Arquivo da tag: Homossexual

Release: Morango e Chocolate – Senel Paz

Os personagens libertários de Morango e chocolate

Um é bom, quatro, melhor ainda. É o que se pode dizer de Morango e chocolate, livro de contos do cubano Senel Paz.  O conto que dá título à obra fez grande sucesso no cinema, na década de 90. Agora ele vem acompanhado de outros três de mesma qualidade. São histórias marcantes, personagens idem. Um garoto sensível que recebe a visita do pai pela primeira vez, tendo-o visto apenas em fotografia; a primeira noite de um casal com os nervos à flor da pele; o relacionamento proibido entre um revolucionário e um contrarrevolucionário homossexual (Morango e chocolate), e, por fim, um conto dentro de outro sobre pessoas que vivem na marginalidade, aplicando golpes para sobreviver.

Senel Paz está à frente do seu tempo e sabe que a vida é curta para esperar um regime paternalista abrir a cabeça totalmente. Por isso, seus personagens dizem o que pensam agora, agem como devem agir agora. E fazem isso sem criar provocações ostensivas, de uma maneira natural.

Os quatro contos têm o dom de grudar facilmente em nossas mentes, pois o escritor ora nos caça pela emoção, ora pelo riso, pelas próprias fraquezas humanas. E isso não é simples num mundo de informações altamente deletáveis. Fixar-se no coração ou na mente das pessoas é o sonho de qualquer artista, incluindo os grandes escritores. Depois de ler esta obra, fica fácil lembrar-se de cada uma das histórias e recontá-las aos amigos.

Tudo é fruto de muito inconformismo. A geração de Senel Paz viveu os momentos mais críticos da revolução cubana. Por isso, esses contos traduzem a visão e a voz de uma geração que luta por um país renovado e mais aberto. Ao se referir especificamente à Morango e chocolate, o tradutor Eric Nepomuceno diz que os cubanos, “ao custo de muitos equívocos e muita dor, começam a compreender a necessidade de se defender a dignidade individual, o direito de ser o outro de maneira singular e não apenas plural”.  O próprio papa Bento 16, ao visitar Cuba no dia 27 de março deste 2012, defendeu uma “sociedade renovada, aberta e digna”. E isso sem falar dos que estão presos por defender outro ideal político.

A vida coletiva não pode se sobrepor às peculiaridades humanas. É nesta direção que caminha Senel Paz, abrindo brechas sensitivas para rebater o totalitarismo político. A vida é o grande partido. O Partidão ao qual devemos nos filiar hoje e sempre.

SOBRE O AUTOR:

SENEL PAZ nasceu em Cuba, em 1950. Cresceu no campo, numa família de camponeses semianalfabetos, mas pôde educar -se graças à revolução. Foi o primeiro membro da família que conseguiu terminar o ensino fundamental. Escritor e roteirista de cinema, é autor de contos, romances e peças teatrais traduzidos para 11 idiomas e publicados em 20 países. É também professor de dramaturgia e roteiro cinematográfico, dentro e fora de Cuba. Morango e Chocolate, além de fi lmado, teve 19 versões teatrais.
_____________________________________________________________________________________________________

Morango e Chocolate
Autor: Senel Paz
Formato: 15,6×23
Páginas: 128
Categoria: Literatura Estrangeira
ISBN: 978-85-81300-36-8
Cód. de Barras: 978-85-81300-36-8
Peso: 270g
Sinopse:
Morango e chocolate ficou famoso na década de 90, quando transformou -se em filme de sucesso mundial, indicado para o Oscar. David, jovem revolucionário, conhece Diego, homossexual assumido, patriota e nacionalista. Surge então o dilema: o dever “patriótico” da denúncia ou a aceitação de uma amizade inesperada, que vai abrindo os olhos dos dois para outras concepções de vida e outros valores humanos, como o direito de ser plural e de manifestar -se livremente. A história, que transcorre numa Havana histórica e bela, é um canto à amizade e à tolerância, humanamente calorosa e cheia de espírito. Nesta e nas outras três histórias deste livro comovente, Senel Paz pega o leitor pelo coração, com seus personagens ora cômicos, ora líricos, daqueles que marcam para sempre as nossas vidas.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized