara Parker
Tradutor: William Lagos
Gênero: Literatura norte-americana
Formato: 15,6 x 23cm
Peso: 850g
Págs: 552
ISBN: 9788581300658
Preço: R$ 49,90
Sinopse:

Amores destroçados, sonhos perdidos, vampiros sem rumo. E uma bruxa linda e apaixonada, com muita sede de vingança.

 Essa história assombrosa e cult, que arrepiou os norte-americanos nos anos 60 e 70, quando gerou mais de 200 telefilmes na rede ABC, conta a saga do triste vampiro Barnabas Collins, que vive seu drama no século XVIII e acorda, para novos horrores, nos anos 70 — os anos loucos do sexo, das drogas e do rock and roll.

Atrás dele, apaixonada e vingativa, vem a alucinada Angelique, com seu passado de menina prisioneira do próprio pai e cujos sonhos foram destroçados, 200 anos antes, pelo próprio Barnabas.

Essa trama cheia de suspense, amores destroçados, sonhos perdidos, feitiçaria, dramas existenciais, assédio e vingança, além de muito romantismo e muita história, é contada pela atriz e escritora Lara Parker, que interpretou Angelique na série de TV.

Barnabas e Angelique estão de volta também no cinema, interpretados por Johnny Depp e Eva Green, no mais novo filme do excêntrico Tim Burton.

Leia o 1º capítulo: Cap_01_SombradaNoite

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized