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Poesia Mineirinha

A vida até a última gotaPor Jorge Ferreira

Da minha vida, digo eu
Pra começar:
Não tenho temor à morte,
Doloroso é perder a vida
E os gozos que ela me dá.

Me vejo menino com as suas façanhas.
Um cheiro impregnado no ar
Bicho, gente grande sem maquiagem.
Colerinha, canarinho, pintassilgo,
Meu pai, minha mãe e tio Mirinho.

Quando jovem tomei para mim
O destino humano.
Com meu pendor libertário
Quis salvar o mundo,
Ainda que ele não quisesse.

Virei um homem de causas,
De ensinança.
Furando o couro da realidade.
Tudo que diz respeito ao humano
Vida, criação, natureza,
Ausência do meu irmão,
Povo brasileiro.
Fez parte de minha ação.

Com o tempo, feito cobra
Adquiri outras peles.
Em cada uma delas
Me exerci sempre,
Igual a mim.

Não me arrependo.
Se me fosse dado
Outra vida a viver
Faria o mesmo retrilhar.

Voltaria com vagareza,
A passos contados.
Esporeando o tempo
Mão por mão,
Humanizar‑me‑ia ainda mais.

Sempre tive meus olhos,
E sentimentos
Para o profundo.
Mirei mais para o oceano
Que para a ilha.
Afinal, não vivemos
Para servir?

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O amor em 101 frases inesquecíveis

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Poesias à flor da pele – 1º lugar

Insanidade – por Celena Carneiro
Quando sentiu sua mão
acariciando-lhe a nuca suada
seu corpo ainda dolorido
pediu mais
suas entranhas clamavam
sabia que estava dominada
precisava dele
do cheiro animal que exalava
a pele molhada
a pressão de suas mãos
em seu corpo trêmulo
sua respiração arfava
seu hálito quente
a boca entreaberta roçando-lhe a orelha
balbuciando palavras obscenas
a língua lambendo seu pescoço
os seios comprimidos em suas mãos
seu corpo másculo
impondo um ritmo selvagem
em uma cavalgada desenfreada

Sobre a autora:

Celena Carneiro é pedagoga e professora de literatura. Natural de Uberlândia no Triângulo das Minas Gerais, leva a vida cercada, literalmente, pelos livros, sua grande paixão. Publicou VOLVER, um livro de poesias em 2004. Em 2009 publicou seu primeiro romance, Morde na Bolacha junto com a Goiabada. Agora, no ano de 2012, se prepara para publicar um livro de contos.

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Poesias à flor da pele – 2º lugar

Impávido Desejo –  por Angelo Colesel
olho, olhar…
sinta-me:
creia, eu creio!

duas bocas,
línguas tocantes:
fogo de mel

olhos -relâmpago,
corpos- serpente-
mãos complacentes,
camisa rasgada, calça no joelho:
– sua boca ensanguentada de vampiro
eu ereto,
ereção: heresia.
sua boca sem nexo, busca meu sexo…

suga
treme
intercala

treme
suga
lambe a glande

gemidos…
languidez- (suas mordidinhas!)

pulsa
entorpece
frêmito: o
jato-

seiva de vida-
explosão de prazer,
olhos de inércia:
pacto de vidas!

volta à calma, suave
beijo…
mãos que perdem-se
recomeçar…

Sobre o autor:

Angelo Colesel – natural de Imbituva, Paraná, Professor da Rede Municipal de ensino há 12 anos, Professor de Artes, Artista Plástico, Coordenador da Casa de Cultura e Assessor de Cultura, criador e coordenador do projeto Fazendo Arte, da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Imbituva, atualmente vem colaborando em revistas e jornais com seus poemas e contos.

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Poesias à flor da pele – Menção Honrosa

Parto – por Marina Moura

A poesia nasce pequenina frágil ágil
Vai crescendo entre meus órgãos dilacerados

Urra vagidos no cio da perpétua noite
Nasce escrava atrelada aos grilhões
das palavras apodrecidas no léu  do esquecimento

Ela é o orgasmo que alucina
E o filho que trará o tormento esperado

Missão de quem botou de lado a própria vida para dar vazão a existência outra
Inspiro até ter todos meus pelos do corpo arrepiados
Sua presença, sua suor suado
Lado a lado num universo distante
Quantificado em instantes fragmentados

Sou estático sou elástico
Sou melhor na horizontal
Sou fanático
Atormentado multilado multiângulos
Meu desejo sonâmbulo
Visita-te à noite e devora-te

Perco o ar
E não me canso de me cansar na sua fúria
No seu desgosto, no seu tormento, ferida exposta
É o meu alento saber

Que você existe ainda que insistindo em não me querer
E me corto até sangrar sua presença daqui de dentro

Sem consolo ou decoro eu te quero
E espero  até o fim prematuro

Tenho febre
Absurdo
Cego surdo
Arritmia
Coração atrofiado
A mutilação segue ao lado do meu peito atordoado
A carne incendeia
Espelho meus eus em tristes reflexos multifocais
E queimo e amo o dano e continuo nessa situação:
Falta de ação
Minha tristeza é quase mediúnica e não posso detê-la
– ela me consola, ela me sela, ela me some

Me repele a existência
Me mantém e repele – apela

É questão de vida e morte

“J’apporte la vie et la mort”

Prefiro o artigo definido, o que vive e faz sentido
Não se sujeitando à animosidade do tempo
Ao relento do descontentamento
A poesia habita
A poesia rasga
A poesia destronca
E finca suas hastes no império corpo

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Na coreografia dos amantes – por Fabiano Nunes

eu quero
algum apego
que me pegue

um sossego
que me leve

um amor
que cegue

eu quero
tua pele

teu olhar
de fera
tua atmosfera

eu quero
teu corpo
na coreografia
dos amantes

dos cadentes
dos poentes
das estrelas guias

eu quero
o sabor
das salivas
dos fascínios

das noites
que vão surgindo

eu quero
o perfume
das flores
dos incensos

dos amores
intensos

Sobre o autor:

Fabiano Nunes, 38 anos, jornalista. Já foi repórter dos jornais Agora São Paulo e Diário de São Paulo e atualmente trabalha como repórter do caderno Cidade do Jornal da Tarde.

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14/03 – Dia Nacional da Poesia


O novo meu eu

Passei a sofrer de poesia.

Ando ocupado dela, por ela.

A imaginação invade minha intimidade,

Devassa meu passado

Acompanha‑me no meu trabalho.

Ando mastigando suas pétalas,

Trauteando músicas pelos cantos,

Falando do etéreo, do irreal, dos despojos da vida.

Sempre há uma palavra

Que teima em emergir do fundo d’alma.

Já não quero o remanso, apenas correnteza.

Trôpego, perdi a ideia do próprio corpo

Um médico‑ poeta, amigo meu, já diagnosticou:

Estou doente de poesia.

O pior de tudo, a doença não tem cura.

Não preciso dizer nada nesse meu desbotamento.

Não acredito mais no conforto do bispo

Nem no pobre perdão de Deus.

Agora, vou ficar assim:

Isento de saudade do meu outro eu,

Alheio, sem raiz, nem semente,

Despido da outra memória

Vou ser um andarilho dos meus versos.

Dar largas à imaginação, construir, quimeras,

Ficar concebido pelo pensamento vago,

Entressonhar, dar a seres imaginários

Vida, nomes e habitação

Entregar‑me ao devaneio, embalar ilusões.

Descobri nesse novo meu eu

Que o lençol da poesia é o tempo

E que só somos donos dele

Quando ele se esquece da gente.

Jorge Ferreira – poesia extraída do livro Rio Adentro

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Mês da Poesia com Poemas à flor da pele

Em homenagem ao Dia Nacional da Poesia, em 14 de março, e ao Dia Mundial da Poesia, em 21 de março, a Geração Editorial lança a promoção Poesias à flor da pele. Use a sua criatividade para falar de sexo, paixão, explosão, vida e tudo o que você – poeta – sentir vontade.

Para participar basta enviar sua poesia para o email: imprensa.geracao@geracaobooks.com.br e seguir as regras abaixo:

  • No máximo 3 (três) mil caracteres com espaço
  • Não é preciso ser inédito
  • Tema livre
  • Cada participante pode enviar até 3 poesias
  • Enviar o texto por e-mail até o dia 20/03 (terça-feira), às 23h59.

 Premiação:

1º lugar – Vai receber as obras “No Caminho, com Maiakovski”, “Rio Adentro”, “Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século” e “Blackbird Singing – O canto do pássaro preto” e terá sua poesia publicada no blog da Geração.

2º lugar – Vai receber a obra “Blackbird Singing – O canto do pássaro preto” , “Rio Adentro” e terá sua poesia publicada no blog.

3º lugar – Vai receber a obra “Rio Adentro” e terá sua poesia publicada no blog.

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